Esportes

Bruno Fiorotto contou como superou as lesões que sofreu e falou sobre sua trajetória no basquete até aqui

Nesta última sexta-feira (01/05), a Live #BasqueteEmCasa, no Instagram do NBB, recebeu um convidado para lá de especial: Bruno Fiorotto, atual pivô do Universo/Brasília. Em bate-papo com a nossa repórter Giovanna Terezzino, o jogador fez uma rica retrospectiva de sua trajetória no basquete brasileiro, saudou amizades importantes, contou sobre como superou as lesões sofridas na carreira e sobre quem admira no esporte.

Vida na quarentena

Isolado em casa, Fiorotto tem utilizado o tempo para aproveitar ainda mais a sua família, que recentemente recebeu mais uma integrante – a bebê Serena. “Somos muito presentes na vida das nossas filhas. Nunca tivemos babá e, por morarmos  longe da minha família, não temos como deixá-las na casa dos avós. Então, participamos muito. A Martina [filha mais velha] sente falta de brincadeiras mais lúdicas com os amigos, então eu faço alguns treinos com ela e imitamos  algumas brincadeiras da  internet”, contou.

Neste tempo de quarentena, Fiorotto também tem estado bastante ativo nas redes sociais. Em seu perfil no Instagram, o atleta tem realizado Lives de sucesso com grandes nomes do esporte brasileiro. Já foram entrevistados o goleiro Fernando Prass, os jogadores de vôlei Sheilla Castro e Lucão, os atletas de basquete Marcelinho Huertas e Tiago Splitter, o técnico Gustavo de Conti e muitos outros.

Segundo o pivô, a iniciativa surgiu sem pretensão alguma. “Tinha acabado de acontecer a paralisação, a pandemia tinha começado e a gente tem muito amigo no esporte. Coincidentemente, naquela semana, um amigo meu da Argentina me perguntou como as coisas estavam no Brasil, eu perguntei como estavam por lá e pensamos em fazer uma Live com ele. Daí, depois o Lucão me ligou e eu pedi para ele falar em outra Live também. Pediram para chamar meninas e eu convidei a Sheilla”, disse.

Trajetória no basquete

Mais adiante na conversa, Fiorotto fez uma retrospectiva completa sobre a sua carreira no NBB e sua passagem pelas equipes de Limeira, Pinheiros, Rio Claro, Vasco da Gama, Basquete Cearense e, finalmente, o Brasília. Entre muitas histórias com companheiros de time e técnicos, destacam-se as três medalhas de bronze que o jogador conquistou no campeonato, as quatro lesões que sofreu e o título na Liga das Américas.

Segundo ele, essa vitória foi uma coroação. “Eu vinha da minha segunda lesão. É difícil voltar de lesão num time bom: ou você está pronto para jogar ou não está. Mas eu consegui voltar e considero que tive uma atuação importante com o grupo durante a final da BCLA. Foi um título muito legal e veio para coroar. A gente já tinha sido campeão paulista, mas não tinha nenhum título grande, como o NBB. Estávamos batendo na trave e estava doendo, então batemos o martelo com este título”, contou.

Na ocasião, foi registrada uma foto icônica do pivô ao lado de seu companheiro de time, Joe Smith. Fiorotto guarda a lembrança com carinho e destaca a importância da foto: “naquela época, não havia Instagram. Hoje em dia, se faz muita foto pensando no que se vai escrever lá. Mas aquela foi muito espontânea – é legal e simbólica por isso”.

Nem tudo, no entanto, é motivo de celebração na carreira de Fiorotto. Após quatro lesões, o atleta confessa que foi difícil ser positivo em todos os momentos.

“A  primeira lesão que eu tive foi há doze anos, então eu recuperei e voltei a jogar. Nem parecia que eu tinha me machucado. Só que eu tive outras em um tempo de 5 anos, então foi ruim porque acabam te rotulando. E o principal é que eu vinha vivendo grandes momentos, e a gente sabe que, no esporte, não é tão difícil ter uma boa temporada – o difícil é manter. E, para mim, sempre eram quebrados os planos individuais de crescimento. Você começa a não se sentir tão importante no elenco”, disse.

