Literatura

Livro: A Vida Em Tons de Cinza

Me envolvi tanto com a história que quando li este livro eu imaginava a fisionomia dos irmãos Lina e Jonas com as características físicas de meus filhos. 

Não derramei lágrimas, mas me senti tão pequena e impotente que fica até difícil explicar.

A história de horror vivida por estes povos raramente foi contada e achei fascinante a forma que Ruta Sepetys deu vozes à milhares de pessoas que foram atingidas diretamente pelo genocídio cometido durante o regime socialista liderado por Joseph Stalin.

A autora empreendeu duas viagens à Lituânia para embasar suas pesquisas, talvez por isso o livro seja tão realista. Os fatos citados no livro são todos fictícios, mas são baseados em fatos reais, narrados por sobreviventes que mantem seus nomes no anonimato por medo de perseguição. Ruta Sepetys é americana, mas seu pai foi um refugiado lituano.

Com Stalin no poder, estima-se que mais de 20 milhões de pessoas perderam suas vidas na URSS.

Em 1940, em uma tentativa de criar uma barreira entre Hitler e a Rússia, a União Soviética decidiu expandir seu território invadindo diversos países próximos. Logo, os lituanos aprenderiam que entre nazistas e soviéticos, não havia muita diferença. Um terço da população dos Bálticos foi exterminada pelos soviéticos na versão de Stalin do Holocausto.

Durante a Segunda Guerra, o país estava entre a cruz e a espada. Com os avanços nazistas, a Rússia respondeu rápido.  

Capa e titulo original. Fonte divulgação.

Estônia, Letônia e Lituânia simplesmente desapareceram do mapa em 1941, anexados à União Soviética. Ainda assim, conseguiram sua liberdade, em 1991, a independência ocorreu com paz e dignidade. Embora a família de Lina Vilkas seja fictícia, a autora, que é filha de um lituano refugiado, através do livro ela retorna às suas raízes para contar um pouco do sofrimento desse país tão pequeno que muitas vezes passa despercebido, valeu-se de fatos reais para contar a história de horror vivida pelos povos dos países bálticos durante a Segunda Guerra. Este livro me fez refletir muito, pois devemos estar gratos da vida que temos.

Nossos pequenos problemas são insignificantes comparados ao que aquelas pessoas passaram. Mas aí você pensa ” Isso aconteceu faz tempo, impossível acontecer de novo”, isto está errado, não sabemos o amanhã, por isso vivia cada dia como se fosse o último.

A cada linha que eu lia, não podia evitar o pensamento “como eu nunca ouvi falar disso?” O incrível é que todo mundo fala sobre o que Hitler fez com os judeus, mas parece que o mundo esqueceu ou empurrou pra baixo do tapete o que aconteceu na União Soviética.

Lina, nossa protagonista, é uma jovem de 15 anos que tem um talento ímpar para a arte. Sua história me lembrou muito o livro da “Anne Frank”, ambas demonstram muita coragem e determinação, mesmo estando vivendo em uma situação tão precária e desumana. Contudo vê seu sonho ser destruído quando a Europa entra em guerra e a Rússia cria a União Soviética. Na noite de 14 de julho de 1941, Lina sua mãe e seu irmão são levados por soldados da NKVD. Seu pai, professor universitário é separado deles e encaminhado para uma prisão. A Lituânia, bem como outros pequenos países, foram extintos do mapa, dando lugar a União Soviética. Os povos que foram retirados de seus lares, por intermédio da força, são enviados para campos de concentração e terão que lutar até o último segundo por suas vidas.
A fé e a esperança são as únicas ferramentas que sobrou para os Lituanos. Foram 20 milhões de pessoas, que forçadas a darem lugar a loucura de um líder fanático, tiveram sonhos, amores e famílias destruídas.


O livro foi publicado novamente, com outro título, “Cinzas na neve” e venceu o prêmio Golden Kite. Sendo  adaptado para o cinema em 2018.

Mesmo depois dos sobreviventes voltarem para casa, 15 anos depois de ficarem como deportados, ninguém podia comentar nada. Eles voltaram para o seu país sem nada, sem casa, sem nome, sem família. A polícia do governo tinha retirado tudo deles. Voltaram como bandidos, eram constantemente vigiados. Qualquer menção a esse período era crime, poderiam até ser executados. A história desse livro é a história de um povo que foi calado.

Autora: Ruta Sepetys

Capa comum: 240 páginas

Editora: Editora Arqueiro

Edição: 1

Idioma: Português

ISBN-10: 8580410169

Ano de Edição: 2011

Assunto: Literatura Internacional-Romances

Idioma: Português

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Joice Maria Ferreira

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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