Provavelmente não tem algo que sofreu mais com os reflexões da globalização do que o futebol. Jogos de variados países podem ser assistidos de lugares remotos por causa da internet, tão logo acaba uma partida, a repercussão da mesma é imediata. Isso não só reflete no fã do esporte, mas também gera visibilidade para os atletas. E com isso, o Brasil como celeiro de jogadores passou a exportar jovens para nações até pouco tempo sem tradição, além dos velhos centros do futebol como a Europa.

Mas a questão não é os jogadores em si, até porque em um país de proporções continentais é fácil o surgimento de grandes talentos, e como dito acima, os melhores vão embora por causa do alto investimento e dinheiro dos grandes clubes estrangeiros. Os brasileiros sempre foram reconhecidos pelo talento, já os europeus, pelo vigor físico e disciplina tática, mas isso mudou, pelo menos para eles. Com o grande número de brasileiros no velho continente, eles passaram a aliar o talento, disciplina e organização que o jogo exige.

O nosso futebol passou muito tempo vivendo de “lampejos” dos craques, deixando os treinamentos de lado, por isso até hoje, ainda, o jogador brasileiro é visto como preguiçoso lá fora. Aliando isso aos títulos que o nosso futebol conquistou, principalmente em nível de seleção brasileira, estagnamos no tempo. Depois do penta em 2002, o nosso futebol nada fez em inovação, diferente da Espanha que revolucionou com o seu famoso toque de bola começando com Guardiola no Barcelona e chegando na seleção que culminou com o titulo mundial na África do Sul em 2010, e também não muito longe, a Alemanha em 2014 e em nossa casa, nos humilhando nas semifinais. Esta que demonstrou uma obediência tática nunca vista antes, e por último na Copa da Rússia, a seleção da França abusou do jogo físico e da velocidade alucinante e de seu contra-ataque fatal.

Desde 2002, o Brasil não elimina uma seleção europeia em Copas do Mundo, e o segredo deles? É fazer o que nós fazíamos antes: prezar pelo bom jogo, aliando a parte física com estratégias de jogo consistente.

O fatídico 7 x 1 parecia um ponto de convergência, ali tivemos uma oportunidade de analisar e ver o que estava sendo feito errado e consertar para o futuro, mas a nossa soberba com a história vitoriosa da camisa amarelinha, por ainda ser o maior vencedor de Copas do Mundo, nos cegam os olhos e nos fazem menosprezar a realidade. Com o futebol cada vez mais mudando, os técnicos chegando com novas estratégias e táticas inovadoras, nos faz perceber que não somos mais os melhores do mundo, e isso já faz tempo. Essa grande soberba se escancarou durante 2019 com o brilhante trabalho do português Jorge Jesus no Flamengo.

Os técnicos do Brasil ao invés de pararem e observarem, aprenderem o que dá certo lá fora, sendo posto em pratica aqui, preferem arranjar desculpas. Mas enquanto nossos treinadores tupiniquins perdem tempo desdenhando, os resultados e a enxurrada de estrangeiros na beira do campo esse ano no Brasil, com isso cada vez mais os clubes vem mostrando sinais de descontentamento com o futebol pragmático que está sendo praticado aqui, e querem no mínimo se aproximar das grandes equipes europeias, sempre inovando nos seus métodos para tentar mudar essa realidade, mesmo com nossos melhores jogadores lá. Não podemos esquecer que nós podemos fazer melhor do que é feito aqui hoje, basta a gente ser mais humilde e aprender também.

Foto: Reprodução/TV Bandeirantes

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