Dia do Serviço de Intendência – 12 de abril

Dia do Serviço de Intendência – 12 de abril

O Dia da Intendência é comemorado em 12 de abril, data que homenageia seu Patrono, o Marechal Carlos Machado de Bittencourt, nascido nesse dia, no ano de 1840. Desde jovem, Bittencourt já mostrava seu pendor para a carreira das armas. Assentou praça aos 17 anos e, por mérito, galgou todos os postos de uma nobre e exemplar carreira. Teve participação em grandes batalhas na Guerra da Tríplice Aliança, ocorrida entre 1865 e 1870, e considerada até hoje como a maior guerra na América Latina; mas foi em 1897 que Bittencourt entrou para sempre na história do Exército Brasileiro, quando, recém-empossado como Ministro da Guerra, teve que lidar com a Guerra de Canudos. Assim, após sucessivas derrotas das tropas enviadas para combater os insurretos, Bittencourt percebeu que o desempenho das forças legais estava sendo diretamente influenciado pela precariedade e ineficiência da logística e da cadeia de suprimento existentes na época. Foi somente depois que esse brilhante militar sistematizou e organizou o fluxo de suprimentos e o transporte de material e pessoal, que as tropas conseguiram, finalmente, vencer a guerra.

No dia 5 de novembro de 1897, externando coragem, bravura e altruísmo, o Marechal de Ouro, como ficou conhecido, deu sua vida para salvar o então Presidente da República Prudente de Morais, lançando-se na frente dele no momento em que sofreu uma tentativa de assassinato, sendo Bittencourt fatalmente ferido por uma arma branca. Em decorrência desse ato heroico, foi também instituído, no ano de 2018, como Patrono da Segurança Presidencial.

A história da Intendência no Brasil confunde-se com a própria história do país, pois, ainda de maneira não formalizada ou sistematizada, fazia-se presente, desde 1549, com a chegada do primeiro Governador-Geral do Brasil, Tomé de Sousa. Em 1811, D. João VI transformou o antigo Arsenal do Trem no Arsenal Real do Exército, atual Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, começando a dar mais atenção e a incrementar a incipiente estrutura logística existente. Em maio de 1821, durante a regência de D. Pedro I, criou-se o Quartel-Mestre General, que recebeu encargos referentes ao rancho da tropa, ao fardamento, ao equipamento, ao material de acampamento, ao arreamento e aos utensílios usados no Exército. Essa organização militar manteve-se até 24 de outubro de 1896, quando foi substituída pelo que é considerado o embrião da Diretoria Geral de Intendência do Exército: a Intendência Geral de Guerra, com encargos de direção, de gestão e de execução, tanto na área financeira quanto na área de provimento.

A Intendência Geral de Guerra funcionou até 1908, quando foi substituída pelo Departamento de Administração e Intendência de Guerra. Em dezembro de 1915, foi criado o Departamento de Intendência no Ministério da Guerra. Os seus órgãos técnicos eram a Diretoria de Administração e a Intendência da Guerra. A missão da Intendência da Guerra era garantir ao corpo de tropa, às fortalezas e aos estabelecimentos militares o fornecimento do material necessário à alimentação, ao vestuário, ao equipamento, ao alojamento, ao arreamento e ao transporte. Era o órgão operacional do Serviço de Intendência e organizava-se em quatro divisões e uma oficina de alfaiates.

Com a chegada da Missão Militar Francesa no Brasil, começou uma nova concepção com relação à organização da logística do nosso Exército. Em outubro de 1920, foi aprovado o Regulamento para o Serviço de Intendência da Guerra, considerado a Lei Orgânica do Serviço de Intendência, e essa data foi adotada como a da criação do Serviço, o que faz com que neste ano comemore-se o “Centenário do Serviço de Intendência do Exército”. Visando também à modernização da gestão de suprimentos, naquele mesmo ano, criou-se a Diretoria de Administração da Guerra, órgão subordinado à Secretaria da Guerra, que tinha a missão de gerir e administrar o provimento de material. A partir dessa reestruturação, notou-se uma melhora da qualidade dos materiais utilizados e também um incremento no nível de especialização de pessoal, fatores que contribuíram para elevar o patamar do Serviço de Intendência. Durante a Campanha da Força Expedicionária Brasileira (FEB) em solo europeu, a Intendência de Guerra fez-se representar por uma Companhia de Intendência e por um Pelotão de sepultamento da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária.

