Suínos e Guerras: Quando porcos geram crises diplomáticas!

Suínos e Guerras: Quando porcos geram crises diplomáticas!

É pacifico entre todos os pensadores humanitários de que as guerras são desnecessários derramamentos de sangue e uma clara demonstração da estupidez humana, todavia, para os estudiosos bélicos, as guerras são muitas vezes a resposta inevitável para a resolução de disputas entre duas soberanias em conflito. Entretanto algo que ambas correntes doutrinarias hão de concordar, é o fato de que uma das guerras mais nonsense, que já ocorreu na história militar, foi um episódio intitulado de A Guerra do Porco. Que nada tem a ver com a figura suína que recentemente tem causado discórdia no meio político brasileiro.

O conflito deflagrou-se em junho de 1859, onde as Ilhas de San Juan, localizadas na fronteira entre Estados Unidos e Canada, estavam em disputa entre Inglaterra e Estados Unidos. Por este motivo, a ilha era habitada tanto por norte-americanos, quanto por britânicos, e neste cenário o americano chamado Lyman Cutlar, possuía uma propriedade rural onde vivia da agricultura, porém, sua plantação de batatas vinha sendo atacada por porcos. Diante disto, no dia 15 de junho, Cutlar avistou um porco de raça britânica devorando suas batatas, e insatisfeito com os prejuízos que vinha sofrendo, Lyman pegou sua arma e atirou no porco, matando o suíno. Pouco tempo depois, o proprietário do porco, um irlandês chamado Charles Griffin, que estava residindo na ilha como empregado na empresa Hudson’s Bay Company, companhia pecuarista britânica, tomou conhecimento do ocorrido.

Charles que permitia que os porcos de sua fazenda invadissem e vilipendiassem livremente as lavouras alheias, foi tirar satisfação com Cutlar, que não desejando inflamar indisposição com o irlandês, ofereceu a soma de dez dólares, como forma de compensar a perda do suíno. Charles entretanto, sentiu-se ultrajado com a oferta, e exigiu ser indenizado com a quantia de cem dólares, que não foi aceito por Lyman. Diante do impasse, onde Lyman ao orientar Griffin para que mantivesse seus suínos longe das plantações de batatas, o irlandês respondeu de forma arrogante, para que o ianque mantivesse suas batatas longe dos porcos, e acionou as autoridades britânicas exigindo a prisão de Cutlar pelo assassinato do porco. Diante da insegurança jurídica e da iminência de ter sua liberdade cerceada, Cutlar e os demais agricultores norte-americanos solicitaram apoio militar, onde foram prontamente defendidos pela 9ª Infantaria de Oregon.

Ao saber da instalação de forças militares americanas nas ilhas, o governo britânico enviou para lá navios de guerra com mais de dois mil soldados. Em replica a isso, o contingente americano foi reforçado com mais algumas centenas de homens e canhões. Todavia, em nenhum dos lados foi dada ordem de iniciar ofensivas, sendo ordenado que aguardassem as tropas inimigas atacarem primeiro, para iniciar o contra-ataque. Todavia, em decorrência do pequeno espaço terrestre do local, as tropas inimigas estavam próximas umas das outras e por isso era comum a troca de insultos entre americanos e ingleses, ambos os lados almejando desestabilizar o inimigo, para que fosse o primeiro a atacar. Porém nenhum dos lados iniciava a ofensiva. Ao tomar ciência da tensão e da iminência de deflagrar-se uma guerra, tanto autoridades norte-americanas quanto britânicas, imediatamente trataram de negociar um fim ao impasse, onde ficou acordado que ambas as forças permaneceriam na ilha, cabendo a parte norte de San Juan para os ingleses e a parte sul para os ianques. Ocorreu uma estagnação de doze anos, até que em 1872 sob arbitragem do Kaiser Guilherme I foi decidido o domínio da ilha em favor dos estados unidos, dando se fim a uma guerra onde nenhum tiro foi disparado, e não houve nenhuma baixa. Exceto a do porco indisciplinado, que foi o pivô da crise diplomática.

Diante disto, pode-se observar que não é de hoje que suínos vem disseminado ódio, invadindo furtivamente territórios rivais, causando destruição e deixando um legado de divisão, discórdia e disseminação de ódio.

Referências Bibliográficas:

– COLEMAN, Ernest C. The Pig War: The most perfect war in the history. The History Press. 2009.

– VOURI, Mike. The Pig WAR: Standoff at Griffin Bay. Discover Your Northwest. 2013.

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