Opinião

É a sindrome do Charlie Brown Jr

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Por Vinícius Martins

Qualquer um que tenha sido um adolescente da pá virada nos idos da década de 90 se lembrará dos seguintes versos de um cancioneiro subversivo: “Hoje eu acordei para sorrir mostrar os dentes, hoje eu acordei para matar o presidente…”

A trama do assassinato de um presidente é comum na cultura pop há bastante tempo. A imagem da cabeça do presidente Kennedy tombando dentro da limousine Lincoln presidencial na década de 60 com certeza é a principal referência no imaginário ocidental quando se pensa sobre o assunto. Ali, a trama conspiratória rompe as barreiras ficcionais para se tornar um marco sombrio na história real de toda a América.

Já no Brasil, a trama do assassinato presidencial que antes pousava sua principal referência histórica no suicídio de Getúlio Vargas, ganha novos episódios conspiratórios em 2018, quando o principal candidato presidencial à época, hoje, presidente da República Federativa do Brasil, leva uma facada no abdômen enquanto era aclamado por populares na cidade mineira de Juiz de Fora — talvez o nome “juiz de fora” seja apenas mais uma das grandes coincidências que cercam as histórias mais emocionantes.

O candidato que trilhou a sua carreira lutando contra o establishment socialista brasileiro, e que desde a pré-campanha figurava como ameaça real aos planos de poder revolucionários da América Latina, sofre uma tentativa de assassinato em plena luz do dia 06/07/2018, mais de 100 anos depois do primeiro Imperador brasileiro gritar “Independência ou Morte” às margens do Ipiranga.

Então, Jair Messias Bolsonaro é eleito presidente do Brasil aproximadamente dois meses depois do atentado que quase ceifou a sua vida.

E por que eu contei toda essa história?

Porque uma coisa me chamou atenção no pronunciamento presidencial feito como resposta ao pedido de demissão do juiz ex-ministro da Justiça. Em outras palavras, disse o presidente:

“Quem mandou matar o Presidente?”

Note que quando Bolsonaro questiona sobre a tentativa de assassinato contra o presidente da República, ele está questionando sobre a tentativa de assassinato contra si mesmo. E há de se fazer distinção entre uma coisa e outra.

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Que Bolsonaro tenha interesses pessoais em saber quem mandou lhe matar, é óbvio. Quem, ao sofrer uma tentativa de assassinato, não iria cobrar para que o crime fosse solucionado o mais rápido possível? Foi o nosso Senhor Jesus Cristo mesmo quem nos ensinou sobre a boa ventura de se nutrir fome e sede por Justiça, pois isto seria saciado.

Agora, outro interesse tão importante quanto saber quem mandou matar Bolsonaro é saber QUEM MANDOU MATAR O PRESIDENTE. Aqui estamos falando não do atentado a um homem apenas, mas do atentado a um país inteiro. Com quais interesses alguém planejou matar o principal candidato de oposição ao establishment do socialismo sul-americano?

Se você não consegue perceber este como o episódio central da disputa de poder que nossa nação vive hoje, é porque já se entregou ao mesmo niilismo com o qual o personagem Charlie Brown – sim, aquele mesmo do desenho – caminhava de um frame para o outro em súbitas tentativas de encontrar algum sentido que fosse para sua vida sem graça. O mesmo niilismo permeado pelos versos rebeldes de uma banda de rock qualquer. O mesmo niilismo de alguém que comete um crime achando que matar um presidente deva ser a melhor solução para um povo qualquer.

SAIA DESSA LETARGIA NIILISTA, JUVENIL! Será que você ainda não percebeu que há mais de 500 dias tentaram matar o presidente do teu país e até agora ninguém sabe QUEM FOI O MANDANTE?

NÓS NÃO SOMOS UM POVO QUALQUER. Queremos saber quem mandou matar o Presidente do nosso país.

Fonte Facebook

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Joice Maria

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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