Opinião

PSL… Um partido diferencial ou… Igual aos os outros 34?

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As pessoas tiveram uma impressão boa do PSL quando de sua grande vitória nas eleições de 2018 para a Presidência e sua meteórica ascensão, tornando-se a segunda bancada da Câmara Federal. Mas, se enganam, se pensam que o PSL é um partido isento, limpo, sem máculas. Vamos tentar entender um pouco sobre o que de fato está ocorrendo em nosso país nos bastidores do Congresso.

Primeiro vamos começar esclarecendo algumas coisas: Congresso é uma coisa, Câmara é outra e Senado é outra, Congresso é a Soma das duas casas, ou seja, Senado mais a Câmara Federal, o somatório dos 81 senadores mais 513 deputados federais formam o CONGRESSO. Se pegarmos a expressão mais clássica das duas casas teremos o Senado como a Câmara Alta e a Câmara Federal como a Câmara Baixa, daí, termos Lideranças de Governo no Congresso, no Senado e na Câmara, além das Lideranças de Partido.

Para entendermos o que ocorreu com as mudanças e a recente situação envolvendo a antiga Líder do Governo no Congresso Dep. Joice Hasselman, temos de fazer um retrocesso de tempo para analisar. A Dep. Joice Hasselman como Líder do Governo no Congresso tinha como função fazer as articulações entre as duas casas legislativas. A deputada foi escolhida e aprovada pelos dois presidentes das casas, o Dep. Rodrigo Maia, da Câmara e Sem. Davi Alcolumbre do Senado, visto a boa articulação que a deputada tinha com o Chefe da Casa Civil Onix Lorenzoni que é do mesmo partido dos presidentes das duas casas, o DEM. Com a perda do poder de articulação política pelo Chefe da Casa Civil, que foi substituído pelo atual Secretario de Governo em Julho passado, a força da Deputada começou a decair, principalmente por conta de muitas derrotas do governo em votações nas Câmara e no Congresso. Até aí temos um mecanismo formal que ocorre em qualquer tipo de governo, porém, agora vamos começar a falar sobre o título de nossa matéria.

O PSL, na verdade foi um partido que acabou cedendo sua estrutura para a eleição do Presidente Jair Bolsonaro em 2018. Não era nenhuma potência de Partido. Caso não houvesse a figura emblemática de Jair Bolsonaro concorrendo a Presidência do país por ele, o PSL teria hoje talvez um máximo de cinco deputados, isto com boa vontade, visto que em 2014 ele inicia a Legislatura com apenas um deputado, sendo o partido que mais cresceu nestas eleições e é inegável que só cresceu tanto por conta da presença da figura do então candidato, Jair Bolsonaro. Dos 52 deputados eleitos, podemos dizer que alguns se elegeriam, indiferentes de que partido estivessem, por conta de seus seguidores e admiradores, como é o caso de Eduardo Bolsonaro, Luiz Philippe de Orleans e Bragança e Joice Hasselman, mas, a grande maioria pegou carona na figura do atual presidente.

O “DONO” do partido, o Deputado Luciano Bivar, foi outro que se beneficiou com esse inchaço do PSL, pois, o Fundo Partidário cresceu assustadoramente. Neste ponto temos então as amarras do que oportunamente ocorreu neste processo.

Sabemos que o Fundo Partidário é um dinheiro cobiçado por todos os partidos. Acusam o PSL de fazer processos Laranja nas eleições, principalmente com as cotas estipuladas de candidaturas femininas. A Deputada Joice Hasselman, ao mostrar-se desejosa de concorrer a Prefeitura da Maior Cidade do país – São Paulo e não tendo recebido o aval da figura do Presidente, e aqui não vamos entrar na questão do Mérito ou não da deputada em disputar tal cargo, mas, é lógico que o anseio não tem muito a ver com pensamento pelo povo, afinal, projeto político pessoal é algo louvável, mas, os políticos brasileiros, na sua grande maioria, colocam seus projetos pessoais acima e afrente das necessidades do povo e do país.

Porém, a deputada sentindo-se preterida pelo não apoio da presidência nesta empreitada política, e, sabedora que tem um eleitorado grande, ainda assim, segue com a pretensão. Mas, aqui abro um parêntese: até onde esse eleitorado também não é fiel a figura de Bolsonaro? E até onde ela terá todos esses votos em 2020?

É claro que não só ela demostra tal postura, muitos outros dentro do partido também vieram a reboque do presidente, basta olhar nas mídias e ver como foram as campanhas eleitorais durante 2018. Dezenas de candidatos FULANO Bolsonaro, era típico, até o atual governador de São Paulo embarcou nessa onda, mesmo sendo do PSDB. Nem vou entrar em analisar outros deputados que embarcaram na canoa do candidato Bolsonaro, se elegeram por estarem “ligados” a ele e hoje se mostram pessoas que questiono a confiança nelas, pois, demonstram apenas aquilo que sempre critico na maioria dos políticos, o desejo apenas de se darem bem como tal.

Com isso vemos que muitos na legenda PSL são oportunistas, gritaram “Mito, Mito, Mito”, enquanto lhes convem para alcançar o sonhado patamar de eleitos, como foi o caso do sempre ator Pornô Alexandre Frota, que hoje é Dória até a alma e também este que se aproveitou da figura em ascensão do Presidente para auxiliar a se eleger governador de São Paulo e hoje mostra a sua verdadeira cara Fabiana de PSDBista.

Deixo então para apreciações e análises a pergunta que está no título da matéria. Até onde o PSL difere dos demais 34 partidos que temos hoje em funcionamento no Brasil? E boa parte de sua bancada, Inclusive seu “DONO”, o Deputado Luciano Bivar, diferem o que dos ditos políticos da era “Toma lá, dá cá”?

Este episódio, que ainda terá outros desenlaces, nos levam as seguintes perguntas: Até onde devemos confiar num Partido Político que existe hoje no Brasil? Não estaria na hora de reformular a Política Partidária no Brasil? Até onde poderemos sobreviver politicamente com 35 partidos sem Ideologia, apenas com Fisiologismo?

Ficam tais questionamentos para a análise e pensamento dos leitores.

Rio, 18 de outubro de 2019

Luiz Gustavo Chrispino

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Luiz Gustavo Chrispino

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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