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Distorção no uso da língua portuguesa, as expressões negro ou preto, qual, como e quando usar

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-Geneticamente falando, a cor da pele difere entre clara, escura, muito clara, muito escura. Enfim, somos todos claros ou escuros, pertencentes de uma única raça, a humana. E não é a raça que produz o racismo, é o racismo que separa os seres em raças. Todos os seres humanos modernos compartilham um ancestral em comum que viveu há cerca de 3 milhões de anos na África do Sul, o hominídeo Australopithecus.

Nos últimos anos, a palavra raça desapareceu discretamente dos livros escolares e as antigas classificações foram desacreditadas. Isso aconteceu graças às descobertas da paleontologia, da genética, da etnologia. No século 18, o botânico sueco Carl von Linné criou o sistema de classificação dos seres vivos – ainda hoje utilizado – e estabeleceu o nome científico de Homo sapiens para a espécie humana. Mas, sem contrariar o pensamento dominante na época, dividiu a humanidade em subespécies de acordo com a cor da pele, o tipo físico e pretensos traços de caráter: os vermelhos americanos, “geniosos, despreocupados e livres”; os amarelos asiáticos, “severos e ambiciosos”; os negros africanos, “ardilosos e irrefletidos”; e os brancos europeus, “ativos, inteligentes e engenhosos”.

É claro que entre um senegalês, um cambojano e um italiano existem, evidentemente, diferenças físicas visíveis: cor da pele e dos olhos, tamanho, textura dos cabelos etc. Mas hoje em dia já sabemos que o patrimônio genético dos três é extremamente próximo. A descoberta dos grupos sanguíneos, da variação das enzimas, das sequências de DNA, dos anticorpos e tantas outras, puseram em evidencia o parentesco dos homens entre si, assim como sua extraordinária diversidade. Uma combinação de genes, frequente numa população e rara em outra, é, assim mesmo, potencialmente presente em toda parte.

A comprovação se deu em 2002, quando uma equipe de sete pesquisadores dos Estados Unidos, França e Rússia comparou 377 partes do DNA de 1056 pessoas originárias de 52 populações de todos os continentes. O resultado mostrou que entre 93% e 95% da diferença genética entre os humanos é encontrada nos indivíduos de um mesmo grupo e a diversidade entre as populações é responsável por 3% a 5%. Ou seja, dependendo do caso, o genoma de um africano pode ter mais semelhanças com o de um norueguês do que com alguém de sua própria cidade na África!

O estudo também mostrou que não existem genes exclusivos de uma população, nem grupos em que todos os membros tenham a mesma variação genética. No século 20, as mitologias nacionalistas foram dominadas pelos clichês, tudo para justificar as políticas colonialistas. O auge desse pensamento foi a ideologia da raça “ariana”, uma tremenda enganação científica, que justificava a eliminação da “anti-raça”, o judeu. O século 21 fez sua estréia sob a sombra da divisão entre o bem simbolizado por povos ocidentais (americanos e europeus) e o mal personificado pelos povos do oriente. Que as ideias racistas não criem mais nenhuma explicação “científica” para provar mais nada! Ah, a raça humana, aquela que só se difere das outras raças porque pensa. Pensa mesmo, ambiciosamente, em restringir as riquezas da Terra à minoria dominante em detrimento da maioria que as produzem.

Clara Dawn

-Como e quando usar as palavras negro e preto, se branco não é negativo, preto também não é negativo, por Nabby Clifford

Qual o palavra correta para se referir aos afrodescentes, “negro” ou “preto”? Embora a primeira seja usada corriqueiramente, inclusive em documentos oficiais e acadêmicos, para o músico e ativista ganês radicado no Brasil Nabby Clifford, “preto” é o único termo aceitável ao “humano”.

Um país, o Brasil, usa palavras como lista negra, dia negro, magia negra, câmbio negro, vala negra, mercado negro, peste negra, buraco negro, ovelha negra, a fome negra, humor negro, seu passado negro, futuro negro. Não deveria chamar uma criança de negro (…). Pega o dicionário de língua portuguesa, está escrito: negro quer dizer infeliz, maldito. Brasileiro quando valoriza alguma coisa não fala negro, ele fala preto.

