Crônicas

A fábula do sapo na panela

De acordo com um mito popular (cabe aos biólogos a confirmação) se você colocar um sapo numa chaleira ou panela de água fervendo, imediatamente ele pula para fora, salvando sua vida.

Todavia, se você colocar o mesmo sapo numa chaleira (panela) com água fria, colocá-la sobre o fogo e deixá-la esquentando aos poucos, ele não percebe a mudança da temperatura, e acaba morrendo cozido.

Mas, por que será que o sapo não pula quando a água começa aquecer? Será que ele não sente que a água esquentou?

Vamos imaginar a cena e tentar analisar, simulando como seriam os “pensamentos” e comportamentos do sapo, enquanto a água vai esquentando:

– 28 graus – Hummm… Que água gostosa!

– 32 graus – É… a água está boazinha!

– 36 graus – Essa água está ficando sem graça, será que está esquentando? Bobagem! Por que a água iria esquentar? Deve ser impressão minha.

– 38 graus – Estou ficando com calor… Que droga de água… Ela nunca foi tão quente! Por que está esquentando?

– 39 graus – Essa água é uma porcaria! Melhor nadar em círculos um pouquinho até a água esfriar de novo.

– 40 graus – Essa água está muito quente. Hummm, que horrível! Vou voltar lá para aquele lado que estava mais fresco. Ou será que é melhor esperar um pouquinho?

– 42 graus – Realmente, essa água está péssima, quente de verdade. Tenho que falar com o supervisor das águas. Claro, eu podia pular fora, mas onde será que vou cair? Melhor esperar só mais um pouquinho.

– 43 graus – Santa Lucrécia das Lagoas! Será que eu tenho que fazer tudo por aqui? Já reclamei e ninguém toma uma atitude?

– 44 graus – Mas esse supervisor de águas não faz nada? Será que ninguém nota que a água está super quente? Vou esperar só mais um pouco…

– 45 graus – Se ninguém fizer nada eu vou fazer um escândalo: AIIII… QUE CALORRRR!!!!!!

– 46 graus – Acho que eu devia ter pulado fora quando tive oportunidade. Agora é tarde. Estou sem forças.

– 50 graus – Sapo morto. Hora do óbito: logo em seguida da procrastinação.

Esse “raciocínio do sapo” pode ilustrar bem um processo de mudança e como normalmente reagimos.

No mundo de hoje em que as mudanças de “temperatura” (contingências da vida) são tão corriqueiras, quem pensa como o sapo acaba perdendo oportunidades de mudar e crescer.

Muitos pensam que chaleiras são “spas”, mas são falsas zonas de conforto.

Você pode aplicar essa ilustração em inúmeras áreas de sua vida. Aliás, ao ler esse texto, é possível que você já esteja visualizando os campos em que se sente como que dentro de uma chaleira, aparentemente confortável, mas prestes a se queimar, perder oportunidades, deixar de se desenvolver como pessoa e até condenar sua existência.

Quais seriam essas áreas? Todas nas quais sua pessoa está inserida! Na sua comunidade, no trabalho, nos estudos ou no curso que está fazendo (ou deveria fazer); no namoro, noivado ou casamento; com colegas, com sua chefia; em sua religião ou igreja (não a fé, em si, mas, será que seu lugar de melhor desenvolver seus dons e missão de vida é ali mesmo?); o lugar onde mora, as coisas que escolhe para ler, músicas para ouvir, artes a contemplar; talvez aprender ler de forma diferente determinadas coisas, sons e “sabores”. Afinal, você foi criado para ser dinâmico, não estático!

Mas… (em espírito de reclamação), meu marido, minha esposa, meu chefe, a empresa onde trabalho, as pessoas com quem moro, as pessoas e costumes de meu ambiente religioso, minhas companhias sociais, minhas convicções políticas, as pessoas para quem dei meu voto… Em geral, parece que eles só me desprezam, ou me desvalorizam, não permitem que eu me desenvolva como pessoa, não acreditam em mim, não me dão oportunidade, não se importam comigo, não ligam pra mim! BINGO! Acabou de descobrir a América! É exatamente isso: Talvez, eles nunca mudem. Mas, como alguém já disse, quando o outro não muda, MUDE VOCÊ!

Em alguns casos, você precisará apenas de reprogramar a rota, continuando com o mesmo relacionamento. Em outras situações, as mudanças talvez tenham que ser mais profundas. É igual doença não tratada. Chagas, feridas e dores tendem a aumentar se nada for feito. Por vezes, uma simples alteração de dieta pode fazer grande diferença. Outras vezes, uma intervenção mais profunda e mudanças radicais sejam necessárias. Mas, para seu bem!

