Neil Gaiman com seu livro Deuses Americanos, que se tornou uma série interessante e Rick Riordan, com a série de livros Percy Jackson e Os Heróis do Olimpo, mostraram, com óbvias e claras distinções, uma temática interessante: o mundo moderno sendo palco onde deuses lendários estão presentes e repaginados. Quando vi o trailer de Ragnarok, me perguntei como seria ver os deuses da Mitologia Nórdica presentes nas belas terras norueguesas atuais dividindo espaço com a modernidade.

Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia, já dizia, Arthur C. Clarke e como seria incrível ver a magia antiga, inspirada no obscurantismo, forças da natureza e no poder intrínsico das divindades, se contrastando com o poderio tecnológico. Essa nova magia que tem trazido tantas benefícios, como também, catástrofes para a humanidade. Dito isso, a série Ragnarok acerta na temática por sua riqueza e potencial, mas, erra no modo de contar a estória. Se inspira nos trabalhos já citados aqui e no que vem sendo apresentado na TV, porém, não se define.

Comecemos pelos pontos positivos, pois, desejamos que vocês assistam essa série e comentem concordando ou discordando conosco. A fotografia desta série é fantástica, um espetáculo cuidadosamente mostrado a cada capítulo. Durante os seis episódios me imaginei caminhando pelas terras geladas, ver os rios e a vida natural, locais onde o tempo parece nunca ter saído da era dos Vikings. Os atores também possuem atuações boas e condizentes com o que o roteiro propõe. David Stakston, que interpreta o protagonista Magne e Jonas Strand Gravli, que vive o sarcástico e inteligente irmão de Magne, Laurits, são destaques, embora este último poderia ter sido melhor explorado.

A estrutura da série é interessante, apresenta ao começo a descrição de algum ser lendário e depois mostra este ser atuando no mundo real. O primeiro episódio revela o jovem e tímido Magne ajudando um senhor e sendo abençoado por uma senhora. A câmera foca nos olhos do garoto que brilham e logo percebemos que algo mudou. A cidade possui uma família industrial rica e poderosa que logo no segundo episódio o roteiro apresenta-os como sendo os antagonistas da trama.

Se o roteiro focasse na relação protagonista versus antagonistas enquanto explora a razão desta rivalidade se manter viva mesmo após o primeiro evento de Ragnarok, o apocalipse nórdico onde os deuses enfrentam as criaturas das trevas e os Gigantes, teríamos sido imersos em uma trama que tinha tudo para, não somente entreter, como também se tornar icônica, como vem sendo O Mundo Sombrio de Sabrina. As subtramas, porém, tomam demasiado tempo e rivalizam com a trama central, o que torna tudo bastante superficial.

A série erra também por não ter definido adequadamente para que público se destinaria. Depois que tivemos séries dirigidas ao público jovem, com uma pegada mais Dark e séria, aqui percebemos que esta tenta agradar do pré-adolescente ao jovem, o que não a permite ousar. Temos pinceladas de thriller, suspense, terror e de erotismo, mas, tudo raso e demasiadamente corriqueiro.

No fim, conseguimos ver algo divertido que poderia ter sido bem mais grandioso, contudo, caso haja uma segunda temporada, podemos ver estas e outras falhas sendo corrigidas e, sejamos francos, em meio a tanta chatice travestida de entretenimento, algo que de fato consegue agradar ao ponto de nos fazer permanecer assistindo, é algo merecedor de continuação, ademais, o gancho dado no último episódio oferece possibilidades para vermos algo que surpreenda.

Concordam? Discordam? Odiaram? Amaram? Deixem suas opiniões e dicas de qual filme ou série vocês desejariam que comentassemos.

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