Relatos sobre um Afeganistão assustador , cheio de maldade, sofrimento e esperança.

Você já parou para pensar até que ponto somos donos de nossa história e até que ponto podemos reescrevê-la?

Com uma escrita bem elaborada, o autor do livro Cidade do Sol nos coloca muito próximos da vida de duas mulheres, que de uma forma inusitada acabam fazendo parte uma da vida da outra, nos fazendo imergir na história a ponto de nos vermos como cúmplices de tudo o que elas passam e nos sentimos tão impotentes quanto elas.

Mariam e Laila são duas mulheres distintas e vítimas de um regime opressor que se abateu sobre o país, um país onde as mulheres são obrigadas a viver sempre à sombra dos homens, sem nenhuma voz nem liberdade individual.

A leitura é tão intensa que conseguimos sentir a dor que as personagens sentem. Este é mais um reflexo assombroso e perturbador de fatos sobre um povo sofrido, massacrado e cheio de esperança de dias melhores.

O livro é contado em 3 partes, sendo duas personagens principais, Laila e Mariam. Sofrendo nas mãos do marido, elas se vem presas a um cotidiano quase impossível de se livrar. Ele mostra o que as mulheres eram submetidas a fazer. Cada capítulo te proporciona um novo sentimento uma nova emoção, com um final surpreendente mostrando que às vezes devemos nós privar de certas coisas para o bem dos outros.

Capa original. Fonte Divulgação

É um livro inesquecível, do começo ao fim mostrando a vida sofrida das mulheres, em pleno início da Guerra do Golfo, no começo dos anos 90, que nos faz refletir sobre os valores da vida.

Duas das três partes, são relacionadas a vida de cada uma das personagens principais e a terceira parte é relacionada em como o destino uniu essas duas afegãs de uma forma trágica e como elas formaram uma amizade linda ao passar dos anos, apesar das dificuldades de suas vidas dia após dia.

A violência doméstica sofrida por mulheres nos países onde a segregação de gênero, é muito forte e o escritor aborda esse assunto muito bem, além de expor a história de um país e sua cultura em um só texto, fazendo uma viagem pelos sentimentos humanos, dos mais simples aos mais sublimes e também mostrando bastante como é o comportamento dentro de uma casa afegã, seus costumes e como a vida é difícil, principalmente durante as guerras.

O ambiente familiar normalmente é formado contra a vontade da mulher, que é dada a seu marido trazendo cenas perturbadoras de uma realidade existente em muitos países islâmicos. Chega ser claustrofóbico se imaginar nascendo mulher em um país assim, não tendo direito a absolutamente nada, ou seja, você somente existe.

Depois que eu li esse livro, automaticamente tive vontade de me ajoelhar e pedir graças ao Bom Deus por viver no Brasil, no que me diz respeito a ser mulher. Assim como em “O Caçador de Pipas”, o autor Khaled Hosseini, descreve de maneira brilhante um Afeganistão sofrido, onde seus personagens estão longe da ficção, relatando o quão duro era ser mulher ali.

É um livro belo e devastador. Fala a verdade crua sobre machismo, a crueldade e a intolerância. Porém, nos mostra valores como dignidade, força e superação diante da realidade como ela se apresenta.

O triste é saber que, mesmo sendo ambientado nos tempos de infância do autor, a história ainda é tão atual e verídica. Ainda há mulheres submissas e ofuscadas pelo poder da cultura, sendo submetidas a todo tipo de tortura no silêncio de suas casas.

Indico esse livro a todos aqueles que gostam de ler uma boa história, e também de se inundar de informação e cultura.

Dados técnicos: Cidade do Sol

Autor: Khaled Hosseini. Capa comum: 368 páginas. Editora: HarperCollins. Edição: 1ª (1 de janeiro de 2012). Idioma: Português.

Fonte Imagem destacada: Pixabay.

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