As portas da ignorância continuam escancaradas frente ao nosso assassino em comum: o vírus Covid-19, este que desde fevereiro vem invadindo cada vez mais e sem permissão a vida dos brasileiros e de todo o mundo. E depois do passar de tanto tempo, ainda estamos sem saber ao certo o que de fato há em nossa fronte.

Como um mal em migração, o vírus viajou por mares, continentes e chegou ao mais oposto possível de sua terra natal. Não havia barreiras, instalou-se com facilidade em qualquer ser humano, e nele multiplicou-se e propagou-se. E aqui estamos, em mais um mês sem perspectivas concretas.

Vários governantes arriscaram agir frente a este mal. Enquanto vivíamos ele em nossas peles, líderes disputavam entre si quem era o mais ousado frente a pandemia. Acabamos com nossas vidas em um tabuleiro, cujo fim seria a morte seguida por miséria, ou pela enfermidade.

Em São Paulo, a cidade que não pode parar, não paramos, víamos pela televisão medidas sendo tomadas aqui, ali, porém a maioria de nós continuou com nossas vidas afim de garantir o próximo dia, seja ele como vier. Perguntamos ao olhar para o colega frente há uma nova medida do governo: “ Porque agora e não antes? ”, e assim seguimos, questionando a autenticidade das ações, conjecturando por nós mesmos o que seria melhor, e o que não.

Hoje vemos cansaço nas pessoas, um semblante desgastado atrás de uma máscara que agora, e somente agora é obrigatória. O transporte público, outrora vivo, está agora morto, não pela falta de pessoas nele, mas sim por todas elas estarem amontoadas naquele ambiente junto com outras almas infortunadas. Em outras palavras, medidas como a diminuição da circulação de ônibus, além de restrições a carros e aplicativos fizera com que ônibus se tornassem cada vez mais cobiçados, quando na realidade não deveriam o ser.

Este seria o tal do isolamento?

A frente o horizonte continua nublado, pegamos nossos guarda-chuvas prevendo tempestades. Com determinação saímos aos nossos trabalhos. Passamos por lojas fechadas mas continuamos a ver pessoas correndo e passeando com seus cachorros, restaurantes funcionando, e empresas tentando sobreviver.

Não é possível haver um equilíbrio entre a precaução e o viver?

A economia precisa continuar, nossas vidas também o precisam. O tempo que se passara servira no mínimo para alertar os brasileiros a se cuidarem por si mesmos da melhor forma possível. Os hospitais precisam estar preparados, enquanto nós aqui faremos o possível para não o precisar, mas ao mesmo tempo tentando como puder, viver.

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