Desde 1987, os grandes clubes brasileiros negociavam em conjunto a venda dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, e para isso foi criado o Clube dos 13, que reunia as agremiações de maior torcida do Brasil na época. Desde desse período, existe um monopólio das transmissões do esporte bretão no país, a Rede de Televisão dos Marinhos sempre foram os detentores dos direitos de transmitir o futebol, alternando momentos de exclusividade na TV Aberta, como temos hoje, ou cedendo licenciamento para outras emissoras como SBT num passado bem distante, Record no inicio dos anos 2000, e sua maior parceira, a Bandeirantes, mas, é peculiar que elas só conseguiram dividir o direito de transmitir os jogos por períodos muito curtos, ambas estavam sobre o jugo da Globo, e ficavam engessadas para fazer algo contrário a emissora carioca, que determinava os jogos nas quais sua concorrentes poderiam transmitir, deixando apenas poucos ou quase nada de jogos exclusivos para elas.

Em 2011 tudo isso mudaria, com os clubes brasileiros querendo um aumento significativo em suas cotas de TV, visto que na demanda do mercado internacional, grandes clubes já recebiam um montante de dinheiro maior que os clubes nacionais e para atender esta demanda, o Clube dos 13 abriria licitação para todas as emissoras participarem e as favoritas para ganharem eram a Record e a RedeTV, que no final venceu e não levou, tudo isso graças a Globo que não participou do processo. Com a ajuda de Corinthians e Flamengo, implodiram o Clube dos 13, negociando diretamente os direitos de transmissão com os dois clubes mais populares do Brasil. Assim, todos os outros clubes tiveram que passar a negociar seu contrato com a Globo e alguns times passaram a ganhar mais, desequilibrando a balança do futebol brasileiro.

Porém, o feitiço se virou contra o próprio feiticeiro, Athletico Paranaense e Palmeiras, recentemente, mostraram o caminho e endureceram com a venûs platinada. Os paranaenses não achando justo o valor a ser recebido e acertaram apenas os direitos de transmissões da TV Aberta, ficando de fora o Pay-Per-View. Já o Palmeiras depois de longas negociações conseguiu o valor que achava justo e acertou para ter seus jogos transmitidos em todas as plataformas.

O futebol em 2020 começa com o Flamengo, o time de maior torcida do Brasil, fora da transmissões televisivas. A equipe do Rio quer 100 milhões da Globo para ter seus jogos mostrados. A emissora que passa por grave crise, não pagou até o momento e corre o risco de, caso o clube chegue à final do estadual, poder ficar sem exibir a partida. Como é de praxe na emissora dos Marinhos, começou a denegrir a imagem do time rubro negro contra a opinião pública. Bom seria, se todos os clubes fizessem o mesmo que o Flamengo. Mas, isto acabou mostrando ser uma Bola Fora.

Agora, a emissora arrependida quer voltar a negociar o futebol como antigamente e como se faz na Europa, através de uma liga que representaria os clubes, mas, o grande problema é que, se o monopólio do futebol continuar, a forma de negociar pode até mudar, mas, os resultados vão ser sempre os mesmos: clubes reféns de uma emissora.

Está na hora de adotar um modelo econômico eficiente para clubes e emissoras, que beneficie os telespectadores e todos aquele que consomem o futebol. A NBA está ai como exemplo de divisão de cotas televisivas. Quanto ao Flamengo? Está correta sua posição, maior público, maior audiência, maior valor de cotas. Ele está apenas usando o sistema, contra o próprio sistema.

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