História

O que seria um império na contemporaneidade?

No último domingo, dia 26/04, um assunto no twitter ganhou notoriedade o suficiente para aparecer entre os mais falados na rede. A hashtag “ImpérioJá” passou pelas vistas de qualquer brasileiro ali presente, e por mais que para muitas pessoas este tema seja desconhecido, a cada dia ele vem ganhando seu espaço e simpatizantes. Mas o que viria a ser isso na prática? Bom, vamos responder com história!

Antes de iniciarmos, faz necessário um esclarecimento tanto sobre os regimes políticos, quanto ao emprego errado que o senso tem em relação a outros.

Hoje reconhecemos com facilidade regimes como: A República ou A Monarquia, isso porque eles ainda são vigentes em grande parte dos países do mundo. É natural que a cultura do regime atuante em determinado país faça com que o entendimento para com os outros seja de preconceito, aqui entra a famosa máxima de George Orwell: “A história é escrita pelos vencedores”, e com razão, pois este é um mecanismo de alto defesa, alçar-te aos céus enquanto empurra o opositor ao esquecimento, e isso não é diferente no campo das ideias.

O Brasil é um bom exemplo, após a instauração da república através de um golpe – até mesmo antes – houve um forte movimento propagandista com o intuito de levar o regime anterior, a monarquia, ao limbo. O argumento mais popular a favor do novo Estado era o do modernismo, a republica traria ao Brasil o status de país moderno, enquanto a monarquia era empurrada cada vez mais ao passado, se tornando assim, retrograda ao conhecimento das novas gerações.

Deve-se estabelecer o entendimento que, desde os Gregos antigos, há 2.400 anos atrás, já existia tais regimes, incluindo o democrático, onde teve lá seu início. O mundo helênico era vasto de Estados, cada qual com seu regime político, desde democracias, monarquias até aristocracias e tiranias. Com o tempo, os governos se alternavam frente a necessidade do momento – ou seja, de quem tinha o maior poder.

Era natural que intelectuais surgissem para argumentar sobre estes regimes. E todos estes têm seus próprios defensores, como por exemplo o regime Monárquico que tem como simpatizantes nomes como Platão e Dante Alighieri. O primeiro chegou a teorizar, em seu livro “A República”, um ciclo de poderes, onde um dá lugar ao outro como quase uma lei natural do homem.

Sobre o emprego errado aos regimes, o puro olhar panorâmico dissipara isto. Como a monarquia, por exemplo, pode ser retrograde sendo que ela é presente em vasta maioria nos rankings de países mais bem desenvolvidos do mundo? Como, deste modo, o presidencialismo pode ser moderno sendo que ele é quase inexistente no topo deste mesmo ranking?

Os regimes não podem ser menosprezados, nem mesmo aclamados. Todos eles têm seus pontos positivos e negativos e cabe a população demonstrar, sendo em uma boa vivencia sob sua guarda, ou não, levando-o assim a duvidar sobre sua efetividade.

Mas retomando ao assunto do título: O que seria um Império hoje?

Império/Monarquia

Muitos acreditam que Império é um estado em que o Estado possui vasta quantidade de terras conquistadas, formando assim esta modalidade. Mas na realidade um império consiste apenas em uma monarquia que possui uma faixa territorial bastante abrangente, deixando assim a posição de Reino, para Império. Um exemplo é Portugal que não tem a possibilidade de deixar a categoria de reino possuindo somente aquele território, diferente do Brasil que, sob tamanha vastidão, é categorizado como Império.

Portanto, o apelo daquelas pessoas a este regime é na verdade uma petição a volta da Monarquia, ou seja, trazer o mando do país as mãos dos descendentes de Dom Pedro II e da Princesa Isabel.

Mas tendo a nossa pergunta ainda validade, como isto seria possível?

Monarquias Hoje

Retornando ao início deste texto, denotei que houve um forte processo propagandista de caluniação ao regime monárquico, além dos argumentos sobre modernidade frente ao antiquado, havia também uma forte generalização da ideia de monarquia ao absolutismo. Isto porque o emprego deste termo traz a memória a qualquer pessoa um Estado centralizado a uma figura intocada, ambiciosa e indiferente frente ao homem comum. Com isto, ao povo a Monarquia jamais seria democrática ou sequer boa.

Ao romper esta visão, que por sua vez é onde mora o “retrogrado” – pois a maioria dos países monárquicos hoje não são absolutistas – e dando vista aos regimes monárquicos mundo a fora, descobre-se vigentes, com democracias prósperas, desenvolvidas,  que oferecem os melhores padrões de qualidade de vida com altíssimos Índices de Desenvolvimento Humano – IDH, liberdades, igualdades e direitos  como por exemplo a das monarquias parlamentaristas que tem presença em países como: Inglaterra, Espanha, Noruega, Canadá, Austrália, Liechtenstein, Suécia,  Holanda, Dinamarca, Luxemburgo, Bélgica, Japão e Nova Zelândia como poder.

É através da constituição que um governo justo é moldado, seja em qual regime for. A democracia não deixaria de existir na monarquia, e certamente estas pessoas que popularizaram o “#ImpérioJá” o fazem por estarem fartas da cultura política republicana e fracassada instalada hoje no Brasil.

Sendo na Monarquia, ou na República, poderia o Brasil se ver livre da corrupção?

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Vitor Guerino

Me chamo Vitor Guerino P. de Oliveira, tenho 24 anos e resido na cidade de São Paulo. Graduando em história e estudante assíduo de filosofia - minha maior paixão - e política, estou sempre presente na vida acadêmica publicando artigos científicos relacionados bem como em seminários e entre outros estudos focados. Minha especialidade mora na História Antiga, bem como sua Filosofia. Sou também cursado em ciências políticas, fluente em inglês e atuo na área de pesquisas. Colunista do jornal Duna Pess.
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