Agricultura no Brasil se moderniza na década de 1970

Agricultura no Brasil se moderniza na década de 1970
Tractor cultivating field at spring,aerial view


Antes de 1970 o Brasil era um país predominantemente rural com a população em sua maioria estabelecida no campo. Essa realidade só mudou quando a grande parte da população se estabeleceu no meio urbano devido ao contínuo êxodo do campo para a cidade.

Carências como a fome eram mais acentuadas no campo por mais paradoxal que isso possa parecer. Teoricamente, quem está mais próximo da produção do alimento deveria ser melhor nutrido. Mas não há nada de paradoxal nisso, pois técnicas agrícolas ineficientes e precárias, baixa capacitação técnica, associadas as dificuldades das práticas da agricultura resultam no quadro de baixa produtividade e pobreza. É fato que os países mais atingidos pela miséria e pela fome são justamente aqueles em que a maior parte da população ainda é rural.

Seguindo o pensamento objetivo e técnico da época, e sob a cartinha do estado direcionador da economia e da sociedade, a nova realidade urbana do país a partir da década de 1970 estimulou a criação de órgãos e a elaboração políticas que visavam garantir alimento na mesa de todos os moradores da cidade, essa cada vez maior. Para isso estímulos no aumento e modernização da produção e incentivo na fixação do trabalhador no campo foram implementados.

O pensamento era simples, com mais mão de obra saindo da agricultura e indo para a cidade faltaria comida principalmente no meio urbano, então se se conseguisse manter os produtores no campo (contra sua vontade, e por isso seria necessário oferecer incentivos) reduziria a pressão sobre a carestia dos alimentos, que se mostrou clara na ápoca, como em 1973 principalmente com a carne e o leite.

Politicas para o campo e Revolução Verde

Assim, na década de 1960 foi instituído o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR), em 1964 estendeu-se para o campo a regras dos direitos trabalhistas da CLT, em 1970 foi criado o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), e em 1973 a EMBRAPA, essa para desenvolvimento de pesquisa e tecnologia no campo.

Mas as medidas estatais do governo militar não teriam o devido sucesso sem a implantação de forma intensa de maquinário, fertilizantes e pesticidas aumentando a produtividade da terra. Era a chamada Revolução Verde, chegando ao Brasil na década de 1970, essa resultou no crescimento exponencial da produção agrícola e transformou o Brasil de país importador para exportador de alimentos a partir da década de 1980. Assim, a intensificação do uso de tecnologia e de novas variedades para esse fim foram desenvolvidas e incorporadas nas práticas agrícolas.

A maior produção teve como resultado a queda no preço dos alimentos. Os preços ao produtor de produtos de origem animal caíram 51% entre 1980 e 1990; os de origem vegetal, 58%; os preços dos alimentos ao consumidor, 38%. No Brasil hoje a cesta básica custa a metade do que custava em 1975.

Com o aumento da produtividade, diminuição dos preços dos alimentos e aumento do acesso a eles, a fome considerada por definição como o consumo inadequado de calorias deixou praticamente de existir no país. As medidas antropométricas revelavam que a desnutrição deixou de ser um problema de grandes dimensões justamente na medida em que avançava a modernização agrícola, impulsionada principalmente pelo agronegócio.

Mas o cenário politico do país mudou, com a “redemocratização”, nova constituição federal de 1988 e a prevalência de pensamentos e politicas progressistas.

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