As trabalhadoras pela vida também estão em Sergipe.

As trabalhadoras pela vida também estão em Sergipe.

Saiba a ecologia das abelhas, a importância delas para a humanidade e como elas têm sido ignoradas na empregabilidade de especialistas da apicultura.

As abelhas no geral surgiram há mais de 135 milhões de anos no Cretáceo em clado monofilético a partir do grupo de vespas carnívoras (esfecídeas ou Sphecidae) ao mesmo tempo que apareceram as angiospermas, quando as abelhas optaram aquela fonte herbívora de alimento basal. Elas dependem dos recursos florais (resinas, nidificação, aroma, processo de coorte, pólen e néctar). Enquanto que o néctar é fonte de açúcar, o pólen possui concentrações de gordura, sais minerais e proteína; sendo que todos os 2 são fundamentais para servir de fonte alimentar, construção das colônias e ninhos e ao fator reprodutivo.

A dispersão de sementes é favorecida pela entomofilia (Classe Insecta) de muitas espécies de abelhas, grupo principal de polinizadores, as quais são 20.400 espécies no mundo, estruturadas em distintas organizações sociais e são espécies chave na manutenção dos ecossistemas na Terra.  A fauna apícola é imprescindível à sobrevivência da humanidade, porque é responsável por 73% da produção agrícola e também pela segurança alimentar humana, a qual gera bilhões de dólares anuais na economia.

Esse papel agrícola e ecológico é um dos de serviço ecossistêmico tais como: regulação de pragas e doenças, provisão de produtos usados na colmeia (e reutilizados pelo ser humano), bioindicadores de qualidade ambiental, polinização, dispersão de sementes (juntas aos morcegos são os grandes dispersores mundiais). Portanto, é imprescindível expor a importância da fauna apícola através da Educação Ambiental às populações humanas relacionadas localmente.

Serviço ecossistêmico é uma ação de 1 elemento da natureza que beneficia seres humanos. Eles são padronizados em 4 categorias:

A) Suporte – sistemas naturais para produção primária líquida, proteção do solo, dispersão de sementes, polinização, ciclagem de nutrientes para as plantas.

B) Culturais – educacionais, recreativos, espirituais e estéticos.

C) Provisional – potência do ecossistema em fornecer bens e serviços, por exemplo, o mel e a polinização no caso das meliponas.

D) Reguladores – manutenção do equilíbrio dinâmico da Biosfera como o controle de pragas que os meliponíneos fazem.

A ação antrópica desregrada reduz a população desses animais à pequenos fragmentos ao nível de riscos na extinção de muitas espécies importantes. Tais fatos como queimadas, desmatamento, fragmentação de habitar, fungicida, herbicida, inseticida, extrativismo descontrolado, manejo inadequado e morte das plantas necessárias à sobrevivência deles. Tendo por consequência uma evento planetário chamado desordem do colapso da colônia (Colony Collapse Disorder) ou declínio nas populações apícolas e distúrbio na manutenção tanto dos serviços ecológicos sistêmicos quanto do equilíbrio dinâmico da natureza. Por exemplo, alterações químicas nos hidrocarbonetos cuticulares, que são responsáveis pela comunicação entre abelhas.

A fauna apícola ainda possui a seguinte sequência taxonômica: ordem Hymenoptera  (do grego hymen = membrana; pteron = asa), subordem Apocrita e superfamília Apoidea. De forma que das 7 famílias existentes no mundo, cinco (ou mais de 70%!) povoam o Brasil com 3 mil espécies (1 de cada 8 espécies do mundo) cujos nomes são: Andrenidae, Colletidae, Halictidae, Megachilidae e Apidae (dentre todas, as abelhas nativas sem ferrão ou gênero Melipona). O gênero Melipona na verdade possui o ferrão subdesenvolvido e se defendem através de acoplamento das pernas em pelos de outros animais, lançamento de substâncias voláteis e ainda mordidas com o aparelho bucal.

Nestas, existe a abrangência de 400 espécies em 40 gêneros no mundo, sendo que 200 espécies (metade!) estão no Brasil. Na região Nordeste, incluindo na Caatinga, desse país ainda ocorrem a distribuição de 6 espécies, e incrivelmente, em Sergipe, menor estado da federação, existem 5 espécies (mais de 80% se comparado com toda a região supracitada) e uma grande necessidade técnica de pesquisa sobre elas.

Os nomes populares de meliponíneos variam muito, por exemplo, jataí, mandaçaia (ou mandacaia), uruçu real (ou verdadeira) e uruçu amarela.  Elas são insetos eussociais, ou seja, verdadeiramente sociais, porque têm castas (rainha, operárias e zangões), divisão de tarefas, sobreposição de gerações (etárias), colônias perenes (ativas o ano inteiro!) e cuidado parental com a prole (ou a próxima geração). É um grupo holometábolo, no qual a rainha põe os ovos que irão se tornar uma operária, um zangão ou outra rainha, sendo que isso depende de fatores genéticos, seleção natural e cópula.

As operárias mantêm a parte nidal funcionando corretamente enquanto que os machos também o fazem de forma auxiliar além da responsabilidade reprodutiva dele (voo nupcial). A nidificação de meliponíneos acontece em diversos locais. Em regra, elas nidificam em ocos preexistentes em galhos ou troncos das árvores. Exceto, alguns grupos, que criam ninhos em aberturas já constantes no solo, formigueiros abandonados ou nas raízes; assim como ninhos aéreos presos a galhos ou paredes. A maior parte dos ninhos são feitos de resina, cera e barro em pontos estratégicos de defesa.

Em 1953, o Dr. Paulo Nogueira-Neto assim definiu a meliponicultura como a criação racional das abelhas sem ferrão, que foi ratificada pela Confederação Brasileira de Apicultura (CBA). Além dos compostos usados por elas (mel, pólen, geleia real, própolis e cera), há mais 2 fatores: o mel é fator primordial dessa atividade econômica, já que ele possui valores nutricionais e medicinais; e ainda, a polinização de 90% das espécies de plantas da Mata Atlântica.  

Em outras palavras, além da produção do mel a apicultura familiar pode ser um ramo da agropecuária ligada à ecologia para manutenção de áreas nativas e também geração de emprego e renda para famílias mais humildes.  Infelizmente, em Sergipe, não há suporte logístico e técnico para suprir a demanda de melhorias na apicultura sustentável ou ainda na apicultura familiar. Isso porque falta um sistema de estrutura para capacitação, geração de emprego e renda e ainda suporte técnico qualificado para usar o conhecimento científico ao lado do saber popular na criação de abelhas sem ferrão.

Diante do exposto, portanto, se existisse algum meio de fomento (menos burocrático possível) para empregar biólogos e agrônomos, que possuíssem saberes,práticas e publicações (incluindo monografias), haveria uma economia circular (estrutural) melhor para o estado, que deveras é uma das áreas muito subamostradas e fracas em termos de uso potencial.

Referências Bibliográficas:

a03v26n2

Arquivototal

Economia_Circular_Ordenamento_Territ_rio

FELIPE-MENDES-FONTES

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