Governo de São Paulo induz médicos a fraudes nos atestados de óbito

Jornalistas e veículos incompetentes e manipulados pelo poder público engolem os números falsos divulgados pela Secretaria da Saúde. Uma portaria publicada no dia 21 de março orienta médicos a colocar coronavírus como causa mortis das vítimas com os mesmos sintomas a partir de depoimentos dos familiares. Não, você não está lendo errado.

Todos os números que surgem de mortes pelo vírus chinês no estado de São Paulo são provavelmente mentirosos e a prova está aqui, na portaria que o Secretário de Saúde, dr. José Henrique Germann Ferreira soltou no Diário Oficial. A íntegra deste documento você pode ler ao final desta matéria, mas o destaque abaixo merece uma leitura apurada, pois revela exatamente como estão feitos os diagnósticos e as autópsias pelo governo do estado de São Paulo:

Aspectos operacionais – Autópsia Verbal – O procedimento de autópsia verbal já validado no Brasil consta de um questionário. Ela pode ser aplicada com um familiar próximo. As informações coletadas alimentam um bando de dados e são então encaminhadas a um médico que com base nas informações do questionário, além de outras informações clínicas disponíveis e no caso da epidemia atual, o resultado do exame para COVID19 definirá a causa de óbito mais provável. No contexto da atual pandemia a autópsia verbal poderá ser aplicada tanto nos serviços de saúde como aos pacientes que vieram a óbito em outros locais (domicílio, vias públicas, etc). Ela será, desta forma, um elemento importante da autópsia indireta, para refinamento ou determinação da causa de óbito dos pacientes classificados como SUSPEITOS segundo esta normativa e que tiveram Declaração de Óbito com quadro inespecífico (sindrômico) ou como causa a esclarecer

Vamos fazer a leitura vertical deste trecho, já que nenhum jornalista se deu ao trabalho de perguntar, nas diárias entrevistas coletivas do governador de São Paulo João Dória, como estavam sendo feitas as autópsias e diagnósticos para serem divulgados os “números” e as “estatísticas” da Carochinha. Esse parágrafo, que vem antecedido por um longo e enfadonho procedimento de como manejar os corpos para evitar contaminação, inicia justificando a autópsia verbal como protocolo de rotina, como se não estivéssemos em uma situação anômala, como se fazer autópsia a partir de depoimentos de familiares fosse um método tão científico e confiável como a verificação in loco. Começa mal.

Depois, o documento anuncia que a autópsia (“ela”) será feita por meio de um questionário, e nem vamos mencionar aqui as perguntas que constam na tal sabatina, que qualquer cidadão pode conferir, já que é documento público, mas é constrangedor saber que neste momento de pânico geral e de dor individual pela perda de um parente próximo, uma pessoa não coloque a responsabilidade da morte e mesmo não relate os mesmos sintomas que vêm sido amplamente divulgados pela mídia e que não diferenciam, por exemplo, Coronavírus de Sars, de H1N1 ou de Dengue. Essa má-fé ou ignorância em todos os níveis comprometem todos os dados.

Adicionalmente, o tal procedimento de autópsia verbal se aplica a vítimas que morrem em casa, na rua, no trabalho, e sabe-se lá quem será ouvido, por exemplo, no caso de moradores de rua. Provavelmente um vizinho de calçada.

A falta de credibilidade é ainda mais patente quando, a seguir, a portaria determina que os dados constantes do questionário serão enviados a outros médicos e técnicos, e que qualquer caso suspeito deve ser registrado como COVID 19 como causa mortis. Xeque-mate. No último período, o secretário é bem claro: autópsia fake vai ser muito útil para confirmar o que eles não diagnosticaram, ou não quiseram diagnosticar por não realizarem autópsias sérias e de acordo com protocolos internacionais, e mesmo com a ética médica.

Isolamento horizontal sem leitura vertical – O mais revoltante para mim e outros profissionais de comunicação sérios é ver como a grande mídia tem se comportado como assessora de imprensa dos canais oficiais do governo dos estados, e o pior caso é o do estado de São Paulo. Sem avaliar documentos e protocolos, sem ler diários oficiais, sem conversar com a população – se muitos desses jornalistas nem tiravam o traseiro da cadeira na frente do computador, só recebendo os releases e os tapinhas nas costas de órgãos governamentais, não seria agora, que estamos confinados horizontalmente, que iriam cair de braços abertos na reportagem – são divulgados números no mínimo suspeitos, quando não abertamente mentirosos.

