Equipe chegou a ficar próxima à zona de rabaixamento, mas garantiu o título após arrancada surpreendente

Há um consenso entre os corintianos de que o sofrimento é um elemento presente em seu amor pelo clube. Em 2001, durante a campanha que levou ao título paulista, não foi diferente. A equipe flertou com o rebaixamento, mas se superou e chegou à final, vencendo o Botafogo. Nesta quarta-feira (27), essa sofrida conquista completa 19 anos.

No ano anterior, o clube venceu um de seus principais títulos, até então, ao ser campeão do Mundial de Clubes. Porém, o início da competição estadual não foi nada agradável. O time do Parque São Jorge sofreu com uma sequência sem vitórias até a quarta rodada do Paulistão, quando enfrentou o rival Palmeiras, na estreia de Vanderlei Luxemburgo.

A campanha

O regulamento do Paulistão daquele ano contou com a novidade da disputa por pênaltis, caso a partida terminasse empatada. Com três cobranças para cada lado, mais as cobranças alternadas havendo a necessidade, os critérios de pontuação eram o seguinte: havendo o empate com gols, ambas as equipes somavam um ponto, porém a equipe vencedora levava mais um pela vitória. Em caso de empate sem gols, somente o time vencedor na disputa de pênaltis ganharia um ponto.

Com isso, logo em sua estreia naquela edição do campeonato, a equipe do Parque São Jorge testou o novo regulamento. O adversário era o Rio Branco e a partida terminou empatada em 3 a 3, no Pacaembu. Na disputa de pênaltis, o goleiro Gustavo defendeu as cobranças de Ricardinho e Luizão, garantindo o ponto extra para a equipe visitante. Na sequência, sofreu duas derrotas seguidas, para Ponte Preta e Portuguesa Santista. Por conta dos maus resultados a diretoria anunciou a demissão do uruguaio Dario Pereyra, que deixou o comando do elenco com apenas 11% de aproveitamento no estadual. Para seu lugar, chegava Vanderlei Luxemburgo.

A estreia do novo comandante foi contra o Palmeiras sob forte pressão da torcida. O duelo foi no Morumbi. O primeiro tempo do clássico terminou empatado com um tento para cada lado. Durante o intervalo, o técnico estreante não desceu com sua equipe para os vestiários, preferindo ficar no banco de reservas. A conversa surtiu efeito. Após cruzamento certeiro de Marcelinho, Scheidt fez o gol que deu os primeiros três pontos ao time corintiano. Apesar da vitória no Dérbi, não seria dessa vez que o Timão começava sua arrancada.

Foram mais três resultados negativos até ressuscitar no estadual. Perdeu para a Matonense por 2 a 1, na quinta rodada; em seguida, empatou com o São Caetano por 1 a 1, sendo derrotado nos pênaltis, por 3 a 1; e também perdeu para o Guarani, em Campinas. Desta forma, corria o risco de chegar à zona de rebaixamento, já que ocupava a 14ª colocação e as duas últimas posições na tabela, 15º e 16º lugar, seriam da zona da degola. O Corinthians estava à frente apenas de Matonense, e do lanterna Inter de Limeira, que seria o adversário da vez. O confronto foi em Limeira e o clube de Itaquera não vencia fora de casa há 11 meses.

Mesmo com o tabu, o time de Luxemburgo começava ali umas das maiores reações de sua história. O embate terminou 2 a 1 para os visitantes. Depois disso, acumulou uma sequência de nove vitórias consecutivas, garantindo a classificação para a segunda fase. Dentre essas vitórias, a mais marcante foi a goleada de 5 a 0 contra o Santos, no Pacaembu. Na última rodada da primeira fase, com classificação garantida, ainda perdeu para o São Paulo, que já estava eliminado.

Semifinal marcante

Em um dos confrontos mais marcantes da história do clássico, Corinthians e Santos se enfrentavam pela semifinal do Paulistão. Apesar da goleada sofrida, durante os pontos corridos, a equipe da baixada herdava a vice liderança do campeonato, três pontos a frente de seu adversário, que terminara em terceiro.

O primeiro confronto terminou empatado por 1 a 1, no Morumbi, com gols de Deivid para o time da Vila Belmiro e Ewerthon para o Timão. No jogo da volta, a vantagem do empate era santista, por conta da melhor campanha. Novamente o encontro era no Morumbi, dessa vez com mando do Peixe.

Aos 33 minutos de jogo, Russo faz jogada pela linha de fundo e cruza para Renato marcar de cabeça, abrindo o placar. Apenas um minuto depois, Marcelinho, que mais cedo havia perdido um pênalti chutando a bola na trave, recebe na entrada da área de costas para a defesa. O camisa sete consegue girar para cima da marcação e mandar uma bola que, caprichosamente, bate nas duas traves antes de entrar no gol de Fábio Costa.

O resultado classificava o Santos. Porém, no último lance da partida, Gil recebe pela esquerda e carrega até a linha de fundo. O atacante dá belo drible em André Luís e toca  na entrada da área para Marcelinho. O camisa 7 faz o corta luz para Ricardinho, que estava na altura da meia lua… O restante da história todos já conhecem. 

As finais

Depois da emocionante classificação diante do time da Baixada, o Corinthians tinha dois duelos contra o Botafogo, até chegar ao título. Entretanto, o campeonato foi decidido ainda no primeiro encontro da decisão. Apesar de todo o equilíbrio no primeiro tempo, em Ribeirão Preto, com um público de 50 mil pessoas, a etapa complementar foi toda corintiana.

Aos 14 minutos, falta na entrada da área a favor do Alvinegro. O Pé de Anjo vai para a cobrança e a bola toca no travessão e cai dentro do gol para abrir o marcador. Depois, mais uma vez Marcelinho estava lá e, para desalento do goleiro Doni, ampliou o resultado. Aos 30, após cobrança de escanteio, o capitão João Carlos cabeceou forte e fechou o placar por 3 a 0.

Dia 27 de maio de 2001, a torcida corintiana lotou o Morumbi com a certeza de título. O Corinthians podia perder por até três gols de diferença que levantaria a taça do estadual. Mesmo assim, o Timão cadenciou o jogo que terminou em um empate sem gols, chegando ao seu 24º título paulista. O craque Marcelinho foi o artilheiro da equipe, com 11 gols marcador.

Ficha técnica

Corinthians 0 x 0 Botafogo

Local: Estádio do Morumbi;
Data: 27/05/2001;
Público Pagante: 80.200 pessoas;
Árbitro: Edílson Pereira de Carvalho;
Cartões Amarelos: Gil (Corinthians); Douglas (Botafogo)

Corinthians: Maurício (Gléguer); Rogério, Scheidt (Fábio Luciano), João Carlos e Kléber; Marcos Senna (Gallo) André Luiz, Marcelinho Carioca e Ricardinho; Ewerthon e Gil.
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Botafogo: Doni; Bell, Augusto e Chris; Gustavinho (César), Douglas, Luciano Ratinho (Gauchinho), Róbson Nese (Chicão) e Jadílson; Leandro e Robert.
Técnico: Lori Sandri.

Foto: Alexandre Battibugli/Placar
Fonte: FPF

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