História

Expressões e seus significados: A vitória de Pirro

As expressões históricas correm de forma livre em meio as nossas interações sociais, chegando até a ser presente em várias culturas e com a colocação original de seu significado. Este é o caso da “vitória de Pirro”.

Caso leitor nunca a tenha escutado, a “vitória de Pirro” significa vencer sob um alto custo. Ela pode ser empregue em qualquer situação, de modo que surge facilmente em nosso cotidiano. Como exemplo podemos pensar naquelas horas extras ao qual dedicamos a um projeto, em dado momento ele estará concluído, e pode vir a ser exemplar, porém, ao pensar sobre todo o processo e considerar seu esgotamento após a conclusão, veremos que esta produção resultou em um grande custo, podemos aqui colocar: Esta foi uma vitória de Pirro.

Mas qual a origem desta expressão? Quem afinal foi Pirro e a qual vitória isto se refere?

Em resumo, Pirro foi rei de Epiro e posteriormente também da Macedónia por volta de 297 a 272 a.C. Ele viveu nos anos subsequentes a morte de Alexandre o Grande, de modo que viu todo aquele vasto império ser fragmentado entre os helenos, e isto não foi diferente com o reino que possuía ele e sua família.

A princípio seu pai foi destronado com ele ainda criança, de modo que seus primeiros anos foi dedicado a reconquista de seu próprio reinado. Após isto, ganhou influencia entre os helenos ao ponto de em 281 a.C. ser clamado por ajuda pelos Tarentios (Povos helenos que viviam ao sul da Itália) que estavam sendo encurralados pelos povos Romanos.

A Itália, tanto nesta época como em longos anos e décadas antes era habitada por vários povos, havia ali muitas tribos barbaras montanhesas isoladas e também um bom número de povos gregos residentes. O sul era habitado por estes povos helenos (Gregos) enquanto que ao norte era o lugar onde viviam não somente os bárbaros mas também os romanos, ou melhor dizendo, a Roma primitiva.  

Na época de Pirro, a Roma já dominava grande parte de seu território na Itália e estava se expandindo cada vez mais ousadamente ao sul, onde viviam os gregos. E aqui se inicia a grande fase deste nosso herói em questão, que com o apoio do rei Ptolomeu da Macedónia, invade a península itálica com o intuito de repelir os assaltos Romanos.

Ao considerar o vasto número de tropas, que incluía até mesmo elefantes de Guerra, Pirro demonstrava interesse além da proteção de Taranto, ele queria também subjugar Roma.

“Pyrrhus,” colossal statue of Mars. Marble. Late 1st cent. CE. Inv. No. MC 58. Rome, Capitoline Museums, Palazzo Nuovo.

Guerras Pirricas.

Em 280 a.C. as famosas guerras pirricas tem seu início com a Batalha de Heracleia contra as forças Romanas – Esta batalha ocorreu onde é hoje a comuna itálica de Policoro – Pirro tem uma grande vitória, apesar de ter tido boas perdas, mas aqui ainda não devemos considerar uma “Vitória de Pirro” pois com esta vitória vários povos locais juntam forças as suas, tornando assim seu poderio ainda maior.

Pirro então tenta um tratado de paz com os Romanos que é logo rejeitado, passa o ano em território da Campânia e em 279 a.C. invade a Apúlia onde é travada mais uma grande batalha. Aqui Pirro sofre uma baixa considerável de suas tropas, apesar de mais uma vez ter vencido e ter causado ainda mais danos aos Romanos. É nesta segunda grande batalha que Pirro solta a famosa colocação depois de receber elogios de seus generais: “Mais uma vitória como esta, e estou perdido.” É preciso dizer também que seu exército travou muitos outros pequenos confrontos fora estes.

Depois destes acontecimentos, é apresentada a Pirro 3 escolhas.

  1. Responder aos diplomatas das cidades helenas ao sul da Itália que vem até ele ofertando suas cidades em troca da expulsão dos cartagineses de suas regiões, esta é uma boa oportunidade para tomar conta da rota marítima com a África.
  2. O Rei Ptolomeu da Macedonia morre em batalha contra os gauleses, deixando assim o reino livre para ser reivindicado por Pirro.
  3. Continuar a empreitada contra os Romanos ao norte da Itália.

Pirro aqui opta pela primeira, expulsando facilmente os cartagineses da região sul e tomando a posse das cidades para si, a contraposto os Tarentios ficaram desgostosos com a posição já que Pirro fugiu de momento ao seu compromisso.

Após uma grande batalha em 277 a.C., Pirro ambiciona tomar conta agora também do litoral norte do continente Africano. Neste momento ele já possuía navios, mas não remadores, de modo que se tornou cada vez mais rígido com os povos ali presentes, a ponto de ter de abandonar a Sicília e ter de regressar a Itália em 276 a.C.

Neste interim, Pirro sofre uma perda no mar com um ataque repentino dos cartagineses, mas acaba alcançando finalmente a Itália. Os Romanos por sua vez reconquistaram todo o seu território e estava novamente cercando a cidade de Taranto. Ocorrera então em 275 a.C. a grande Batalha de Benevento onde Roma, que já possuía experiência contra as tropas Pirricas, principalmente em relação aos elefantes de guerra, vence apertadamente, expulsando assim Pirro da península Itálica, voltando, deste modo, ao Reino de Epiro na Grécia.

Rotas de Pirro.

A Vitória de Pirro.

Pirro foi um grande general naquele tempo, sendo considerado por Anibal como o segundo maior general da história antiga, atrás somente de Alexandre o Grande. Ele chegou a Itália com suas tropas e não recebeu mais reforço de suas terras, sozinho ele conquistou grandes vitorias e confiança, porém, seu exército cada vez mais se esgotava a ponto de já não ser mais equivalente a suas próprias ambições.

Entretanto, consciente disto, Pirro abandona seus planos na África e volta em auxilio de Taranto, e aqui sua irônica premunição ganha vida. A frase: “mais uma vitória como esta, e estou perdido” foi além em número, mas findou no “perdido” em sua concepção. Ele ainda retorna ao seu reino e conquista o lugar de Rei da Macedônia, porém, é morto em meio a seu objetivo novo de controlar o Peloponeso (Esparta).

Portanto, daqui em diante ao colocar a frase “A vitória de Pirro” o leitor saberá com satisfação toda sua origem, oferecendo certamente ainda mais vida a sua pronuncia. Que Pirro seja um bom exemplo para nossas vitorias diárias.

Referencias:

BEARD, Mary. SPQR Uma História da Roma Antiga. São Paulo: Editora Crítica

Diógenes Laércio, Vitae Philosophorum, Livro IV: https://www.scielo.br/pdf/archai/n25/1984-249X-archai-25-e02508.pdf

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Vitor Guerino

Me chamo Vitor Guerino P. de Oliveira, tenho 24 anos e resido na cidade de São Paulo. Graduando em história e estudante assíduo de filosofia - minha maior paixão - e política, estou sempre presente na vida acadêmica publicando artigos científicos relacionados bem como em seminários e entre outros estudos focados. Minha especialidade mora na História Antiga, bem como sua Filosofia. Sou também cursado em ciências políticas, fluente em inglês e atuo na área de pesquisas. Colunista do jornal Duna Pess.
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