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Um Grito para As Cruzadas!

Em 31 de março de 1146, a exatos 874 anos atrás, Bernardo de Claraval, o santo católico, patrono e entusiasta da Ordem do Templo, reformador do sistema monástico denominado Cisterciense, proclamava um acalorado sermão em Vézelay, considerando a necessidade dos cristãos unirem esforços para promoverem a Segunda Cruzada contra a crescente ameaça muçulmana que assolava a Terra Santa e já era dominava a costa mediterrânea com grande força na península Ibérica. Dentre os ouvintes estava ninguém menos que o rei francês Luís VII, que movido por sua fé fervorosa abraçou a cruz da Segunda Cruzada.

A Primeira Cruzada havia produzido para os cristãos resultados frutíferos como a tomada da Cidade Santa de Jerusalém, e a instituição do Reino de Jerusalém e um Estado Cruzado no oriente, bem como bons resultados na reconquista cristã da península ibérica, mas havia um risco eminente se alastrando, o Condado de Edessa fora tomado pelos muçulmanos, e todo o reino cristão na terra santa era ameaçado. E por isso o clamor de Bernardo Claraval era pela retomada do território perdido e da expansão do Estado Cruzado a todos os cantos do mundo em justo contraponto ao avanço islâmico que já começavam a retomar os territórios conquistados na cruzada anterior.

No contexto atual as cruzadas são vistas pelos pseudo intelectuais como uma barbárie em desfavor dos muçulmanos e um “obá obá” por parte dos nobres europeus em busca de terras e riquezas no oriente médio. Mas este discurso polarizado de que os islâmicos foram vítimas de europeus malvados, não passa de um discurso de esquerda pronto, que visa ridicularizar e escandalizar quando um conservador de direita posta em seu status nas redes sociais o lema das cruzadas “DEUS VULT”, estereotipando, taxando-o de fanático religioso extremista. Sem saber que se existimos hoje como sociedade ocidental, é porque esses “extremistas religiosos” do passado, ao promoverem as cruzadas, por mais que não tenham conseguido vencer a guerra de fato, impediram o avanço muçulmano que já dominava a ibéria, e a Europa Oriental, com uma filosofia de intolerância, que prega uma conversão forçada ao islã, e morte aos infiéis cristãos ou judeus que se recusarem a conversão.

A esquerda adora pregar que o cristianismo, principalmente na era das cruzadas era intolerante, mas se o avanço islâmico houvesse calcado êxito no seu Levante, hoje não haveria discussão sobre questões homo afetivas, uma vez que o comportamento homossexual é severamente punido no islã, as mulheres, não poderiam pleitear e conquistar seus direitos como o voto e o tratamento igualitário no mercado de trabalho, e muito menos vestirem-se como bem entendem hoje em dia, principalmente as feministas que adoram além de vestir-se de forma esdrúxula também gostam de se despir publicamente para escandalizar, isso seria penalizado de forma muito severa, se os “fanáticos cristãos” não houvessem promovido as cruzadas, para impedir o avanço muçulmano, seria inconcebível qualquer discurso de minorias ou do politicamente correto, uma vez que além de serem extremamente rígidos os dogmas religiosos tem valor normativo naquela cultura, e ao contrário da nossa cultura, onde busca-se malabarismos formais ou semânticos para burlar as leis, lá elas são seguidas retamente.

É bem verdade que houveram barbáries também do lado ocidental da guerra, onde várias cidades foram pilhadas e mulheres e crianças brutalizadas, mas é necessário compreender o pensamento de quem viva naquela época, onde houve um grande temor apocalíptico na virada de milênio, se já houve muito burburinho a bem pouco tempo na virada do século XX para o XXI de gente achando que o mundo iria acabar, é possível imaginar que o temor de um fim dos tempos era muito maior na idade média. Ainda mais com a carta desesperada do rei de Constantinopla Aleixo, deixando a cisma oriental de lado para clamar pela ajuda da Igreja Ocidental, afirmando que o mundo cristão estava sendo ameaçado por uma horda cruel que estava praticando uma série de heresias contra os ícones da cristandade. O apelo levou ao início das cruzadas, que convocaram todos, desde a plebe a nobreza, para abraçarem as cruzadas, em resgate a fé cristã, e pelo fato de não existir na época uma cisão entre as leis seculares e as eclesiásticas, o conceito de crime e pecado eram análogos, e desta forma havendo a chance de anistiar-se os pecados até mesmo de terceiros que já havia morrido, através das indulgencias, o clamor pelo DEUS VULT tomou todo o mundo cristão que se uniu deixando de lado séculos de cisma, em prol da cristandade.

Por isso, se hoje nossos ouvidos são vilipendiados com os discurso ridículo de pseudo intelectuais de esquerda, que querem Havana para os outros, mas Nova York para eles, tudo graças aos bravos cruzados que a séculos atrás deram suas vidas para impedir o avanço muçulmano ao mundo ocidental, e se hoje esses pseudo intelectuais de shopping tem autonomia e liberdade para nos bombardear com todos os seus discursos prontos e desprovidos do mínimo de coerência, eles devem sua liberdade de expressão aos cruzados, e caso discordem, que façam suas malas e vão morar em um pais dominado pelo islã, para ver até onde vai seu “mimimi”.

Referência Bibliográfica:

– MORRISSON, Cécile. Cruzadas. L&PM Pocket. 2009.

– SMITH, Jonathan Riley. As Cruzadas: Uma história. Editora Ecclesiae. 2019.

– SPENCER, Robert. Manual Politicamente Incorreto do Islã e das Cruzadas. Editora Vide. 2018

– RUNCIMAN, Steven. História das Cruzadas: O Reino de Jerusalém e o Oriente Franco, 1100 – 1187. Imago Editora. 2002.

– KOSTICK, Conor. 1099: A Primeira Cruzada e a Dramática Conquista de Jerusalém. Editora Rosari. 2010.

– DA SALARA, Giovanni. Inverno Árabe: O Islã, as Cruzadas e o Fim dos Tempos. Editora Benedictus. 2020.

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Marcos Ferreira

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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