Nestas últimas semanas, a capital de São Paulo vem passando por uma série de errôneas decisões por parte de seus governadores, tanto vindas do Governador João Doria, quanto do prefeito da cidade, Bruno Covas. O intuito “aparente” de salvaguardar as vidas das pessoas esbarra na irrealidade destas decisões, tendo por fim um efeito que deveria ser de fácil premunição.

Semana passada Bruno Covas utiliza-se do transito para poder controlar uma pandemia, digo isto sem exageros. A ideia a princípio era de criar um rodizio a partir da combinação da numeração do digito final das placas dos carros para com os dias do calendário. Basicamente, se o final de sua placa for par, hoje, dia 22, você poderia ir trabalhar utilizando seu veículo, mas seria diferente se fosse ímpar.

O problema mor desta medida é a classe em questão que iria ser atingida. São Paulo vem rodando com cerca de 50% a 60% de sua população nas ruas, a outra porcentagem, a que está devidamente em quarentena, é por sua maioria das classes médias acima. Logo, a grande maioria das pessoas nas ruas trabalhando são das classes mais pobres.

Ou seja, a medida afetaria somente a pequena parcela que utiliza veículos para se deslocar a seus trabalhos, e ao atingir, tal pessoal não iria, em teoria, se trancafiar em casa, mas sim buscar outros meios de chegar a seu trabalho. A medida, portanto, apenas inflaria o transporte público que hoje já é escasso por conta da quarentena. O cidadão comum na semana passada viu somente mais pessoas dividindo o espaço nos ônibus e metrôs.

Nos dias 15/05 e 16/05 poucos obedeciam ainda estas leias. Observava-se nas ruas carros tanto de placas pares quanto impares. A população simplesmente ignorou tal medida no decorrer do dia, já que ela por si não corresponde à realidade de sua população. Vale repetir o dito acima, Covas buscou combater uma pandemia com uma medida de transito.

Não satisfeito, Covas em entrevista ao programa pânico na jovem pan culpou os cidadãos da capital de São Paulo pelo fracasso de sua obtusa medida. Incapaz de admitir o erro, lamentou a falta de colaboração das pessoas, não tendo outra escolha, decidiu pôr fim suspender o rodizio em questão.

Alteração do calendário cristão.

Mas as trepidas ideias vindas do mais isolado neurônio de nossos governantes não param por aqui. Nesta semana, João Doria e Bruno Covas decidem alterar o calendário cristão trazendo assim os feriados ao longo do ano para os dias subsequentes, começando no dia 20/05.

A ideia aqui é implantar um lockdown através dos feriados. Ora, se os paulistas tendem a ficar mais em casa em feriados e finais de semana, porque não trazer tudo para agora e assim salvar a vida das pessoas? Realmente, esperemos que não tenha sido exatamente este o pensamento.

O resultado desta nova empreitada foi, como é de se imaginar, negativo. As pessoas em sua vasta maioria continuaram a ir para os seus trabalhos, ignorando assim os feriados. O governo disse que subiu apenas 2% o número de pessoas em casa nestes dois dias passados. O mais cômico de tudo é que Doria comemorou o fato de os movimentos nas rodovias terem sido 35% inferiores em dias normais de feriado.

Será que ele não considerou que isto se deu por conta de as pessoas continuarem em seus trabalhos e desconsiderarem estes dias como feriados?

Todos nós tivemos estes 60 dias de quarentena para constatar que o nível possível de pessoas confinadas não passaria da porcentagem atual. As pessoas que podem, estão em casa, as que não, continuam indo para seus trabalhos, e isto não irá se alterar com leis como estas. O que aconteceu aqui foi uma amostra da incapacidade de gestão destes governadores frente a crises como estamos vivenciando.

O paulista continuará com sua vida normal, seja em casa se possível, ou no trabalho, tomando as precauções devidas já cientes por todos. O único modo de impedir isto, é ir mais ao extremo. A pergunta que fica é, vão eles optarem pelo lockdown e tentar parar completamente São Paulo?

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