Seguindo a série: “50 máquinas que mudaram o rumo da história”, vamos conhecer um pouco sobre a Turbina a Vapor de Parsons.

O uso da turbina na propulsão naval demandou muito tempo e encontrou inúmeras dificuldades antes de impor-se. O britânico Charles Algernon Parsons(1854-1931) foi o primeiro a idealizar o fracionamento da pressão do vapor em muitas variações parciais em 1884, para reduzir a velocidade tanto do vapor como da rotação da turbina. Esta turbina permite que o vapor flua na direção longitudinal do eixo e reduz gradualmente a pressão, distribuída por várias rodas da lâmina.

Parsons desenvolveu um sistema de estágios que reduzia e controlava a velocidade do vapor à medida que ele se deslocava. Ele também utilizava a força de reação do vapor que, ao passar de urna seção para outra, impulsionava as pás da turbina. Sua turbina era tão mais eficaz que os motores a vapor movidos a pistões convencionais que ela revolucionou a geração de energia elétrica. Até então, dínamos operavam a algo em torno de 1.000 e 1.500 rpm, mas Parsons observou que sua turbina poderia operar um dínamo à velocidade de 1.800 rpm, algo sem precedentes na época.

Em 1886, na exposição marítima de Liverpool, já havia sido exibida uma turbina a vapor, com variações de pressão de 18.000 rpm, para produzir energia elétrica. Para demonstrar aos visitantes que as vibrações se amortizavam com o novo motor, este ficou suspenso no ar e pendurado por dois arames.

Apesar de a turbina não era urna ideia nova, mas há tempos era considerada impraticável. O próprio pai do motor a vapor, James Watt (1736- 1819), julgava que urna turbina a vapor seria impossível de construir, por conta das imensas forças centrífugas geradas pelo deslocamento do vapor por um motor a 2,7 km/h.

Em 1897, durante a celebração do jubilei de diamante (60 anos de seu reinado) da rainha Vitória (1819-1901) impediu a intervenção de um “penetra”. Com urna revisão naval da frota imperial britânica, então a maior e mais poderosa do mundo, no ancoradouro de Spithead, na costa sul da Inglaterra. Diante dos olhos da rainha, do príncipe de Gales, dos governantes ali reunidos e do alto comando da Marinha, o Turbinia surgiu entre os grandes navios da frota, vindo a toda velocidade. Ele evitou com facilidade a interceptação das demais embarcações, pois literalmente as deixou boiando em seu rastro. Essa façanha foi útil para demonstrar a superioridade de sua turbina a vapor naval se comparada ao motor alternativo a vapor convencional.

A primeira aplicação de uma turbina Parsons ocorreu com o caça-torpedeiros inglês Turbinia, dez anos depois da exposição de Liverpool, e em 1898 foram usadas turbinas Parsons de 1.100 rpm para a propulsão de mais caça-torpedeiros: Viper (com 8 hélices), nos estaleiros de Wallsen, e Cobra, nos estaleiros Armstrong. Foram alcançados progressos notáveis e resultados ótimos no que se referia à velocidade e ao funcionamento, mas havia muito por fazer em relação ao consumo excessivo de vapor.

Foi muito usada nos barcos que cruzavam o canal da Mancha, no entanto, a propulsão marinha exigia cada vez mais potência e, consequentemente, os espaços para as turbinas de baixa pressão chegaram a atingir dimensões impossíveis. Para resolver esse inconveniente, recorreu-se a mecanismos intermediários, como os redutores de engrenagens de dentes helicoidais, testados por ingleses e, mais tarde, por projetistas alemães. Dessa maneira, sem deixar de evoluir, a turbina se impôs amplamente na propulsão marinha e substituiu os velhos motores alternativos.

Parsons fabricou seus próprios turbogeradores e começou a instalá-los nas Ilhas Britânicas e, posteriormente, no resto do mundo. Em 1923, foi contratado para construir a maior usina elétrica do mundo, que produziria 50.000 kW para a cidade de Chicago.

“Eu acreditava que velocidades de superfície moderadas e velocidades de rotação eram essenciais se o motor a turbina quisesse ser aceito de forma geral como máquina motriz .” (CHARLES PARSONS, EM UMA PALESTRA EM 1911)

Referências Bibliográficas

CHALINA, Eric. 50 Máquinas que mudaram o Rumo da História. Tradução de Fabiano Morais. Rio de Janeiro. Sextante. 2014.  

Turbina a vapor. Energia Solar, 26 de abril de 2019. Disponível em : < https://pt.solar-energia.net/definicoes/turbina-a-vapor.html> . Acesso em 02/12/2019.

SILVA, Alencar. As Turbinas de Parsons, 29 de Outubro de 2005. Disponível em :<http://titanicmomentos.blogspot.com/2005/10/as-turbinas-parsons.html>. Acesso em 01/12/2019

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