COMUNICADO DO CHEFE DA CASA IMPERIAL DO BRASIL QUANTO À ORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO MONÁRQUICO

Meus muitos caros monarquistas,

Acontecimentos recentes, bem como o apelo de veteranos e de novos monarquistas, tornam oportuno que reitere anteriores diretrizes sobre a organização do movimento monárquico no Brasil. Faço-o como um chamamento à harmonia, na plena certeza de que a aurora monárquica em nosso País avança mais e mais a cada dia.

A imensidão do território brasileiro e as legítimas diversidades que nele devem florescer pedem que nosso movimento se organize de forma orgânica, em Círculos Monárquicos, Frentes Monárquicas, núcleos da Juventude Monárquica e outros grupos que atuem, a nível municipal ou estadual, segundo as tradições e regionalidades coexistentes em nosso País e que, juntas, conformam aquilo que chamamos Brasilidade.

Portanto, manifesto minha desconformidade – apesar de reconhecer, de bom grado, o idealismo e o espírito de iniciativa dos que o propõem – à constituição de quaisquer alianças, coligações, confederações, ligas ou partidos que pretendam chamar a si a liderança nacional do movimento monárquico, assim tolhendo a ampla liberdade com que, de Norte a Sul do Brasil, há décadas atuam as múltiplas entidades monarquistas. Aqui, pois, também encontra aplicação o basilar e sábio princípio da subsidiariedade.

Qualquer tentativa de centralização inorgânica tiraria aos diversos grupos suas características de abordagem diferenciada, bem como a sua criatividade e liberdade de ação dentro da ordem e da legislação vigente. O monarquismo ficaria manietado, transformado em mais uma estrutura centralizada – precisamente em um momento no qual nossos compatrícios, lúcidos e inteligentes, dão-se conta de que estão, mais do que nunca, desprestigiadas as agremiações políticas no País.

Assim como minha veneranda Bisavó, a Princesa Dona Isabel, e meu saudoso Pai, o Príncipe Dom Pedro Henrique, que me antecederam no múnus da Chefia da Casa Imperial do Brasil, sempre vi com bons olhos a liberdade de atuação dos monarquistas, pois entendo que a grande força do nosso movimento está na autonomia, no espírito de iniciativa e no dinamismo de suas bases, sempre unidas e coesas em torno daquilo que é realmente essencial e inegociável, ou seja, a fidelidade à Legitimidade Monárquica e a observância de princípios fundamentais de caráter genérico, expressos nas “Propostas Básicas com vistas à Restauração da Monarquia no Brasil”, conhecidas e compartilhadas por todos.

Meu Secretariado, ao qual a associação Pró Monarquia presta suporte, por delegação minha exerce a necessária função de aglutinar e coordenar os esforços disseminados dos diversos grupos monarquistas, sem, entretanto, pretender dirigi-los de modo centralizador, o que não corresponderia nem à índole nem à conveniência de nossa Causa. Por trinta anos, as portas do Secretariado têm estado abertas para o diálogo fraterno com todos os brasileiros, de modo particular os fiéis e devotados monarquistas, e assim permanecerão sempre.

Por fim lembro que já no passado, desde os tempos do Plebiscito de 1993, ocorreram outros intentos de implantar – sem meu consentimento e com minha explícita desconformidade – uma direção centralizadora do movimento monárquico, e que estas sempre foram mal sucedidas. Assim sendo, apelo à experiência dos veteranos e ao idealismo dos jovens monarquistas no sentido de, por amor ao Brasil, prosseguirmos juntos em nossa patriótica atuação do modo como até agora, com êxito, vimos procedendo.

Que para tal nos ajude Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil.

São Paulo, 14 de fevereiro de 2020

Dom Luiz de Orleans e Bragança
Chefe da Casa Imperial do Brasil

Fonte: Casa Imperial do Brasil – Pró Monarquia

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