Os Intelectuais e o consumidor comum

Os Intelectuais e o consumidor comum

A academia e a intelectualidade, chamados de acordo com o economista M. Rothbard de “intelectuais da corte”, são formadas por professores, especialistas e pensadores que compõem a massa crítica que influencia e direciona o pensamento de outros profissionais, que por sua vez vão escrever, palestrar, ensinar e servir de exemplo para a população como membros respeitados e considerados nas discussões dos assunto mais diversos.

Uma característica desta classe separada da população é seu preconceito e menosprezo por aqueles que estão abaixo de sua posição intelectual, pessoas comuns e simples, que se preocupam mais em cuidar das suas próprias vidas, seus trabalhos, suas famílias… em contraste com aqueles que querem ditar regras de comportamento e de pensar para os outros, pois acham que tem a missão quase divina de melhoria e transformação da sociedade.

Mises no livro As seis Lições mostra como Keynes, economista inglês, estatista e defensor da inflação (cujos ensinamentos são seguidos e adorados por 10 entre 10 economistas), expõem todo seu desprezo por aqueles que, segundo ele, são ignorantes e facilmente enganados. Defendendo que o estado aja interferindo no trabalho e nos salários, imprimindo dinheiro, mantendo os níveis salariais e inevitavelmente causando a inflação;

“Em 1936, em sua obra General Theory of Employment, Interest and Money, Lord Keynes diz ‘Se os trabalhadores não forem suficientemente espertos para perceber a desvalorização da moeda, eles não oferecerão resistência a uma queda dos níveis salariais reais, visto que os níveis nominais permanecerão os mesmos’. (…)

Num linguajar antiquado, Keynes propôs que se ludibriassem os trabalhadores. Em vez de declarar abertamente que os padrões salariais devem ser ajustados às condições do mercado (…), afirmou, na verdade: ‘O pleno emprego só pode ser alcançado se houver inflação. Ludibriem os trabalhadores’.

As mentes brilhantes da academia também agem em outras áreas além da área de ciências humanas, como é ocaso das ciências da saúde. Abaixo dois exemplos na área de alimentação sobre o que os formadores de opinião pensam a respeito aqueles que não são da sua classe.

1. Neste primeiro exemplo, preconceito e empáfia desses intelectuais se mostram nas declarações da advogada de um grande escritório de advocacia quando compara o consumo de pobre, ricos e da classe média e a relação da porcentagem de impostos aplicados a diferentes bebidas. Ela diz:

“Outro exemplo de como os pobres são mais penalizados é a tributação de bebidas alcoólicas. A cachaça é taxada em mais de 80%, quando a carga tributária das outras bebidas varia de 59% a 61%, respectivamente”.

Para a especialista, pobres consomem cachaça, coisa de pobre, enquanto outras classes são consumidoras de outras bebidas. Não, pobres não consomem vinho, cerveja ou até outras bebidas como refrigerante ou refresco, ou simplesmente são abstêmios, mas sim, eles são aqueles que “consomem cachaça”.  (Ignorando, mais uma vez, o fato de que certas cachaças principalmente as envelhecidas famosas que chegam facilmente a mais de 200 reais a garrafa.)

2. Em um segundo caso duas professoras pós graduadas da UNICAMP destacam em suas observações em uma artigo sobre a legislação de alimentos o ponto sobre Rotulagem Nutricional (tabela nutricional). Neste, elas destacam como vai ser difícil para os consumidores comuns chegarem ao ponto de usar de maneira útil essa informação, (notem o destaque delas nas palavras, mostrando a ironia de ambas autoras sublinhando dois termos abaixo);

“A ideia de tornar a tabela de composição química de alimentos acessível a população parte do pressuposto de capacitar as pessoas para terem autonomia para as escolhas alimentares e tornarem-se consumidores conscientes.”

e as mesmas concluem,

“Não é algo que se faça de um dia para outro, na realidade poderíamos dizer que é um projeto para gerações.”

Sim, para elas, serão necessárias gerações para que os ignóbeis consumidores lerem e interpretarem essas informações.

Informação Nutricional (Tabela Nutricional)

No tocante a esta último exemplo, vamos analisar se é mesmo necessário gerações de consumidores “ignorantes” para chegarmos ao objetivo da tabela nutricional presente no rótulo dos alimentos embalados ser uma ferramenta importante para facilitar e racionalizar as escolhas dos consumidores, e se orientações simples sobre a leitura da tabela nutricional podem ser feitas mostrando que esta é relativamente fácil de entender e interpretar.

Acompanhe o próximo artigo sobre tabela nutricional.

* P. Fernandes é farmacêutico e trabalha na inspeção de alimentos e medicamentos.

Imagem em destaque: Photo by Andre Tan

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