Criado em 25 de janeiro de 1663, como Correio-Mor do Rio de Janeiro, mesmo tendo como capital da Colônia Salvador, a atual Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos já passou por várias reestruturações e mudanças de Logomarcas.

Em 1931, através de decreto 20.859 de 26 de dezembro de 1931 a Diretoria Geral dos Correios se funde com a Repartição Geral dos Telégrafos e cria o Departamento dos Correios e Telégrafos. Em 20 de março de 1969, dentro do Governo Militar, o Ministério das Comunicações cria a Empresas e Correios e Telégrafos (ECT), tornando-a uma autarquia federal, que antes denominava-se Departamento de Correios e Telégrafos (DCT), gerando uma profunda transformação na gestão do setor postal, tornando-o um setor mais eficiente, que acompanhou por anos esse processo de eficiência, chegando a ter uma confiabilidade de 90% por parte da População Brasileira, tanto no serviço de cartas, como malotes, selos, telegramas e o serviço de encomendas expressas – SEDEX.

O problema dos Correios começa a ocorrer ao longo dos anos 2000, principalmente, por conta do Escândalo do “Mensalão”, iniciando uma grande crise dos correios, mesmo sendo palco de diversas inovações e novos processos gerenciais e comerciais, inclusive com início de novas atividades como o Banco Postal.

O problema maior encontra-se no Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos – POSTALIS, que hoje é o maior fundo de pensão do Brasil em número de participantes com mais de 195 mil participantes, e que tem apresentado problemas de sustentação observadas por denúncias de má aplicação de recursos das contribuições dos empregados, gerando déficits da ordem de aproximadamente seis bilhões de reais. Tais problemas começaram a ser observados em 2013 através de investigações por denúncias destas más aplicações citadas.

De 2013 a 2016 a empresa amargou prejuízos constantes, porém, em 2017 tendo um grau de lucratividade bastante considerado por medidas de contenção de despesas fez com que a possível privatização da empresa fosse abandonada temporariamente, porém, nos seis anos de 2010 a 2016, por conta dos problemas estruturais e prejuízos financeiros observados, fez com que a empresa tivesse uma perda de encomendas na ordem de 1000% de aumento, revelando então uma queda na qualidade do serviço por conta dos problemas de infraestrutura e falta de materiais adequados, tudo causado por anos de má-gestão, corrupção e uso político da empresa.

Com isso, os casos de greve se avolumaram na referida empresa, gerando dificuldades e transtornos para os usuários do serviço, acarretando ainda mais descredito pela população e setores que usam tais serviços. A última greve deflagrada no dia 10 de setembro de 2019, inicialmente em todo o país, depois, sendo reduzida e ficando quase que exclusivamente no Rio em São Paulo e ainda assim não com a totalidade dos funcionários, levanta novamente a questão sobre a privatização da empresa.

Como ter um serviço de importância, como o desenvolvido pelos Correios, sem ter a garantia de uma eficiência e eficácia dele? O monopólio do setor em torno da empresa emperra muitos setores que dependem deste serviço para o funcionamento plena, principalmente, dos novos setores de vendas pela internet que dependem em sua grande maioria dos serviços de entrega feitos pela empresa. Cada vez mais é vista a necessidade de quebrar-se esse monopólio sólido e, atualmente, não tão confiável dos Correios.

Observando a experiencia da telefonia móvel no Brasil, que por ser um setor anteriormente preso ao monopólio, a partir dos anos 90 quando foi quebrada tal situação levou o país a ter hoje um sistema de telefonia móvel bem mais eficiente e eficaz, gerando avanços com a ampliação da oferta o que gera vários modelos de serviços, preços e qualidade.

O País carece hoje de um sistema de serviços postais e de entrega menos amarrado e mais dinâmico, inclusive com opções para o contratador do serviço, sabemos que hoje os correios é uma das poucas empresas, se não a única a ter sua presença e todos os mais de cinco mil municípios do país, mas, as más ações feitas no decorrer dos anos levou a empresa a amargar essa perda de qualidade e confiabilidade.

Desta forma, cada vez mais a discussão sobre a privatização ou a quebra do monopólio do serviço postal se faz necessária dentro do país, que está com um forte desenvolvimento de serviços via internet (compras on-line) e que acabam dependendo dos serviços de entrega dos Correios, que, pelos problemas apresentados e observados, torna essa parcela do setor produtivo, e cada vez maior e mais competitivo, uma incógnita sobre o processo de entregas.