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História da Jordan na F1

A Jordan deve o seu nome ao seu criador, Eddie Jordan, um irlandês que corria na Fórmula 3 inglesa em 1979 e já em fase final de carreira. No ano de 1980, forma a Eddie Jordan Racing, que participa em várias corridas e campeonatos de monopostos, dando oportunidades a pilotos como David Sears, James Weaver, Ayrton Senna, Martin Brundle e outros.

Em 1987, tendo como piloto o inglês Johnny Herbert, e em 1989, com o francês Jean Alesi, a equipe faz as suas melhores épocas nas Fórmulas 3 e 3000, ganhando várias corridas e o título. Fruto destas épocas, Eddie decide avançar para a Fórmula 1, contando para isso com Gary Anderson no design técnico do novo carro. Durante o desenvolvimento, a equipe corre com 3 carros na Fórmula 3000 européia, conduzidos pelo norte-irlandês Eddie Irvine, pelo italiano Emanuele Naspetti e pelo alemão Heinz-Harald Frentzen. Este ano acaba com a terceira posição no campeonato e uma vitória de Irvine.

Jordan entra na Fórmula 1

Em 1991, a Jordan entra no circo da Fórmula 1, tendo pela primeira vez o nome de Jordan Grand Prix e, como principal patrocinador, o refrigerante 7Up. Usa motores Ford HB-V8 e o carro sensação no campeonato, batizado de 191. Termina num brilhante 5º lugar de construtores com 13 pontos. Como pilotos, inicia a época com o experiente Andrea de Cesaris – no GP da Bélgica, o italiano esteve 10 voltas seguidas na 2ª posição e talvez chegaria nessa posição ou até vencesse, porém uma quebra no motor, faltando três voltas para o encerramento, estragou as pretensões do piloto e da estreante equipe) e pelo franco-belga Bertrand Gachot, que, no meio da temporada, foi preso por disparar spray de pimenta num taxista londrino. Posteriormente, Gachot foi substituído pelo alemão Michael Schumacher (Stefan Johansson e Keke Rosberg também foram cogitados), que apenas corre o citado GP belga, trocando lugar com Roberto Moreno, que tripulava a Benetton ao lado de Nelson Piquet. Moreno disputaria apenas 2 corridas (Itália e Portugal), e é substituído nas três provas finais do campeonato pelo vice-campeão da Fórmula 3000 daquele ano, o italiano Alessandro Zanardi. Ainda em 1991, a Jordan corre ainda na Fórmula 3000 com o inglês Damon Hill e o italiano Vincenzo Sospiri.

A época de 1992 obriga a Jordan a uma consolidação financeira, que leva a equipa a trocar os motores Ford de 8 cilindros pelos Yamaha V12, que mostravam não ser competitivos. A Barclay passa a ser o principal patrocinador, inicia-se a migração para a nova fábrica e as esperanças ficam a cargo do italiano Stefano Modena (ex-Tyrrell) e do brasileiro Maurício Gugelmin (ex-March/Leyton House). Este ano foi uma desilusão para a Jordan, com a 11ª posição no campeonato de construtores com apenas 1 ponto, marcado por Modena em Adelaide, deixando a escuderia empatada com Minardi e Larrousse.

Segue-se outra má época, em que a Jordan, em 1993, desta vez com motores Hart V10, acaba novamente na 11ª posição, com 3 pontos, ficando apenas à frente das duas equipes que não pontuam (Tyrrell e BMS-Lola). Os pilotos principais foram o estreante brasileiro Rubens Barrichello e o norte-irlandês Eddie Irvine, que havia corrido pela Jordan na F-3000 Europeia; outros 4 pilotos tiveram curta passagem: o italiano Ivan Capelli (2 provas, 1 não-classificação), o belga Thierry Boutsen (10 corridas), e os também italianos Marco Apicella e Emanuele Naspetti (1 etapa). Rubinho marcou seus primeiros 2 pontos na categoria ao chegar em 5º no GP do Japão. O patrocinador principal foi a empresa petrolífera sul-africana Sasol.

Para o campeonato de 1994, a Jordan decide manter Barrichello e Irvine, o motor Hart V10 e o patrocínio da Sasol. Com esta aposta na continuidade, termina em 5º lugar nos construtores com 28 pontos, e o primeiro pódio no Grande Prêmio do Pacífico, no circuito de Aida, com um brilhante 3º lugar para Rubens Barrichello, que conquistou a sua primeira pole e da equipe na F-1 em Spa-Francorchamps, na Bélgica. Além de Barrichello e Irvine, disputaram a temporada o japonês Aguri Suzuki (somente em Aida) e Andrea De Cesaris, que substituiu o norte-irlandês, suspenso por 3 corridas em decorrência do acidente provocado por ele no Brasil.

