Star Wars: A Ascenção Skywalker… Bom? Ruim? Ou apenas uma sequência?

Star Wars: A Ascenção Skywalker… Bom? Ruim? Ou apenas uma sequência?

Quando fazemos a análise e crítica de um filme, buscamos compreender como este funciona, tanto como entretenimento e, claro, como obra de arte. Há filmes que trabalham bem ambos os aspectos e no decorrer do tempo continuam a atrair atenção do público, o apreço da crítica, a admiração de uma nova geração de diretores, produtores e atores, etc. Mas, há àqueles que conseguem realizar somente um desses elementos, todavia, estes oferecem entretenimento e costumam ter boa alta lucratividade, pois, conseguem cativar o espectador, contudo, não conseguem vencer a barreira do tempo, estando fadados ao esquecimento e desapego.

Os que surgem como obras de arte nem sempre agradam ao espectador, mas, conseguem perdurar na indústria cinematográfica como referências, já que o modo como trataram a estética (fotografia, som, figurino, etc) e o conteúdo (roteiro) é singular, genial. 2001 Uma Odisseia no Espaço de Stanley Kubrick e Metrópolis de cineasta austríaco Fritz Lang são exemplos de obras de arte. Diante disto, podemos observar StarWars: A Ascenção Skywalker é formidável como entretenimento e medíocre como trabalho artístico. Esperamos que nenhum fã ardoroso saque seu sabre de luz.

Ao fim da terceira trilogia de Star Wars, contemplamos um roteiro que tenta fazer jus ao legado da produção, tanto cinematográfica como do universo expandido em quadrinhos e as maravilhosas animações. A quantidade de fan service é impressionante, o que nos permite dizer que este é, de fato, um filme feito para fãs da obra. Não entendam mal, um leigo pode ver esta produção e sentir todo o prazer que ela oferece, mesmo que não tenha visto nenhum dos outros filmes, e se conhecem tal pessoa, por favor, perguntem como está Marte.

Um fã, é claro que entenderá de modo diferenciado este filme, por ter conhecimento do universo de Star Wars, o que permite uma imersão mais profunda e uma compreensão única das referências, porém, uma experiência menos rica não significa menos divertida.

Fotografia primorosa e atuações que variam de boas a magníficas marcam este filme. O personagem Kylo Ren cumpre o esperado no fim da sua jornada do herói: recebe a redenção, mostrando o quanto superou as sombras do passado e abraçando o objetivo que sempre esteve ali, palpável diante dele. Adam Driver faz uma performance primorosa mesmo diante de um roteiro que não oferece muito. Daisy Ridley consegue oferecer uma atuação digna do talento que vem demostrando na sétima arte. Todo o corpo dela transmite as emoções desenhadas pelo roteiro e dirigidas pelo diretor.

De fato, o filme agrada como diversão, contudo, como o Canal Super 8 cita, o filme perde bastante como obra de arte por uma falta considerável de ousadia. Vários desenlaces são repetições a partir do que já havíamos visto em outros filmes da franquia. O que de fato permite a uma obra transcender e ser revivida por diferentes gerações, Ben Hur, Dez Mandamentos e Blade Runner são bons exemplos, é a coragem de fugir do óbvio e esperado, para ousar, no modo como aprofunda as relações entre os personagens e oferece um encerramento que foge do simplista.

O vilão é alguém que já conhecemos das trilogias anteriores e na verdade se revela como o vilão de toda a saga Star Wars (Por favor Hollywood inventem outro na próxima, cansou, já deu, bola para frente…), isso é ruim? Do modo como foi apresentado? Sim. A relação dele com a jovem Rey é mal explicada, a intenção dele para com ela é muito forçada e o embate final dos dois oferece um diálogo chato, confuso e desnecessário.

A explicação dada para a forte atração da Rey e Kylo Ren é interessante e mostra uma faísca de coragem do roteirista contudo é algo trabalhado de modo corrido, sem peso dramático. Nas falas do vilão e do casal, sabemos que é algo único a conexão que os dois possuem, mas, não sentimos isso.

O modo como a trilogia anterior mostra quão único é o jovem Anakin Skywalker é muito mais surpreendente que esta tentativa frustrante. O filme comete a falha que vem se repetindo bastante em muitas continuações de filmes: crer que quanto mais e maior, melhor.

Temos muitas cenas de lutas entre Kylo e Rey, mas, elas acabam afetando a última cena de batalha entre os dois, deixando-a menos empolgante, sem novidades. A tentativa de induzir o espectador a ver este confronto como diferenciado por ser realizado no plano real, e não no psíquico, não funciona.

O roteiro perde a oportunidade de trabalhar o drama, poupando o espectador de ver outra grande cena de dor e perda como tivemos no primeiro filme ao vermos a morte de Han Solo. Quando pensamos ver mais carga dramática, o diretor realiza junto ao roteiro uma saída que se torna, por ser repetida em vários momentos do filme, algo desinteressante.

Os personagens secundários como Poe Dameron (Oscar Isaac), Finn (John Boyega), citando dois para não tomarmos muito espaço, perdem a relevância e profundidade que nos dois primeiros filmes dessa trilogia lhes proporcionaram, graças a diálogos que divertem, ao mesmo tempo que não agregam nada ao desenvolvimento da trama. Parece que ao acompanharem a jovem Rey em sua jornada, estão lá por mera imposição do roteiro, o que dá um ar de inutilidade aos personagens, antes tão carismáticos. Nem perderemos linhas para descrever e analisar o uso que C-3PO tem nesta produção…

No fim da sessão de cinema, tinhamos certeza que o dinheiro gasto no ingresso valeu a pena, mas, que não comprariamos o Blue-Ray do filme ou teriamos interesse de vê-lo novamente. Como o universo expandido e animações estão sendo ilhas de brilhantismo, cremos que tudo que esta produção não conseguiu ser, poderá ser visto em algum momento.

Um lembrete para Hollywood: Ao empregar diretores e produtores para encabeçar algo, tenham certeza que qualquer mudança ocasional de um destes, não prejudicará o trabalho conceitual. Não precisamos ver um  J. J. Abrams vs. Rian Johnson …

Carlos Alberto Chaves Pessoa Junior

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