Arte

Alquimia pura: defina-me!

Meu físico é químico – Uma mão de verso, um dedo de prosa!

Quem já viajou para o interior do meu interior sabe que sou um tanto acetileno, mas dependendo da situação posso ser propanona. Aumento ou diminuo o pH de quem violar minha essência, a ponto de a pessoa sentir a boca amarrada como adstringente. Desidrato pensamentos medianos e lhes faço sentir os efeitos do isopropílico, até ouvir o grito de anidro! Minha luminescência incomoda muitos que, ao se depararem com minha simples fluorescência, sentem-se ameaçados e procuram meios infrutíferos para minha evaporação. Sou perito em fusão nuclear para transformar em gases nobres todos aqueles que caminham comigo, principalmente por não ser hidrofílico, mas pneumofílico, em atração constante do Espírito que capacita para autotransformação e permite auxiliar na transformação de meus pares.

Respeito a lei da conservação das massas, das proporções definidas, de Avogadro, do Direito, da natureza e do mundo espiritual, sabendo que, qualquer lei que seja quebrada produz consequências apreciadas ou detestadas. Sou de fácil amizade, por causa de minha liga covalente dativa ou mesmo a iônica; todos que se aproximam de mim percebem isso, e gosto de fazer amizades e ligações profundas e duradouras, principalmente enquanto ainda é possível no estado de matéria. Ah, sim, para esses queridos mais íntimos sempre serei metal de transição, forte e firme, excelente condutor de calor e eletricidade; para defesa de meus amigos e irmãos apresento pontos de ebulição muito elevados, sem deixar a cromia, compostos coloridos, causando sorrisos paramagnéticos e ações catalisadoras. A velocidade da reação depende da unidade estrutural de quem se aproxime. Essa termodinâmica é maravilhosa, desde que a pessoa não se espante com a entropia ou licantropia. Quando ocorrem aproximação e liberação molecular, certamente surge a evolução por transformação espontânea, do contrário, é soluto sem solução, quando poderia ser sublimação no léxico do sublime. Tenho por missão com meu semelhante o Princípio de Le Chatelier. Às vezes sou elemento; às vezes sou elétron, em plena fase de fenômeno químico, a gravimetria é quem dirá, através da IUPAC. Apenas sei que não aprecio a média, pois quem nela permanece é medíocre, ou monômero que pensa ser polímero. Por isso é aguçada minha observação quantitativa, pois ainda que possa me apresentar como mero quartzo, dependendo do spdf que me aborde, ou spin em que me encontre, nenhuma ação ou reação será percebida, uma vez que saberei repelir e sobrepujar, uma vez que sou quântico, etéreo e imortal.


Poema-prosa esboçado em alquimia, com termos científicos submetidos à Profa. Dra. Simone Jaconetti Ydi, validados em sua essência e significados técnicos, transmutados ao poético.


Carpe diem. Frui nocte!

Envie para quem você ama!

⁞Ð.β.⁞


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Dan Berg

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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