Em 1995, o rompimento da mal-sucedida parceria entre McLaren e Peugeot permite à Jordan ficar com os motores da fábrica do construtor francês, mantendo a dupla de pilotos e o patrocinador. Acaba por ser uma época decepcionante, apesar dos 21 pontos e do sexto lugar nos construtores, pois, a uma equipe com motores de fábrica, era pedido mais, até porque, destes 21 pontos, 10 são obtidos num estranho GP do Canadá (vencido pelo francês Jean Alesi, da Ferrari) com o 2º lugar de Rubens Barrichello e o 3º de Eddie Irvine, em que grande parte do pelotão não termina, tendo algumas equipes de topo ficado sem os dois carros.

O amarelo Jordan

O ano de 1996 fica para a história da Jordan como o nascimento do carro amarelo. Com a saída da Sasol e a entrada de um grande patrocinador, a Benson & Hedges, a Jordan prepara-se para os seus anos de ouro e é mesmo essa a cor escolhida pelo patrocinador para o primeiro ano: o dourado. A saída de Irvine para a Ferrari abre lugar para o experiente inglês Martin Brundle, vindo da Ligier, e a Jordan fica com o 5º lugar nos construtores, com 22 pontos.

O ano de 1997 fica marcado pela saída dos dois pilotos – Barrichello vai para a Stewart e Brundle encerra a carreira na Fórmula 1. O inglês Nigel Mansell chegou a fazer testes pela equipe no final de 1996, visando ser contratado para a temporada seguinte, porém não conseguiu ter êxito. Dois novatos vão conduzir o Jordan 197: o italiano Giancarlo Fisichella (que estreou na Fórmula 1 no ano anterior pela Minardi) e o alemão Ralf Schumacher (irmão do heptacampeão Michael Schumacher), assinam com a equipe de Eddie Jordan. Eles provam que são pilotos de futuro e o time repete o 5º lugar nos construtores, com desempenhos consistentes e 33 pontos. Este ano marca também a irreverência da Jordan na arte de pintar o carro ao desenhar uma cobra amarela no nariz do carro. O motor e o patrocinador são mantidos.

1998: A primeira vitória

Em 1998, dá-se uma mudança inesperada, fruto da concepção, uma equipe, um motor, dois pilotos, um único país, a Peugeot sai da Jordan rumo à Prost e a Jordan opta pelos Mugen-Honda, motores de qualidade, mas que são a guarda avançada da Honda para o seu regresso, ou seja, logo á partida, motores que trazem altas contrapartidas.

Apesar disto, a Jordan alicia o veterano inglês Damon Hill, vindo da Arrows, para correr ao lado de Ralf. A equipe encerra o campeonato em 4º lugar nos construtores com 34 pontos, e Hill vence o confuso e chuvoso GP da Bélgica, o primeiro triunfo da equipe na categoria e de quebra com seu companheiro de equipe logo atrás fazendo a dobradinha. O patrocinador é mantido, e a pintura muda para uma abelha – nascem os “Buzzing Hornets”, que é o nome que substitui o do patrocinador Benson & Hedges nos Grandes Prêmios onde a publicidade do tabaco fora proibida.

O carro de 1999 é desenhado por Mike Gascoyne, que substitui Gary Anderson e Eddie Jordan vende 40% das ações ao consórcio Warburg, Pincus & Co. As alterações não se ficam por aqui e Ralf se muda para a Williams, sendo contratado, para o seu lugar, o compatriota Heinz-Harald Frentzen. Hill é mantido, porém seu desempenho é bem inferior ao de Frentzen, que o superou com facilidade. O alemão venceu 2 provas (França e Itália) e chega a fazer uma pole (última do piloto e da equipe) na Europa, em Nürburgring, porém um problema elétrico enterra as chances de título. Ele finaliza o campeonato de pilotos em 3º, o mesmo lugar com que a Jordan acabaria o campeonato de construtores com 61 pontos, a melhor classificação na história do time irlandês. Já Hill, em sua despedida, ficou apenas em 12º, 47 pontos atrás de seu companheiro de escuderia.