Nabby Clifford

“Ele não come feijão negro, come feijão preto, o carro dele não é carro negro, o carro dele é carro preto, ele não toma café negro, toma café preto, a fome é negra, quando ganha na loteria, ganha uma nota preta. Se branco não é negativo, preto também não é negativo.

Mas negro não, negro é palavra 100% negativa, e atrasa, isso causa morte, causa miséria, doenças. Já que o mundo mudou, vamos mudar nossa linguagem também”, diz Clifford, neste vídeo. Confira:

Vídeo 1:

Fonte: Portal Raizes

“Vamos mudar a linguagem, a palavra tem força como a própria bíblia diz em Matheus 4.v4, “não é só de pau que vive o homem“, cada palavra que sai de nossa boca também, enquanto o Brasil continuar chamar seu cidadão de negro, o Brasil não pode dizer que está civilizado, então está na hora de jornalistas, a mídia, mudar sua linguagem, professores e educadores começar ensinar a verdade, porque se você falar que negro é raça, você está mentindo”.

Nabby Clifford

Vídeo 2:


Estudos Aulete

Preto – Verbete Original

preto1 Adv. || (prov. port. e ant.) perto: Os porcos têm as ceas mui preto dos montes. ( D. João I , Livro da Montaria , p. 149,) || Preto de 1. quase: Semelha-me preto de morto, mas ainda a alma em ele jaz. (Demanda do Graal, I, c. 10, p. 114, ed. 1944.) || F. metát. de Perto.

preto2 Adj. || que tem a cor própria do ébano: Pretos os cabelos onde o povo vão perde opinião que os louros são belos. ( Camões. ) || Diz-se de várias coisas que, sem terem a cor do ébano, são bastantes escuras relativamente a outras da mesma espécie: Milho preto.Tempere-se com espécies pretas. ( Domingues Rodrigues , Arte d. e Cozinha , I, c. 4. 4, p. 36, ed. 1693.) || (Bras.) (fig.) Perigoso; difícil. || (Jog.) Bola preta ou substantivamente a preta, denominação por que se designa uma das bolas brancas, com que se joga o bilhar, a qual tem marcados dois pequenos sinais negros para se distinguir da outra que não tem sinal algum e se chama branca: Marcar duas carambolas à preta. [No “snooker” (Bras. sinuca), é a bola de cor negra, do valor de sete pontos.] || Cf. preta. || Circulo preto 1. o que ocupa a parte central de um alvo. || V. feiião-preto. || Frades pretos ou negros 1. os beneditinos cujos hábitos eram inteiramente pretos. || Homem preto ou mulher preta 1. homem ou mulher pertencente h raça preta; negro, egra. || Magia preta. V. magia. (Jog.) Naipes pretos, o de espadas e o de paus. || Raça preta ou negra, raça de homens caracterizados pela pele mais ou menos escura, cabelos curtos e muito crespos, nariz achatado e maxilas proeminentes; raça etiópica. || -, s. m. homem de raça preta: Dois pretos e um branco foram passear juntos. || (Fís.) A ausência de todas as cores (por oposição a branco que é a reunião de todas); o efeito de absorção mais ou menos perfeita dos raios luminosos. || A cor própria do ébano: Mandou tingir de preto o casaco. || Traje negro: Ia todo vestido de preto. || (Beira) Porco, cevado. || (Bras.) (fam.) Estar preto de, estar cheio de (gente, fruta, etc.); pretejar (São Paulo). || Por o preto no branco 1. escrever para não ficar só em palavras ou não se poder negar aquilo que se prometeu, ajustou ou determinou; lavrar documento por escrito: Há morrer e viver, é bom primeiro pôr o preto no branco. (Castilho.) || Sair a sorte em preto 1. obter prêmio na loteria; (fig.) obter bom resultado em alguma empresa; (pop.) ficar sorteado para soldado. F. inc. e muito discutida. Talvez do gr. Pyraithes (queimado). Cf. Antenor Nascentes, Dic. Etim.

