José Mojica Marins, o idealizador do estilo cult de terror brasileiro com seu principal personagem Zé do Caixão, morreu ontem aos 83 anos de broncopneumonia.

Em 1963, estampava-se nos cinemas brasileiros um filme que acabaria por virar um ícone do cinema nacional – A Meia Noite Levarei sua Alma, tendo uma sequência em 1964 – Esta noite encarnarei no teu cadáver. José Mojica Marins acabava por trazer para as telas do cinema brasileiro um estilo de direção e de filme completamente diferente do que existia em nosso cinema: O Terror Escatológico.

Era a história de Josefel Zatanas, filho de uma família que controlava uma grande rede de funerárias. Na Segunda Guerra Josefel havia se alistado na Força Expedicionária Brasileira (FEB) como pracinha e deixa no Brasil sua noiva. Porém ao retornar da guerra encontra-a casada com o prefeito da cidade o que acaba por mexer com a sua cabeça transformando-o no homem amargo e sem sentimentos. Pelo fato da ligação com as funerárias, como uma gente sem escrúpulos e sentimentos, surgia então o Zé do Caixão, um homem que Não crê em Deus nem no Diabo, se acha superior aos outros e quer encontrar a mulher ideal para conceber o filho perfeito para manter sua linhagem.

Em 1969 tentou fazer o terceiro filme da sua principal obra e trilogia, mas não foi permitido pela censura do governo militar da época por acharem forte demais o tema do filme para as telas.

Somente em 2008 com ajuda de amigos, conseguindo levantar um montante de mais de um milhão de reais, formalizando seu mais caro filme, o terceiro e derradeiro filme da trilogia iniciada em 1963, – A Encarnação do Demônio.

Foi um Artista único mundo a fora e aqui também, nascido em São Paulo, em 13 de março de 1936, numa sexta feira, Filho de espanhóis artistas de circo, aos 12 anos ganhou sua primeira câmera e aos 17, fundou a Companhia Cinematográfica Atlas onde Recrutava atores que testava com insetos e outros bichos, descobrindo assim sua vocação para o terror escatológico. Porém, também acabou fazendo filmes de Aventura, faroeste, drama entre outras coisas. Mojica fez de tudo um pouco, mas foi no terror que centrou sua maior inspiração no cinema.

Em 1963, por meio de um pesadelo onde uma figura de negro lhe puxava para dentro de uma sepultura, acabava por descobrir aquele que seria sua maior criação. Criou então o personagem Zé do Caixão, lhe dando esse nome baseado, segundo dizia, “na lenda de um ser que viveu há milhões de anos na Terra e que se transformou em luz, voltando, como luz, muito tempo depois, ao planeta de origem”.

Suas unhas grandes, sua roupa sempre preta e cartola formavam a figura escatológica de Zé do Caixão. Mojica deixa nosso cinema órfão desse seu estilo de filme que foi marcante em sua carreira de mais de 60 anos, dezenas de filmes e um personagem que a morte persegue, mas nunca consegue levar: o eterno Zé do Caixão.

Que a morte seja bondosa com você Zé do Caixão.

Descanse em paz grande José Mojica Marins

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