2000-2003: Fim do sonho

O ano de 2000 marcaria o início do declínio da Jordan na F-1. A entrada da Honda em força na BAR termina com motores tipo “B” para a Jordan, ainda apelidados Mugen Honda. Durante a temporada vários engenheiros, pessoal técnico e outros recursos humanos abandonam a equipe. Com a aposentadoria de Damon Hill, o italiano Jarno Trulli é contratado para o lugar do inglês. A par do patrocinador principal, aparece agora a Deutsche Post. No final, os 17 pontos e o 6º lugar não mostram ainda a verdadeira saúde da equipe.

A época de 2001 inicia-se com boas notícias: Gary Anderson volta e no campo dos motores, após árduas negociações, a Honda passa a fornecer duas equipes, contra o que tinha anunciado anteriormente, e a Jordan ainda contrata Egbahl Hamidy, vindo da Arrows. No final, Trulli e Frentzen conseguem 19 pontos e o 5º lugar no campeonato. Monetariamente, a situação agrava-se e a redução de pessoal continua. A nível da arte, surge um tubarão pintado e em substituição da frase “Buzzing Hornets”, aparece o “Bitten Heroes”.

Em 2002, a situação entra em ruptura. Eddie Jordan acumula os lugares do pessoal que vai saindo e a falta de dinheiro leva a uma posição desfavorável de negociação com a Honda, que traz o japonês Takuma Sato (protegido da fábrica japonesa) para a Fórmula 1 para conduzir um dos Jordan, substituindo Jean Alesi, contratado numa troca com Frentzen (o alemão correria pela Prost, enquanto o francês preencheria sua vaga). Trulli, assim como Frentzen, deixa o time, e Giancarlo Fisichella volta à equipe depois do final das atividades da Benetton, vendida à Renault. A companhia Benson & Hedges deixa a lista de principais patrocinadores, mas continua com esporádicas participações, uma vez que o patrocínio principal deste ano passaria a ser feito pela DHL. A época salda-se por 9 pontos e o 6º lugar no campeonato de construtores.

Finalmente, em 2003, a realidade bate à porta e Eddie Jordan acorda de um pesadelo para uma realidade bem pior: a Honda dedica-se exclusivamente à BAR, os patrocínios não existem e mais pessoas abandonam a Jordan. Pior é que contas feitas, não há orçamento suficiente para correr, mas com a contratação do anglo-irlandês Ralph Firman, um piloto pagante e um contrato com a Ford para fornecimento de um dos motores mais fracos do pelotão, com mais de dois anos de atraso, as perspectivas eram as piores. Apenas o milagre do Grande Prêmio do Brasil faz com que Fisichella vença a corrida (foi a primeira vitória do italiano na categoria, que chegou a ser de Kimi Räikkönen, mas após uma revisão no resultado, passaria a ser oficialmente de “Fisico”). No final, os 13 pontos e o 9º lugar do campeonato seriam o “canto do cisne” da Jordan.

2004: a agonia

Para 2004, Eddie Jordan junta dinheiro para o orçamento do ano, à custa dos alemães Nick Heidfeld e Timo Glock, além do italiano Giorgio Pantano, que entram com partes de leão de todo o orçamento. A nível de principal patrocinador aparece um desolante espaço em branco que raramente vê algo escrito e uma tímida aposta da Trust é a única coisa visível à distância nos defletores. A Ford continua a fornecer motores, mas anuncia que se retirará no final do ano. Com os 5 pontos conquistados no ano, a Jordan repete o 9º lugar no campeonato, mas a falta de patrocinadores e o problema de não haver motores quase arrumam a questão de 2005.

Última temporada e a venda para a Midland

Finalmente, 2005 começa com o golpe de teatro de Eddie Jordan ao conseguir no último momento convencer a Toyota a fornecer motores ao time. Mas o sonho termina quando Eddie vende a equipe à Midland e abandona o circo. A equipe manteve seu nome até o encerramento da temporada. Narain Karthikeyan e Tiago Monteiro foram os últimos pilotos da Jordan. O melhor resultado foi o terceiro lugar do português (o primeiro de seu país na categoria) no polêmico GP dos Estados Unidos, marcado pela retirada voluntária dos 14 carros equipados com pneus Michelin.

Na sua última temporada na Fórmula 1, o time de Eddie Jordan termina pela terceira vez consecutiva em 9º lugar, com 12 pontos marcados.

Fonte: Fórmula 1

 

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Wesley Lima

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.
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