Nova técnica de pesquisa empregada na Universidade Hebraica permitiu à equipe medir a temperatura na qual os ovos foram formados – e, assim, se a mãe poderia regular o calor do corpo.

A questão de saber se os dinossauros eram de sangue frio, como seus parentes reptilianos, ou de sangue quente, como seus descendentes de pássaros, tem sido debatida em círculos científicos.

Agora, uma equipe de pesquisadores israelenses acredita ter encontrado evidências apontando que pelo menos alguns dos lagartos antigos são endotérmicos: animais de sangue quente.

Arquivo: fósseis de ovos de dinossauro descobertos (AP Photo / Luisa Ferreira)

Cientistas da Universidade Hebraica, liderados pelo Prof. Hagit Affek, do Instituto de Ciências da Terra da universidade, usaram um novo método, chamado geoquímica de isótopos agrupados, para analisar ligações químicas em ovos de dinossauros fossilizados. A nova técnica permitiu avaliar a temperatura na qual os minerais de carbonato de cálcio, um componente importante das cascas de ovos, foram formados e, assim, estimar a temperatura corporal da mãe.

Mas isso por si só não seria suficiente para chegar a uma conclusão. Afinal, os animais de sangue frio geralmente se aquecem com a exposição à luz solar e a fontes externas de calor.

“O clima global durante a era dos dinossauros foi significativamente mais quente do que é hoje”, afirmou Affek. “Por esse motivo, medir apenas a temperatura corporal dos dinossauros que viviam perto do equador não nos diria se eram endotérmicos ou exotérmicos, porque a temperatura corporal pode simplesmente ter sido uma resposta a sangue frio aos climas quentes em que viviam. “

E assim a equipe israelense verificou fósseis de Alberta, Canadá, comparando a temperatura corporal de moluscos de sangue frio com a de espécies de dinossauros da região. Os moluscos exibiram uma temperatura de 26 ° C, de acordo com seu tipo conhecido de metabolismo e temperaturas em altas latitudes.

Mas os ovos testados em três espécies diferentes de dinossauros da região mostraram que, em todos os casos, a temperatura corporal da mãe estava entre 35-40 ° C – uma característica da temperatura dos animais de sangue quente, e uma que os cientistas disseram que não poderia ter sido alcançada na região. regiões frias do norte, mas para o animal com sistema endotérmico.

Estudos anteriores afirmaram que alguns dinossauros podem não ter exatamente sangue quente nem frio, mas em algum lugar intermediário – capazes de produzir calor internamente e elevar a temperatura do corpo, mas não o mantêm em um nível consistentemente alto, como os mamíferos.

Affek disse que isso continua sendo uma possibilidade. Mas o ponto principal, disse ela, era a clara evidência de que as criaturas poderiam se manter aquecidas, mesmo quando o ambiente era decididamente menos.

Ela acrescentou que a equipe acreditava que os dinossauros haviam evoluído para criaturas de sangue quente desde o início, observando que uma das espécies de ovos testadas pertencia a um Mayasaura, um dinossauro mais próximo de lagartos de sangue frio na árvore evolutiva, que também mostrou os resultados de uma criatura de sangue quente.

O estudo foi publicado sexta-feira 14 Fevereiro 2020, na revista Science Advances.

Fonte The Time Of Israel

Fonte Imagem destacada Pixabay

Print Friendly, PDF & Email

Facebook Comments

Comments are closed.