Dando continuidade a série: “50 máquinas que mudaram o rumo da história”. Vamos falar sobre Gramafone de Berliner.

Embora o fonógrafo de cilindros anteceda em uma década o gramofone e a gravação em discos, foi este último que venceu a primeira guerra de formatos da indústria fonográfica. Hoje, o cilindro fonográfico é uma curiosidade histórica, enquanto o disco de vinil representa o ápice da reprodução sonora.

A guerra de formatos do século XIX

Por utilizar um disco para gravar os sons que seriam produzidos, o gramofone superou seus concorrentes.

Os primórdios da indústria fonográfica, foi marcada por uma batalha de formatos, assim como ocorreu no século XX, a batalha entre o LP de vinil e o CD, no século XIX, a batalha foi entre o cilindro fonográfico e o disco de gramofone.

O disco de gramofone convencional foi inventado por Emile Berliner (1851 – 1929) em 1888 e comercializado pela primeira vez um ano depois.

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O fonógrafo foi inventado por Thomas Edison (1847-1931) em 1877 e foi o primeiro a patentear e o apresentá-lo ao mercado.  

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A duração da gravação nos cilindros do fonógrafo era muito limitada, ao ponto de Edison comparar sua máquina a uma de ditar, de escritórios.

Em termos de gravação e reprodução de som, o disco não era superior ao cilindro. O cilindro tinha a vantagem da velocidade linear constante, enquanto nos discos a velocidade era reduzida à medida que a agulha se aproximava do centro. E o fonógrafo de Edison era muito superior aos primeiros gramofones de Berliner. O fonógrafo não só contava com uma reprodução sonora superior, como também gravava sons, graças a um dispositivo especial que raspava a superfície de cera do cilindro para que ele pudesse ser reutilizado. O disco, no entanto, era muito mais fácil e barato de produzir em massa por prensagem, além de ter a vantagem de ocupar muito menos espaço para armazenagem e envio. Os primeiros discos de Berliner tinham 12,7 cm e 17,5 cm de diâmetro, com música apenas de um lado, mas estes foram substituídos no começo do século XX pelo que se tornaria o disco-padrão, de dois lados de 25,4 cm e 78 rpm.

Fim da guerra

Dez anos após o fonógrafo de Edison, Emile Berliner patenteou o Gramofone, que no início também usava um cilindro. Berliner, em seguida a produziu sua primeira gravação em disco. O fim da guerra por formatos é marcada em 1929 quando Edison reconheceu a vitória do disco.

Curiosidades

Edison teve a tinha a ideia de gravar mensagens telefônicas, motivo pelo qual o levou a inventar o fonógrafo. Mas como a tecnologia da época não era tão avançada, sua ideia foi concretizada apenas no século XX. Berliner também demonstrou interesse pelo telefone.

O termo Gramophone é derivado do nome da fábrica que produzia o aparelho, a Gramophone Company, fundada em 1897 por Emile Berliner. Líder no mercado, a Gramophone Company foi a principal responsável pela comercialização de discos em diversos países, tendo representação por toda Europa, China, Índia, Japão e na Austrália já no começo da década de 1900. Anos depois, em 1931, a companhia foi associada à Columbia  Phonograph, tornando-se a conhecida EMI (Elec­tric & Music Industries), uma das maiores empresas fonográficas até hoje.

O apelido em inglês do Gramofone, Grammy, é a origem do nome do prêmio musical Grammy Awards, um dos mais importantes da indústria fonográfica. O próprio troféu é uma pequena réplica do toca-discos.

A palavra vitrola, comumente utilizada para designar toca-discos, também é derivada do nome da marca.

A HISTÓRIA DO GRAMOFONE E TOCADORES DE MÚSICA ANTIGOS
Imagem em destaque: Wikimedia Commons
Referências Bibliográficas
CHALINA, Eric. 50 Máquinas que mudaram o Rumo da História. Tradução de Fabiano Morais. Rio de Janeiro. Sextante. 2014.  
GRAMOFONE, 2009.Acesso em 16 de fev. de 2020.
GRAMOFONE, 2003. Acesso em 16 de fev. de 2020.
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