Negro – Verbete Original

adj. || preto; escuro: Negro manto cobrindo e abordoado em nodoso cajado, atravessava Fr. Gil. ( Garrett. ) Os vultos, que os vestidos tão negros que puseram, de luto, tão compridos, não sei que ar lhes deram. (J. de Deus.) || Escuro, sombrio: Em negroboqueirão se abrira a terra. ( Garrett. ) São negras estas arcadas. (Rodrigues Cordeiro.) || Denegrido, requeimado do tempo, do sol: A torre de Caim do outro lado cingia de altas ameias o vulto negro da ermida. ( R. da Silva. ) || Vestido de preto: Mas, padre, se mandássemos alguém adiante a ver se concertava o caso com esses negros monges. ( Garrett. ) || Lutuoso, fúnebre. || Tenebroso, caliginoso: Trevas a face do universo cobrem e os ares negros negro fende o hipogrifo. ( Garrett. ) || Que causa sombra, que traz escuridão; tempestuoso: Pois que chuva e negros ventos me fecham a porta e o dia. ( Tolentino. ) Deixa que a nuvem negra tolde a lua. (J. de Deus.) || Tétrico, horrível: Tive o cruel ânimo de explicar a tua avó as negras circunstâncias daquela morte. (Garrett.) || Infausto, que anuncia infortúnios: O teu palmito, negra sina! desfolhou em vez de rosas os ramos de cipreste no leito do noivado. (R. da Silva.) || Ameaçador, medonho: Negras vagas se encapelam. (Gonç. Dias.) || Adverso, inimigo, funesto: Debalde negro fado cobriu meus dias de fortuna escura. ( Tolentino. ) Maldito, condenado: Já negra e moura a alma tinha quando eu lhe entrei no corpo. (Garrett.) Os negros monges – negros sejam eles! (Idem.) || Pervertido, execrável: Rancor de feras que em almas negras negro e vil impera. (Garrett.) || Horrendo, pavoroso: Antes a negra morte. (Castilho.) || Odioso, nefando, execrável: Máximo, general dos seus exércitos nas Gálias, arrancou-lhe a vida com a mais negra perfídia. (Montalverne.) Amir nestas negras tramas tenho-te servido lealmente. (Herc.) || Pão negro 1. pão de farinha grosseira e mal fabricado: Eu a arranjar-lhe o pão… o pão, à própria o digo, pão negro sem conduto. ( Castilho. ) || Pão negro 1. (fig.), frugalidade; vida modesta, parca: Se o pão negro dá valentes, que o digam da Europa as gentes aos pés dos normandos teus. (Castilho.) || Pão negro 1. (fig.), sustento ganho com muito trabalho e sacrifício: Lançaram-me fora de casa para mendigar o pão negro da esmola. (R. da Silva.) || Ponto negro 1. pequena nuvem prenunciativa de temporal; (fig.) previsão de infortúnio ou calamidade impendente; mancha escura; (fig.) fato culpável ou criminoso na vida de alguém. || Uma unha negra (fig:), um curto espaço ou intervalo: Pedi-lo e tê-lo tudo foi um; já lhe ouço a roedura; não tarda uma unha negra. (R. da Silva.) || Descrever com negras cores o caráter de alguém, representá-lo ruim, desprezível, execrando. || Ver tudo negro, ter tristes pressentimentos, desconsoladoras previsões. || V. negra-molenegro de espanhanegro de fumonegro de ferronegro de gásnegro de lâmpadanegro de marfimnegro-dos-bosques.|| -, s. m. homem de raça negra, preto: És como os cães esfaimados, que, comendo os troncos quentes por destro negro esfolados, levam nos ávidos dentes os ossos ensanguentados. (Tolentino.) || Escravo. || (Poét.) Escuridão, trevas: o negro da noite. || Negrinha (ave). || Trabalhar como um negro ou ser um negro de trabalho, mourejar, trabalhar excessivamente. || Meu negro 1. (Bras.) tratamento carinhoso, familiar, equivalente a meu bem. F. lat. Niger.


Atualizado: 22.3.21 13:20 GTM

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Paulo Fernando De Barros

Colunista e editor para a Noruega em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.
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