Luís Carlos Verzoni Nejar, conhecido popularmente como Carlos, é um poeta, ficcionista, tradutor e crítico literário brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Filosofia, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Um dos mais importantes poetas da sua geração, também chamado de “o poeta do pampa brasileiro”. Dia 11 de janeiro este autor fez 82 anos e para comemorar este acontecimento entrevistamos um grande estudioso de literatura, detentor de uma inteligência rara e singular observação, Gabriel Santana, palestrante de temas relacionados a literatura, obviamente admirador de Nejar, e administrador da pagina do instagram gabrielliteratura333.  

  1. Carlos Nejar tem críticas sobre a intelectualidade brasileira? Se sim, quais?

R: O Nejar diz que faz parte da Academia, mas, ela não faz parte dele. Ele nunca gostou dessa erudição e rigidez que afasta o público. Na verdade, o que me parece, é o contrário. Vejo que grande parte da intelectualidade brasileira que não gosta dele. Todo escritor autêntico passa por isso. Faz parte.

2. Os departamentos de Literatura nas universidades já se debruçam sobre este autor ou ele segue alheio a atenção deste ambiente?

R: Confesso que Nejar é bem pouco lido na academia, mas, isso não é particularidade dele. Literatura Contemporânea é pouco estudada nos cursos de Letras. Acredito que parte disso se deve ao pouco tempo de curso, é quase impossível tratar de muitos autores no curso. Mesmo assim, poucos trabalhos são dedicados ao poeta, infelizmente.

3. Algum aspecto biográfico tem relação com os escritos deste autor?

R: Tudo e nada. Nejar foi encontrado pela palavra, isso é o que ele diz. Hoje ele anda de mãos dadas com ela. Isso ele sempre relata. Em seu monumental “Os Viventes”, tem alguns traços biográficos bem expressivos.

4. A formação acadêmica de Nejar o ajudou a percorrer seus caminhos como escritor?

R: Nejar tem uma formação jurídica. Sua formação como escritor foi feita durante toda sua vida de leitor. Suas traduções lhe ajudaram bastante também.

5. Qual a importância de Carlos Nejar para a Literatura Nacional?

R: Nejar já foi indicado pela Academia Brasileira de Letras ao Prêmio Nobel de Literatura, não ganhou, infelizmente. Mas, sua importância para Literatura Brasileira é inegável. Só sua “História da Literatura Brasileira”, conseguiu inaugurar um estilo totalmente novo de narrar nossa literatura. Nejar precisa ser redescoberto, ele é um dos viventes que têm ficado invisível,  lembrando do título do seu último livro de poesia.

6. Quais autores o influenciaram?

R: Estava pensando sobre isso durante esses dias. Creio que preciso me debruçar muito mais em sua obra para afirmar. Mas, três autores me saltam os olhos: Borges, Cervantes e todo o texto bíblico.

7. Luís Carlos Verzoni Nejar, mais conhecido como Carlos Nejar, é um poeta, ficcionista e tradutor . Como você analisa sua produção poética e ficcional?

R: Nejar é um homem que exalta o belo, é um arauto do bem. Mas, também, é um homem que transparece as desgraças humanas. Já falou em suas poesias sobre o desastre de Mariana, mais recente sobre a de Brumadinho. Sua ficção, para usar o termo de Massaud Moisés, é Mí(s)tica. Nejar é um escritor completo.

8. Todo tradutor é um traidor, a frase advinda de uma tradução de um dito corrente na Itália, é vista como uma realidade não rara em traduções. O trabalho de Carlos Nejar nesta foi uma feliz exceção?

R: Li Borges e Neruda por sua tradução. Dois poetas difíceis de traduzir. Cada um da sua maneira. O próprio Borges elogiou sua tradução. Segundo o que diz o próprio Nejar: “na tradução, esqueça do tradutor, todo mérito e do traduzido.”

9. Quais obras você considera as mais primorosas deste autor?

R: Difícil responder isso, falarei das que mais gosto: “Matusalém de Flores”, que é um romance, e “Os Viventes”, que é um livro de poesia. Livro esse que me emociona até hoje.

10. Defina Nejar com uma frase.

R: É um vivente que deu voz aos invisíveis.

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