Um de seus grandes desafios foi superar essas fases de lesão. “Nas três primeiras que sofri, nunca pensei em desistir. Na última lesão, no Ceará, foi a única que pensei, porque foi bem dolorido, foi difícil, demorou e eu já estava mais velho. Mas, graças a Deus, o pensamento durou apenas uma noite para o resto ser positivo. Não é fácil e eu acho que a minha carreira teria chegado a outro patamar se não fosse por essas lesões, mas eu sou muito feliz com ela e acho que aprendi muito com isso. Passei a reconhecer meus amigos e quem torce por mim de verdade”, contou.

Amizades

Falar sobre amigos é, inclusive, algo que Fiorotto pode fazer com propriedade. Muito querido, o jogador explica que, para colecionar amizades tão valorosas, o segredo está em ser você mesmo. “Eu acho que quando você exerce sua profissão, tem que ser da forma que você é, verdadeiro e sem ter que fazer nada para agradar. Alguns vão se aproximar mais e outros menos, mas acho que ser honesto, se doar e ser um exemplo faz a pessoa se aproximar e te admirar. Eu me sinto privilegiado: quando noivei e fui convidar os padrinhos, a minha mulher disse que tinha que ser só seis. Foi difícil escolher, perguntei se não poderiam ser doze”, disse, entre risos.

Ter tantos amigos na profissão foi, inclusive, a razão por trás dos diferentes números que Fiorotto escolheu para as suas camisas. “Quando comecei, jogava com a camisa 13, por causa do Shaquille. Quando fui para Limeira, o Renato Lamas já era o 13, então acabei pegando o 21, que o Tiago Splitter, o Kevin Garnett e o Tim Duncan usavam – você se espelha nesses caras, né. E, como era o meu primeiro ano em Limeira e fomos campeões paulistas, decidi manter o número”, contou.

“Quando fui para o Vasco, o Murilo já era o 21, mas eu acertei a contratação antes que ele. Eu disse: ‘vamos arremessar do meio da quadra e quem acertar fica com a camisa. Ele acertou de primeira e eu nem tentei, peguei a 13 que era a que eu tinha jogado a antes. No Ceará, o Leozão era a 21. Eu já  sabia que não podia voltar com esse número, então escolhi a 23 porque eu e minha filha nascemos nesse dia. Eu só não esperava ir para o Brasília, onde o Nezinho já era 23 (risos). Então voltei com a 21”, disse. Ufa, mistério solucionado.

Sobre a posição

Ainda na conversa com Gi Terezzino, o pivô falou sobre as mudanças que teve de assumir em sua posição na quadra. “Esse assunto é algo que vem sendo muito falado. A gente sabe que a NBA é uma referência para o mundo, então, a partir do momento que se tinha um Shaquille O’Neal, se esperava o pivô chegar no ataque e se defendia de outra forma. Os pivôs da minha geração do NBB são jogadores com essas características. Mas o basquete mudou. O Golden State Warriors ganhou com o Draymond Green carregando a bola, e isso vai virando referência para os times, que vão jogando assim também. Hoje não existe mais pivô assim porque não se treina mais dessa forma. Eu tive que adaptar meu jogo, melhorar o passe e abrir na quadra, mas eu acho que se a NBA voltar a ter um pivô dominante, aquele estilo vai voltar”, disse.

E, falando em pivôs, Gi aproveitou para descobrir quem são, na opinião de Fiorotto, os melhores pivôs do basquete brasileiro. “O Mineiro vai ter esse espaço porque ele é um pivô moderno. O Dikembe também, que é um pivô dessa característica mais pesada, mas que pode adaptar seu jogo porque ainda é muito novo. O próprio Léo Demétrio, do Flamengo, também”, disse. O jogador ainda inclusiu Hettsheimeir, do Sesi/Franca, e Du Sommer, do Botafogo, na lista.

Já para o seu time dos sonhos, Fiorotto selecionou Nezinho, Renato Lamas, Dedé Stefanelli e Rafael Mineiro. Como técnico, Fiorotto escolheu Alberto Bial, seu professor na época do Basquete Cearense.

Ao fim da Live, o jogador revelou quais são as suas projeções para o futuro. “A gente vai ficando mais velho, vai errando muito e aprendendo também. Pelo meu jeito de falar, já tive problema com alguns times. Eu ainda estou aprendendo porque me exponho muito. Acho que faço isso em prol do time e bem de todos, mas nunca pela visão individual. Pretendo ser um exemplo para o meu time e para minha família”, disse.

Foto: Samuel Vélez/FIBA Américas
Fonte: LNB
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Wesley Lima

Colunista associada para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.
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