O papel do infeliz governador João Dória tem sido promover-se politicamente à custa do medo da população e sem medida nem vergonha, ou consciência de mascarar dados, atacar pessoas e ameaçar até a população mais frágil e carente. Eu entendo o mau-caráter e a má-fé em busca de exposição e altos cargos. Entendo sua inveja, que guarda, como toda a inveja, muito de admiração pelo presidente Bolsonaro, a ponto de compor um nome de campanha vitoriosa, “Bolsodória”, em um momento que recolhia as migalhas da popularidade do atual presidente. Ele faz o seu teatro, homem de comunicação que sempre foi, para o mal. Só não entendo por que a imprensa tem aceitado como vaquinha de presépio as presepadas desse senhor. O tempo é senhor da História, e aos poucos os crápulas do jornalismo vão se revelando. Só uma recomendação: ao ouvirem os números estrambólicos, mudem de canal, vejam um canal com receitas culinárias ou viagens, porque depois dessa portaria, é possível até duvidar que haja uma única morte por coronavírus!

Normas de manejo e atestados de óbitos coronavírus

Caso a web do governo de São Paulo tenha eliminado o documento clique aqui.

Orientações para emissão de Declaração de Óbito frente a pandemia de COVID-19

Orientações para o Procedimento Emissão de Declaração de Óbitos frente a Pandemia do COVID-19, no Estado de São Paulo

Considerando que:

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo orienta:

1 – Casos confirmados de COVID-19 deverão ter a Declaração de Óbito (DO) preenchida como bem-definido seguindo as Orientações de Preenchimento da DO Anexo 1.

2 – Casos de síndrome respiratória aguda grave sem diagnóstico etiológico e casos suspeitos de COVID-19 com investigação em andamento devem colher swab nasal / orofaríngeo post-mortem (até 24 horas após o óbito), caso não tenha material colhido em vida – Anexo 2 e preencher a Declaração de Óbito como “As informações coletadas do quadro sindrômico na Autopsia Verbal e Aguarda exames”.

3 – Demais casos – Deve ter a Declaração de Óbito preenchida pelo médico que assistiu o paciente ou que constatou o óbito, preencher como:

A- Se as informações disponíveis no prontuário e as informações fornecidas por familiares, possibilitarem a identificação da causa de óbito (ainda que quadro sindrômico) o médico deverá preencher a DO com estas informações.

B- Em situações que as informações do item A não permitirem, minimamente, a definição de uma causa, aplica-se o Questionário de Autópsia Verbal e, a DO deve ser preenchida como “As informações coletadas do quadro sindrômico na Autopsia Verbal e Aguarda exames” – aplicada autópsia verbal”.

Questionário de Autópsia Verbal – Anexo 3. Disponível em: www.ccd.saude.sp.gov.br, que deverá ser impresso e preenchido manualmente. Caso a web do governo de São Paulo tenha eliminado o documento clique aqui.

Os casos não devem ser encaminhados para autópsia nos SVOs durante o período de Pandemia de COVID-19.

O manejo do corpo de ser feito seguindo a resolução SS 28 de 25/02/2013 que “Aprova Norma Técnica que disciplina os serviços de necrotério, serviço de necropsia, serviço de somatoconservação de cadáveres, velório, cemitério e as atividades de exumação, cremação e transladação, e dá outras providências.” – Anexo 4, incluindo:

São Paulo, 20 de Março de 2020.

Dispolibilisamos abaixo a Resolução SS-32 de 20/03/2020; Decreto nº 64.880, de 20/03/2020; Manual de Preenchimento da Declaração de Óbibo/MS  (DO/MS) e Apresentação da Web Conferência “Pandemia COVID – 19 – Procedimentos frente ao “Obito no estado de São Paulo”, em 26/03/2020.

PDF oficial do governo de São Paulo depositado em nossos arquivos

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