Os vírus que ainda assolam a China e o sudeste asiático há 23 anos.

O vírus Influenza Tipo A recebe nome de glicoproteínas existentes na superfície dele, chamadas Hemaglutininas (HA ou H). Elas são subdivididas em grupos que vão de 1 a 16 (sendo o 5 e o 7 letais em aves), e também por subgrupos de enzimas chamadas Neuraminidases (N), que variam entre 1 a 9, ou seja, N1 a N9. [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

Cada vírus recebe um nome semelhante a um código da relação entre as Hemaglutininas (H) e Neuraminidases (N), ou seja, o subtipo de cada uma delas, por exemplo, a gripe aviária (Influenza Tipo A) é H5N1. [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

Todos os grupos, variantes entre H1 e H15 assim como N1 a N9, foram encontrados em aves de voo livre. Os tipos H1, H2 e H3 infectam humanos há 100 anos e a vulnerabilidade pandêmica ao H5N1 é universal. As mutações acumuladas sem alteração antigênica não modificantes podem causar surtos do Influenza Tipo A em pessoas e animais. [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

O H5N1 é da família Orthomyxoviridae. Ela possui 3 subtipos: A, B ou C e infecta humanos, porcos, aves e mamíferos marinhos. O Tipo B age somente em humanos e causar epidemias mais que o Tipo A. O Tipo C afeta pessoas e suínos e o primeiro caso registrado foi em 1878 na Itália. [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

Observa-se bem que um subtipo do H5N1, o HPAIV ( em inglês HPAIV – High Pathogenicity Avian Influenza), espalhou-se entre animais mamíferos como uma infecção fatal extrarrespiratória, assim surgindo outros grupos derivados da Influenza Tipo A como vírus variantes (LPAIV) entre aves e mamíferos. [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

Em equinos, os vírus H7N7 e H3N8 causam laringite, bronquite, miocardite, baixa mortalidade, alta morbidade e infecção bacteriana sequencial no trato respiratório. [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

Em suínos, ele causa pneumonia, baixa mortalidade (ainda), alta morbidade, infecção bacteriana também, dessa forma, casos foram relatados de vírus H4, H5 e H9 nos anos de 1977, 1982 e 1998; ainda que o primeiro relato no mundo tenha sido em 1930. O  Influenza Tipo A foi pela primeira vez isolado de marrecos em 1975. [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

Por conseguinte há diversos registros de infecção tanto em animais silvestres quanto de ambiente rural. Este último fato é uma via explicativa da origem imediata dos grupos virais de origem animal ser transmitido via aérea ou por ingestão de carne a humanos. [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

Em 1997, Hong Kong, o Influenza Tipo A e seu variante H7 se espalharam pela Ásia – especialmente na China Comunista e regiões circunvizinhas – através de granjas e mercados populares. Em 48 horas da última mutação viral no primeiro surto daquele ano, quase todas as aves foram mortas. 

Além disso, outro relato foi em humanos, de 18 pessoas infectadas, 6 morreram, isso é equivalente a um terço. [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

Outro caso assustador das doenças virais do tipo A foi na cidade de Hanoi, no Vietnã, onde 11 crianças foram hospitalizadas, sendo 7 mortas e 2 em condição grave.  Após isso, várias pesquisas foram aceleradas na área de virologias humana e de animais para combater uma possível pandemia emergencial.   [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

Em 2003 na mesma cidade, houve novo surto de H5N1 matando várias aves (1,5 milhão), sendo que de duas pessoas ficaram infectadas, uma morreu no pós-viagem à China Continental. Raramente uma gripe de aves infecta humanos. [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

Todavia, H5N1 é passível de transmissão entre aves e humanos, ela causa moléstia severa com alta mortalidade (60%) e ainda possui alto potencial de pandemia no mundo. [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

Por isso, ela é considerada o pior surto desde 1968, onde a epidemia se instalou através de genes comuns permutados entre aves e humanos, porque o vírus é altamente instável e com altas taxas de erros mutacionais. [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

E aparentemente o vírus ficou “encubado” por 5 anos, sabe-se lá onde ou o porquê, em 2008, um novo surto surgiu afetando 387 pessoas e destas 245 morreram, confirmando 63,30% aproximadamente de percentagem da virulência (mortalidade). [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

Neste caso, a maioria eram jovens com mais ou menos 18 anos, a maioria dos infectados tinham idade abaixo de 40 anos e a taxa de mortalidade supracitada afetou jovens entre 10 e 18 anos e ainda adultos acima dos 50 anos.     [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

Porém isso não para por aí, na China Comunista, em 2016 (13 anos depois!), novos surtos surgiram de Influenza Tipo A em diversas províncias: H5N6, H7N9 e H10N8. Todos em animais silvestres da região. O que corrobora para um maior monitoramento veterinário, agronômico, ecológico e sanitário no intuito de evitar uma nova epidemia. [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

Já que bandos de aves migratórias já possuíam os subtipos H5 de vírus AIV no interior daquele país. A maior preocupação atual é a omissão de casos devido à impossibilidade de registro, ou até feito de forma errada, e a possibilidade de haver transmissões de pessoa a pessoa que devem ser melhor reportadas. Na próxima publicação, falarei sobre a Síndrome Aguda Grave (SARS-Cov). [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

[1] Andrade CR, Ibiapina CC, Champs NS, Toledo Junior ACC, Picinin IFM. 2009. Avian influenza: the threat of the 21st century. J Bras Pneumol. 2009;35(5):470-479.

[2] Lei Gong, Jun He, Bin Su, Dongdong Song, Jin Zhang, Sai Hou, Hui Wang, Zhicai Xia, Jiabing Wu1. 2017. Clinical, epidemiological and virological characteristics of the first detected human infection with avian influenza A (H5N6) virus in Anhui Province, China. ISSN:1940-5901/IJCEM0056775.

[3] PAIVA LJM, OLIVEIRA LR, AIRES WO, PEREIRA REP. 2009. INFLUENZA AVIÁRIA. REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353. Ano VII – Número 12 – Janeiro de 2009 – Periódicos Semestral.

[4] Nefti-Eboni Bempong, Rafael Ruiz De Castañeda, Damien Dietrich  Isabelle Bolon, Antoine Flahault. 2018. Taking flight with Precision Global Health: a scoping review on avian influenza. Journal of Public Health and Emergency. All rights reserved.

[5] Reperant LA, Rimmelzwaan GF, Kuiken T. 2009. Avian influenza viruses in mammals. Rev. sci. tech. Off. int. Epiz., 2009, 28 (1), 137-159.

[6]  Y. Guan, J. S. M. Peiris, A. S. Lipatov, T. M. Ellis, K. C. Dyrting, S. Krauss, L. J. Zhang, R. G. Webster, and K. F. Shortridge. 2002. Emergence of multiple genotypes of H5N1 avian influenza viruses in Hong Kong SAR. Acessado em < http://www.pnas.orgcgidoi10.1073pnas.132268999&gt;

[7] World Health Organization. 2005. Avian influenza: assessing the pandemic threat.

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