Esportes

Das ruas do Brasil até a final do 3×3 World Tour: a jornada inspiradora de Leandro

Quase. A estrela brasileira ainda não é um atleta olímpica – e terá que esperar até 2021 para ver se o Brasil se classifica para Tóquio devido à pandemia de coronavírus -, mas sua jornada pelas ruas ásperas do Rio de Janeiro até a estrela 3×3 é inspiradora. 

O basquete foi escape para Leandro desde criança e se tornou uma oportunidade de sair das perigosas favelas – os bairros negligenciados e não regulamentados que pontilham o Brasil.

Apesar de seu talento no basquete e forte ética de trabalho, ele não conseguiu se profissionalizar e começou a acreditar que sua carreira poderia estar concluída.

Mas aos 33 – destino, talvez? – Leandro recebeu uma tábua de salvação do 3×3 e mudou sua vida. “Lutei por 25 anos e treinei muito aguardando esse momento. O 3×3 realizou meu sonho”, diz ele.

Leandro se apaixonou pelo 3×3 e teve muito sucesso na equipe – sendo o único jogador na história do 3×3 a participar de três finais da turnê mundial com três equipes diferentes. Ele ajudou São Paulo DC , Delhi 3BL Lausanne TNV a alcançar o maior palco do World Tour.

“O que mais gosto no 3×3 é a democracia, a possibilidade de todos os jogadores participarem sem discriminação”, diz ele. “Que todos tenham a mesma oportunidade de entrar na quadra e mostrar suas habilidades.

“Os talentos engolidos pela falta de oportunidade renascem graças ao 3×3”.

O jogador de 36 anos se tornou um pioneiro em 3×3 no Brasil e espera ajudar seu país a se classificar para os Jogos de Tóquio.

O sonho das Olimpíadas brilha intensamente para Leandro, que atualmente vive na Espanha com sua esposa e treina duro durante um rígido bloqueio. “Estou treinando como nunca antes”, diz ele.

“Quando isso acabar, vou competir por um lugar nas Olimpíadas e esta será a maior história da minha vida. Estarei preparado para esse grande desafio”.

Leandro sabe que se classificar para o maior espetáculo esportivo inspirará uma geração de brasileiros. “Será muito inspirador poder mostrar a muitos outros jovens que vale a pena continuar acreditando”, diz ele.

“Mostrar que, mesmo treinando sozinho e sem apoio, trilhando o caminho sombrio e solitário do basquete nas ruas, podemos alcançar o lugar mais desejado no esporte”. 

Aconteça o que acontecer, Leandro quer continuar sendo embaixador 3×3 no Brasil, onde ganhou popularidade. Mais importante, ele quer servir de modelo para aqueles que enfrentam dificuldades nas favelas.

“Todos nós que saímos da favela, temos a responsabilidade de trazer de volta tudo o que aprendemos”, diz ele. “Meu desejo é provar a eles que é possível, para que outros possam superar barreiras como as que eu superei”.

Fonte: FIBA
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Wesley Lima

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.
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