Inconformada com a oportunidade perdida de Roberto Alvim fazer um discurso para apresentar seu trabalho, e sendo ele vítima da máxima “o peixe morre pela boca” (e também pela imagem, pelo tom de voz, pela música escolhida como leit motiv, etc) resolvi fazer um exercício e escrevi eu mesma um discurso digno de um Secretário Especial da Cultura. Fica como sugestão para o próximo que ocupar essa pasta tão importante.

Música de fundo: Alvorada (Aurora Luminosa) de Carlos Gomes

Amigos e amigas, brasileiros de todas as regiões deste nosso grande Brasil. É com muita honra e alegria que venho divulgar as boas notícias que vêm com as nossas primeiras ações na Secretaria da Cultura, no governo Bolsonaro e que, tenho certeza, vão mudar a nossa perspectiva de ver e viver a nossa vida cultural. Foi justamente essa a proposta que o presidente me fez e que eu abracei imediatamente: fazer da Cultura e da Arte um alimento para o espírito de todos. Porque assim como o pão alimenta o corpo, a Arte alimenta o espírito e nos eleva para descobrir a verdadeira natureza do ser humano e como estamos, com ela, mais próximos de Deus.

Por muito tempo a Cultura foi representada por coletivos e monopolizada por organizações que se apropriaram de algo sagrado e libertador: a Arte. Por outro lado, a imagem da Arte aliada à vaidade de supostos artistas, mas na verdade filhos da indústria cultural, fez surgirem estrelas cuja produção  tinha como maior mérito uma boa divulgação financiada por grupos de interesse.

Nesse contexto, o mais prejudicado era o artista dedicado e genuíno, que era alijado de suas aspirações, de seus ideais, desacreditado de seus sonhos e voos solo. Esse mesmo artista que lutava para mostrar sua obra era refém das máfias culturais e dos grandes grupos de mídia. Muitos artistas desistiram, muitos morreram, poucos estão na memória. Não é e nem será mais assim. Acabou o tempo de “O Uraguai”, de Basílio da Gama, em que o particular dava lugar ao público e prevalecia a lei do mais forte. Hoje, o verdadeiro artista encontra amparo contra grandes corporações e pesquisadores têm perspectiva de futuro seja na Música, na Literatura, nas Artes Cênicas e Visuais, na Educação Artística.

Apesar de ser criterioso com a qualidade artística sobre o que meus olhos repousam, não me lembro de algum dia ter colocado em pauta o mérito de uma obra, Deixo esse julgamento para a posteridade, mas temos que recuperar o conceito de Alta Cultura, seja para a formação de leitores e espectadores, seja para oferecer  às novas gerações a possibilidade de que conheçam as obras que nunca poderemos esquecer; e tenham a experiência de contemplar e participar da Arte e da Cultura e se tornarem pessoas cada vez melhores. Esta é uma gestão que tem projeto e objetivo. É uma gestão que sabe que na vida de todos nós  a poesia está tão longe, e a prosa está tão perto que muitos esquecem que é possível fazer diferente e dar certo”

Vem aí o maior prêmio pago a obras de reconhecido valor artístico.

(Baixa o som, extrema imprensa, como sempre, esperneia e late, a caravana passa e ninguém é demitido).

 

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