País tem tecnologia suficiente para organizar as redes de bancos de leite humanos, reduzindo o tempo de permanência em UTIs de bebês prematuros e, com isso, melhorando os índices de mortalidade infantil

O Sistema Único de Saúde (SUS) é o maior e mais completo programa social do mundo. Algumas das políticas públicas que o compõe colocam o Brasil em posição de vanguarda. Quando o assunto é doação de leite, por exemplo, o Brasil é referência internacional. Isso porque nossa Rede de Banco de Leite Humano (rBLH) é a maior e mais complexa do mundo, contando com 224 bancos e 216 postos de coleta presentes em todos os estados.

A experiência nacional disponibiliza leite materno a recém-nascidos desde 1943, quando foi implantado o primeiro BLH no então Instituto Nacional de Puericultura, atualmente Instituto Fernandes Figueira (IFF), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Até o início dos anos 1980, foram implantadas mais cinco unidades no País, cerca de uma por década. Ao longo daquela década, particularmente a partir de 1985, observou-se uma verdadeira expansão, com a instituição de 47 novos serviços que, somados às 56 implantações ocorridas na década de 1990, passaram a totalizar 104 unidades em funcionamento no País. Foi nesse período que se constituiu o formato vigente até hoje, que alinha baixo custo e alta tecnologia. A tecnologia brasileira é modelo para a cooperação internacional em mais de 20 países das Américas, Europa e África.

O leite materno tem tudo o que o bebê precisa até os seis meses de vida, protegendo-o contra doenças. Em 2001, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a rBLH como uma das ações que mais contribuíram para redução da mortalidade infantil no mundo. Entre 1990 e 2012, a taxa de mortalidade infantil no Brasil reduziu 70%, segundo dados da rBLH.

“O leite humano é superior a qualquer tipo de fórmula. Para cada litro de leite oferecido para as crianças prematuras é possível diminuir dois dias de permanência na UTI neonatal e a alta hospitalar é mais precoce, pois as crianças ganham peso mais rápido e ficam mais resistentes”, destacou o ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta.

Reconhecimento

As iniciativas do Brasil para redução da mortalidade infantil foram reconhecidas internacionalmente. No último dia 9 de fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) conferiu o Prêmio Dr. Lee Jong-wook de Saúde Pública ao pesquisador brasileiro João Aprígio de Almeida pelo trabalho à frente da Rede Brasileira de Banco de Leite Humano. Trata-se de um dos mais importantes prêmios da área da saúde. 

“O Brasil tem um trabalho inovador e estamos empenhados em ampliar essa rede dentro e fora do país. É uma satisfação contribuir para a redução da mortalidade infantil”, afirmou Aprígio.

Doações

São cerca de 160 mil litros de leite humano distribuídos todos os anos a recém-nascidos de baixo peso. E você pode fazer parte disso! Doar leite materno humano é um gesto que salva vidas. Estimativas do Ministério da Saúde apontam que um frasco de 200 mililitros de leite materno pode alimentar até 10 recém-nascidos.

Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite materno, basta estar saudável e não estar tomando nenhum medicamento que interfira na amamentação. Quem quiser doar, pode procurar o banco de leite humano mais próximo ou ligar para o Disque Saúde, pelo número de telefone 136.

Preparação do recipiente

As doações podem ser feitas em casa ou nos Bancos de Leite ou postos de coleta da sua cidade. Os Bancos oferecem frascos já esterilizados, mas as mulheres podem utilizar utensílios domésticos para preparar um recipiente de doação por conta própria. Para isso, é necessário seguir os seguintes passos:

  • Buscar orientação do Banco de Leite ou Unidade de Saúde mais próximos;
  • Separar um recipiente de vidro com tampa de plástico;
  • Tanto o frasco quanto a tampa precisam ser fervidos por 15 minutos;
  • Para secar, deixe-os de cabeça para baixo em cima de um pano limpo em uma bancada.
Higienização

Antes de coletar o leite para a doação, a lactante precisa tomar alguns cuidados. O primeiro deles é cobrir os cabelos e a boca. É possível fazer uso de touca e máscara ou de algum lenço ou fralda de pano. Atenção! Esse é um passo extremamente importante. Isso porque o leite doado será descartado se houver algum fio de cabelo.

O segundo passo é lavar as mãos e braços, até a altura do cotovelo, com água e sabão. E, em seguida, higienizar a mama apenas com água. Não é necessário esfregá-la com bucha e nem usar sabonete. E, antes de começar a retirada do leite, tanto a mama quanto as mãos e braços devem estar bem secos. Por fim, para realizar esse processo, escolha um local tranquilo e confortável.

Controle e qualidade

As doações feitas nos postos de coleta são encaminhadas aos Bancos de Leite. Nesses locais, os leites são selecionados, classificados (doados no pós-parto imediato, leite de transição ou leite maduro) e pasteurizados. O procedimento elimina todas as impurezas e bactérias e deixam o leite seguro para ser aproveitado.

Brics

No ano passado, durante a Cúpula do Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Ministério da Saúde apresentou o trabalho realizado rBLH, e os países participantes decidiram seguir o mesmo modelo para a coleta e distribuição de leite materno. Juntas, as cinco nações concentram 42% da população mundial.

Com informações do Ministério da SaúdeFiocruzOMS/WHO, e rBLH
Print Friendly, PDF & Email
[], [], [], []

Facebook Comments

Comments are closed.