Qual a temperatura da água de sua chaleira? Está confortável aí? Cuidado: pode ser o grande engano para você se anular como gente e enterrar os dons e habilidades que recebeu para desenvolver na vida e fazê-los multiplicar!

Portanto, NÃO HÁ DESENVOLVIMENTO NA ZONA DE CONFORTO! Na mão contrária, se confirma: NA ZONA DE CONFORTO NÃO SE DESENVOLVE!

Vamos observar os dez principais motivos que nos levam a “permanecer na chaleira”, conforme os especialistas: O psiquiatra Phil Stutz e o psicoterapeuta Barry Michels, que escrevem periodicamente para a revista Psychology Today:

1 – Fugimos do tema. Evitamos a dor de enfrentar as questões com as quais precisamos lidar.

2 – Somos inclinados a pensar que o lugar ou situação em que estamos sejam os melhores do mundo, no comodismo de achar que nessa situação ou lugar não teremos “a chaleira fervendo para nos derreter”. Lá fora pode ser pior!

3 – Tememos o que desconhecemos. Cursos, mudanças, evoluções? Em vez de tentar, você tomará uma decisão: não fazer e se recolherá para o ambiente seguro e familiar que já conhece.

4 – Aturamos o desconforto. A zona de conforto também tem a ver com situações que até gostaríamos de mudar, “mas…”.

5 – Paramos facilmente no “sei o suficiente”. Na zona de conforto, é fácil acreditar que você não precisa se atualizar, aprender coisas novas, estabelecer rotina mais produtiva aos seus dons e talentos; nem mesmo mudar comportamentos e hábitos para se desenvolver mais, afinal, tudo o que você conhece e como é seu ambiente, já é exatamente como você confia ou aceita.

6 – Deixamos de evoluir porque fixamos o olhar no que já sabemos. Esse ponto está ligado ao anterior. Se você acha que já sabe o suficiente, qual o motivo para progredir?

7 – Desanimamos de evoluir com mais frequência. Caímos na zona de pânico, o medo de que as coisas saiam erradas. A ansiedade não permite bom raciocínio. As atividades aqui passam ser feitas sob estresse. É quando ocorre o abatimento e você acredita que não vai conseguir levar a ascensão adiante. Então, acaba voltando à estaca zero.

8 – Não ousamos sonhar mais alto. Por que não? Porque o medo do desconhecido ainda está lá. Mas sabe de uma coisa? Depois da zona de pânico, se você ousar ir além do que tem feito até agora, chegará à zona mágica: é a zona dos grandes desafios e realizações.

9 – A nossa motivação fica abalada. Encontramos desculpas para continuar onde estamos e fazer (ou não fazer) uma atividade. Dizem que quem não quer fazer uma coisa, apresenta desculpas para não fazê-la. O contrário é exatamente a mesma verdade: quem quer fazer alguma coisa, apresenta motivos para fazer e pronto. Isso também tem a ver com o tempo de “chaleira”. Quanto mais tempo você ficar preso ao que é familiar e seguro (desconfortável ou não), terá menos combustível para a sua motivação de promover mudanças. Surgirão os empecilhos: medo do fracasso; medo do que as pessoas vão falar; medo do ridículo; medo da vergonha.

10 – Imaginamos demais e fazemos de menos. No livro “Hábitos Menores, Maiores Resultados”, o autor Stephen Guise se dedica a um capítulo para nos ensinar a usar os mini-hábitos para expandir a nossa zona de conforto. A questão central é realizar mini-hábitos, um passo para fora dos limites do círculo. Pode ser menos confortável, mas ao continuar a pisar fora da sua zona de conforto, o seu subconsciente se sente confortável e seu círculo se expande.  Ou seja, você criou um mini-hábito. Guise afirma: “Depois de dar o primeiro passo, você está oficialmente em movimento”.

Admitir cada vez em que sua zona de conforto impede você de se desenvolver e evoluir é o primeiro passo para pular da chaleira, antes que ela o cozinhe e anule suas forças, capacidades, dons, talentos, e sua própria essência. Aplique esses conceitos nas áreas em que julgar mais impactantes para sua vida: às pessoas ao seu redor, aos queridos a quem ama, e sua convivência será melhor, por você estar “saindo da chaleira”, e se superando a cada dia, em constante ascensão. O verdadeiro reformador é aquele que está em contínua reforma!

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Dan Berg

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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