O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, afirmou que é preciso rejeitar o racismo e o antissemitismo, que segundo ele estão começando a “envenenar” as instituições democráticas do país. A declaração foi feita durante cerimônia pelo aniversário de 75 anos do bombardeio em Dresden pelos Aliados, que matou mais de 25 mil pessoas no final da Segunda Guerra Mundial. A cidade, no Leste da Alemanha, é uma espécie de fortaleza da extrema direita, e lá movimentos neonazistas chamam o ataque feito pelos americanos e britânicos de “holocausto de bombas”, equiparando-o ao Holocausto de 6 milhões de judeus pelos nazistas.

Em seu discurso, o presidente da Alemanha disse que o bombardeio lembra os alemães da destruição da democracia, da arrogância nacionalista, do desprezo pela humanidade, do antissemitismo e do fanatismo racial.

“Receio que esses perigos não tenham sido banidos até hoje”, discursou Steinmeier, que completou dizendo que esses males estão começando a “envenenar” a vida pública e as instituições democráticas do país: “Não basta apenas os democratas darem as costas com nojo disso. Temos que todos rejeitar todo ódio e incitamento ao ódio, conter os insultos, confrontar o preconceito”.

Durante a cerimônia em que Steinmeier discursou, uma corrente humana foi feita para relembrar as vítimas do bombardeio. Em uma ação até hoje muito questionada, já que afetou principalmente civis, em 13 de fevereiro de 1945, pouco menos de dois meses antes da rendição final alemã, aviões do Reino Unido lançaram bombas contra Dresden, incendiando a cidade e destruindo igrejas e palácios barrocos da cidade. A Força Aérea dos EUA também se juntou ao ataque britânico.

Segundo historiadores, o bombardeio alimentou a vitimização, que foi cultivada na antiga Alemanha comunista e, mais tarde, adotada pela extrema direita. Em Dresden, surgiu o grupo anti-islâmico Pegida; protestos estão marcados para acontecer na cidade no próximo sábado.

Na segunda-feira, Bjoern Hoeck, líder do partido de extrema direita Alternativa para Alemanha (AfD), participará de uma passeata do Pegida em Dresden. Ele já defendeu que os livros de história da Alemanha devem ser reescritos para enfatizar o sofrimento alemão mais do que os das vítimas do nazismo.

A cerimônia desta quarta-feira acontece uma semana depois de Hoeck causar um terremoto político. Quebrando um consenso estabelecido no pós-guerra, a União Democrata Cristã (CDU) da chanceler Angela Merkel se uniu à AfD para eleger o chefe do governo do estado Turíngia, no Leste alemão.

Por causa dessa aliança, desfeita diante da reação nacional, a líder da CDU e até então provável sucessora de Merkel, Annegret Kramp-Karrenbauer, anunciou sua renúncia.

Fonte CONIB

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