É para alguns já conhecido os diversos papeis que uma mulher, seja ela de alta ou baixa estirpe, teve no período Grego antigo. Talvez um pouco mais conhecido seja a sua representação na rica fauna mitológica Grega, com inumeráveis personagens que usufruíam de grande influência para tanto os mortais, como aos imortais, influência está por vezes negativa, outras positivas. Tudo isso dentro de um contexto místico, distribuído de forma didática e imponente, mostrando características tanto humanas como sobre-humanas em relatos épicos, trágicos e por vezes até cômicos.

Algumas dessas deusas, como por exemplo Palas Atena, chegará a ser cultuada em toda região Helênica (Território Grego), desde a Ásia Menor até a Península Ibérica e norte da África. É por deusas como Atena que a figura feminina naquele tempo pôde se tornar dividida em uma verdade mais crua, ou em um mito mais palpável. Porém sua importante e majestosa figura transpassou diversos territórios, colocando-a como um dos deuses de mais importância no panteão Grego, afinal, ela representava a justiça.

Há muitas fontes de autores gregos que tratam da mulher, se não direta, indiretamente: Sócrates, Platão, Aristóteles, Demócrates, Heródoto, Aristófanes e Hesíodo são bons exemplos. Estes autores em sua maioria mostram a mulher de uma forma separada se comparada ao homem, isso logo se identifica nas gênesis gregas da figura feminina que, segundo Hesíodo em sua Teogonia, (HESÍODO 2004, versos 500 – 600) Pandora (figura presente na criação) trouxe o mal que acarretou todos os outros. Ela foi concebida por Hefesto e Atena, como vulgo presente de Zeus aos homens, é a primeira mulher e sobre os olhos e julgo de todos os deuses ela foi agraciada com uma qualidade dada por cada um deles, desde; graça, beleza, persuasão a inteligência, paciência e meiguice.

Dela vem a raça das mulheres e do gênero feminino,
dela vem a corrida mortal das mulheres” – (HESÍODO 2004, versos 590 – 593)

O objetivo de Zeus era fazer com que Pandora fosse a portadora de todos os maus humanos, ela seria criada e posta entre os homens, para lá abrir a caixa – na realidade uma pequena jarra – e espalhar toda espécie de dor conhecida.

A Kalòn Kakòn (Mal belo) de Hesíodo traz um toque bastante patriarcal ao mito, ou seja, impondo a Pandora certa negatividade e peso, mas figuras encontradas nos últimos séculos mostram que, possivelmente, Pandora teve uma outra versão, muito mais matriarcal, colocando-a como uma figura em Ânodo Kore, ou seja, em uma subida por terra encontrando Hefesto, Hermes e Zeus a sua espera no topo (HARRISON, 1908 p. 284), esta “subida” mostra a tamanha importância desta mulher para os deuses mais importantes.

Enquanto que a Pandora do poeta grego a coloca como uma vingança de um deus a outro, vingança essa que traria aos homens o grande mal de infortúnios providos das emoções e colocando a mulher como uma figura mista de algo belo e necessário, mas que traz ruína e desagrado. O mais provável é que a versão mais presente ao imaginário civil até antes de Hesíodo seja a da Pandora matriarca, porém, após Hesíodo (750 a 650 a.C) tal mito tenha se alterado e tido esta versão mais popularizada e assim conhecida.

Referências:
HESÍODO. Teogonia. São Paulo: Editora Martin Claret, Edº 2, 2014.

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