Com o passar do tempo, a ciência da guerra passou por inúmeras mudanças com os adventos da tecnologia, da mudança do campo de batalha para os centros urbanos e do aumento da velocidade da informação. Por imposição dessa evolução do combate e a fim de atender melhor às necessidades da tropa, a Intendência do Exército Brasileiro também se atualizou e segue aperfeiçoando-se por meio de diversos estudos doutrinários e experimentações, aumentando sua capacidade de apoio, desenvolvendo novas técnicas e conceitos e empregando materiais cada vez mais sofisticados. Sistemas de controle e de gestão de estoque mais precisos, viaturas especializadas e estruturas modulares para o transporte de todas as classes de suprimento, além do constante aperfeiçoamento de pessoal são a realidade do atual Serviço de Intendência. Nesse mesmo caminho, nota-se, por exemplo, tais inovações com o emprego de conceitos como modularidade, flexibilidade, logística na medida certa e gestão da cadeia de suprimento, entre outros.

A Intendência destina-se a manter as tropas aptas ao combate e a ditar sua permanência nele. Como destaca o seu lema, “sempre servir”, apoia os militares de todas as Armas, Quadros ou Serviços de maneira ímpar, sendo fundamental seu pleno emprego para influenciar, indiretamente, no resultado final da batalha, como o exemplo de Canudos.

Versátil em suas atividades, o Serviço de Intendência atua nas vertentes operacional e administrativa. Demonstra honestidade e competência profissional não só quando atua no apoio logístico às unidades de combate do nosso Exército, mas também quando emprega de maneira efetiva os recursos públicos nas áreas de contabilidade, gestão orçamentária e auditoria O desempenho das funções ligadas à logística de suprimento, de transporte e de recursos humanos, associado às funções no domínio das finanças públicas, mostra a importância do serviço de Intendência para o funcionamento da Força Terrestre, tanto na guerra como na paz.

No que diz respeito ao sistema logístico, o Comando Logístico (COLOG) é o órgão de direção setorial encarregado de prever e prover, no campo dos grupos funcionais, suprimento, manutenção e transporte, recursos e serviços necessários ao Exército. Já no que se refere à Administração Pública, a Secretaria de Economia e Finanças (SEF) é o órgão de direção setorial que tem como missão precípua superintender e realizar o planejamento, o acompanhamento e a execução orçamentária, além da administração financeira e da contabilidade, relativas aos recursos de qualquer natureza alocados ao Comando do Exército Brasileiro. Ainda dentro das atribuições da Intendência, está o controle interno do Exército Brasileiro, exercido pelo Centro de Controle Interno do Exército.

As Forças Armadas, atualmente, estão entre as instituições com maior credibilidade perante a sociedade brasileira. Grande parte disso é o reflexo da competência profissional e da probidade com que gerem os recursos públicos, destacando-se no âmbito da Administração Pública como exemplos positivos de honestidade e excelência.

Os integrantes da “Rainha da Logística”, como é conhecida, carregam em suas golas a Folha de Acanto, símbolo do caráter e da perfeição moral dos que lidam com o dinheiro público, assim como da pureza e honestidade, valores que, aliados à competência profissional, são característicos e fundamentais aos intendentes.

Cabe, pois, aos intendentes do Exército Brasileiro, o culto aos valores e exemplos de seu Patrono, a busca incessante pelo aprimoramento técnico-profissional, o orgulho de pertencer a esse honrado e eficaz Serviço, a preservação da fé inabalável na nobreza de sua missão e a prontidão para atender sempre aos objetivos da Força e da Nação, contribuindo para o progresso e para o desenvolvimento nacional.

Fonte: Portal de Imprensa do Exército Brasileiro

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