Esportes

Campeões da década: a campanha do Santos rumo ao tri da Libertadores

Após 48 anos de espera, Neymar e elenco de 2011 recolocaram o Santos no topo da América

O futebol brasileiro e outros importantes campeonatos do mundo estão parados por conta da pandemia do Covid-19. Para ajudar a passar o tempo nesse período de luta contra o vírus, destacamos os títulos internacionais dos clubes brasileiros na última década para tentar diminuir a saudade do esporte mais popular do país.

Hoje, a história vai mexer com o coração santista. Chegou a hora de relembrar a trajetória do Santos na Libertadores de 2011. Uma campanha que começou com uma quase eliminação na fase de grupos e que terminou com o tricampeonato do torneio. Além de conquistar o topo da América, o título colocou o Peixe na briga pela Recopa do ano seguinte. E o final foi o mesmo: vitória contra a Universidad de Chile e mais uma taça para a sala de troféus do Alvinegro. 

E depois de recordar a façanha santista, não se esqueça de conferir todos os passos para continuar na luta contra o coronavírus.

Início conturbado e volta por cima

O início da caminhada não foi nada fácil. Empates contra Deportivo Táchira-VEN e Cerro Porteño-PAR, e uma derrota diante do Colo-Colo-CHI colocaram em risco a classificação alvinegra. Na quarta rodada, novamente contra os chilenos, um duelo de altos e baixos, com direito a expulsões, cinco gols e uma pintura de Neymar, que aos 19 anos já encantava o mundo com a bola nos pés. Ao apito final, Vila Belmiro em festa e, enfim, o Santos conquistava a primeira vitória: 3 a 2.

O triunfo foi importante, mas estava longe de ser suficiente. No confronto seguinte, diante do Cerro Porteño, Muricy Ramalho estreava na competição no comando do Peixe. Mas não era uma estreia qualquer. O jogo era de vida ou morte, fora de casa e a equipe titular teria três desfalques: Neymar, Elano e Zé Eduardo. Tudo isso no dia do aniversário do clube. Problemas só no papel. Com grande atuação de Paulo Henrique Ganso e gols de Danilo e Maikon Leite, o Alvinegro venceu por 2 a 1. No último jogo da fase de grupos, veio a terceira vitória consecutiva: 3 a 1 contra o Deportivo Táchira e vaga assegurada para as oitavas de final. 

Sequência invicta no mata-mata e a taça cada vez mais perto

O começo do mata-mata foi bem diferente. Na partida de ida das oitavas de final, Ganso brilhou mais uma vez e garantiu o triunfo por 1 a 0 diante do América-MEX. No segundo jogo, em Queretaro, Rafael foi quem teve noite inspirada. O goleiro foi decisivo debaixo das traves, segurou o 0 a 0 e manteve o Santos vivo na briga pela taça. 

Pelas quartas, o duelo contra o Once Caldas-COL teve Neymar como o personagem principal. No jogo de ida, o camisa 11 orquestrou o time e deu passe para o gol de Alan Patrick. Na volta, o atacante deixou o dele, aos 11, mas viu a equipe colombiana empatar a partida ainda no primeiro tempo. Foi aí que a tensão tomou conta do Pacaembu. Enquanto o Alvinegro desperdiçava as oportunidades, os visitantes rezavam por uma chance, que não veio, para o alívio do torcedor. 

Na semifinal, o Santos reencontrou o Cerro Porteño. O torcedor lotou mais uma vez o Pacaembu e em troca viu mais um show de Neymar. Foi dele também o cruzamento na medida para o gol de Edu Dracena: 1 a 0. No segundo jogo, três gols para cada lado e muita emoção até os últimos segundos. Mas o empate servia. A final já era realidade e o título já não estava mais tão distante.

Após 48 anos, Santos volta a reconquistar a América

Enfim, a grande final. Em Montevidéu, no Uruguai, o início da decisão diante do Peñarol não teve brilho nem gols. E o empate no jogo de ida deu contornos ainda mais dramáticos ao segundo confronto. Era tudo ou nada. O primeiro tempo no Pacaembu também terminou sem bola na rede. Até que o craque apareceu. Depois de ótima jogada entre Arouca e Ganso, Neymar finalizou certeiro: 1 a 0.

O segundo do Peixe veio pelos pés do vice-artilheiro da equipe no torneio: Danilo saiu em velocidade, deixou a marcação para trás e bateu colocado para fazer 2 a 0. Os uruguaios ainda diminuíram a vantagem alvinegra. Mas era só um susto passageiro, que sumiu em meio aos gritos de campeão que se multiplicavam nas arquibancadas. Entre os torcedores, ninguém menos que o Rei. O tri veio 48 anos depois. Antes disso, só o Santos de Pelé tinha conquistado a América, em 1962 e 1963.  

Relembre a trajetória do título jogo a jogo:

Primeira Fase:
Deportivo Táchira-VEN 0 x 0 Santos
Santos 1 x 1 Cerro Porteño-PAR
Colo-Colo-CHI 3 x 2 Santos
Santos 3 x 2 Colo-Colo-CHI
Cerro Porteño-PAR 1 x 2 Santos
Santos 3 x 1 Deportivo Táchira-VEN

Oitavas de final:
Santos 1 x 0 América-MEX
América-MEX 0 x 0 Santos

Quartas de final:
Once Caldas-COL 0 x 1 Santos
Santos 1 x 1 Once Caldas-COL

Semifinal:
Santos 1 x 0 Cerro Porteño-PAR
Cerro Porteño-PAR 3 x 3 Santos

Final:
Peñarol-URU 0 x 0 Santos
Santos 2 x 1 Peñarol-URU

Foto: Ricardo Saibun/Santos
Fonte: CBF
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Wesley Lima

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.
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