Embora a maioria dos brasileiros não saiba, o Brasil foi pioneiro, em relação a estudos e projetos, D. Pedro II, que sempre demostrou preocupação, foi um grande incentivador, quando o assunto era melhorar a qualidade de vida dos deficientes auditivos.

Não existem relatos específicos sobre a origem da Língua de Sinais, porém, destaca-se o início de seu uso no ano de 1760, na França. O abade Charles Michel de I’Épée, inicia um método de aprendizagem para surdos começando a associar palavras a figuras e ensinando surdos a ler e assim levando acesso à cultura do mundo e para o mundo. Charles Michel fundou a primeira escola para surdos que teve auxílio público e treinou diversos professores na França e expandiu pela Europa.

Antes disso os surdos eram marginalizados, pois, eram mal compreendidos, ficavam revoltados e frustrados. Eram mundialmente considerados como ineducáveis, por vezes eram tidos como loucos e afastados do convívio social. Quando adultos eram forçados a realizar os piores trabalhos, a maioria vivia enclausurados. Os surdos de famílias nobres eram forçados a ler e a falar para assim serem reconhecidos como pessoas da lei para conseguirem títulos e herança e até então não havia escolas especializadas para surdos.

Em Washington D. C., nos Estados Unidos, no ano de 1864, foi fundada a primeira instituição superior para surdos, a Gallaudet University. Utilizavam o Método Combinado com uso da língua de sinais justificados para o ensino do surdo, para que ele podesse aprender a escrever e a falar, o que não atendeu aos objetivos, pois, os surdos possuem dificuldade de falar por não conseguirem ouvir os sons fonadores formadores das palavras e desta forma não aprendiam a falá-las.

Acreditando que a leitura labial era a melhor forma de comunicação para os surdos, em 1880, ocorre o Congresso Mundial de Professores de Surdos em Milão, Itália. Nesse Congresso é decidido que todos os surdos deveriam ser ensinados pelo Método Oral Puro e que seria proibido a língua de sinais.

A partir de então, os professores e fonoaudiólogos deveriam utilizar o Oralismo. Isso não fez com que eles parassem de se comunicar por sinais, mas atrasou a difusão da língua no país. Calcula-se que levava, em média, 10 anos para se “oralizar” um surdo.

Somente no ano de 1896 a pedido do Governo brasileiro, A. J. de Moura e Silva, que atuava como professor de surdos no INES foi ao Instituto Francês de Surdos com a missão de avaliar esta decisão e chegou à conclusão de que o método oralista não era eficiente para todos os surdos.

Já aqui no Brasil, durante o Império, quando Eduard Huet, um francês que ficou surdo aos doze anos, veio ao país a convite de D. Pedro II que sempre demostrou preocupação com os menos favorecidos, obteve o incentivo do imperador e com isto, o professor Huet fundou no Rio de Janeiro em 1857 o Imperial Instituto para Surdos-Mudos, que a partir de 1957 passou a ser chamado de Instituto Nacional de Educação para Surdos – INES, utilizando o Método Combinado. Na época, o Instituto funcionava como asilo, no qual só eram aceitas pessoas do sexo masculino que vinham de todos os lugares do país, muitas delas abandonadas pelas famílias.

Os surdos brasileiros passaram a contar com essa escola especializada para sua educação e tiveram a oportunidade de criar a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), mistura da Língua de Sinais Francesa com os sistemas de comunicação já usados pelos surdos das mais diversas localidades. 

Alfabeto manual em Libras. Fonte Sign WebMessage

As línguas de sinais, ao contrário do que se pode pensar, não são universais, pois existem a Língua de Sinais Americana, a Língua de Sinais Francesa, a Língua de Sinais Portuguesa, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), dentre outras. A linguagem corporal e facial, são presentes e indispensáveis na Língua Brasileira de Sinais, é preciso que seu interlocutor seja um intérprete, além de gesticular com as mãos as expressões faciais e corporais são indispensáveis.

Batalhas vencidas

Sabemos das dificuldades enfrentadas pelos deficientes auditivos no seu cotidiano, mas com o tempo os governantes estabeleceram leis e direitos para facilitar e dar flexibilidade, tentando normalizar o convívio social, pois eles não podem ser uma minoria esquecida.

Aqui vamos apresentar algumas de suas vitórias:

No período de 1970 a 1992, os surdos se fortaleceram e reivindicaram os seus direitos. Desde aquela época, as escolas tradicionais existentes no método oral mudaram de filosofia e até hoje boa parte delas vêm adotando a comunicação total. 

Em 2002: foi promulgada uma lei que reconhecia a LIBRAS como o meio de comunicação objetiva e de utilização das comunidades surdas no Brasil.

Em 2004: Vai ser editada a Lei que determina o uso de recursos visuais e legendas nas propagandas oficiais do governo.

Em 2005: foi promulgado um decreto que tornou obrigatória a inserção da disciplina nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério em nível médio (curso Normal) e superior (Pedagogia, Educação Especial, Fonoaudiologia e Letras). Desde então as instituições de ensino tem procurado se adequar a essa lei.

Em 2008: Instituído o Dia do Surdo que é comemorado em 26 de setembro, considerado o mês de setembro o mês do surdo.

Em 2010: Foi regulamentada a profissão de Tradutor e Intérprete de Libras;

Em 2015: Publicação da Lei Brasileira de Inclusão ou Estatuto da pessoa com deficiência, que trata da acessibilidade em áreas como educação, saúde, lazer, cultura, trabalho, etc.;

Em 2016: Anatel publica resolução com as regras para o atendimento das pessoas com deficiência por parte das empresas de telecomunicações.

Fontes:

Língua de Sinais: origem e história. Portal Educação. Acessado em 03/02/2019.

Um pouco da história da língua de sinais no mundo e no Brasil. Diversidade em comunicar. Acessado em 03/02/2019.

A história da Libras, a Língua Brasileira de Sinais. Blog do Hugo. Acessado em 03/02/2019.

Fonte Imagem Destacada: Blog da Parábola Editorial

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