A parábola do sapo e o escorpião

A parábola do sapo e o escorpião

DA SÉRIE: CRÔNICAS DA REALIDADE

Certa vez um sapo chamado Adelfo, que vivia numa enorme floresta chamada Terra Brasilis, precisou atravessar o rio Aletheia.

Naquela época, a saparia revezava as tarefas comuns do grupo.

Era a vez de Adelfo buscar umas comidinhas do outro lado do rio Aletheia. Os sapos amigos ficaram numa margem, enquanto Adelfo tranquilamente nadaria até a outra banda, para trazer umas comidinhas para os demais.

Enquanto Adelfo se aproximava da margem do rio Aletheia, eis que lhe aparece no caminho um escorpião.

O escorpião se coloca na frente de Adelfo e rapidamente começa puxar conversa, se apresentando:

– Olá, caro amigo sapo, meu nome é Echtros, e eu sou um escorpião amigo!

Ao que Adelfo responde:

– Escorpião amigo? Desde quando? Ainda mais com esse nome que você tem. Você sabia que Echtros significa “inimigo”? Eu me chamo Adelfo, que significa “irmão”. Toda minha gente confia em mim e precisa de mim. Por isso tenho que atravessar o rio para buscar coisas importantes para o “meu povo”.

– Ah, sim. Respondeu Echtros. – Sei o que significa, sim, mas isso é coisa de pai e mãe…  Sabe, eles colocaram esse nome em mim, mas estou cansado dessa fama dos escorpiões, e estou até pensando seriamente deixar esse “pessoal”. Eu sou um escorpião do bem. Pra falar “a verdade”, eu sou praticamente um sapo, só que ainda tenho esse jeito aqui!

– ‘Tá certo, Echtros, mas o que você quer comigo?

– Bem, querido novo amigo Adelfo, eu preciso de uma carona para chegar até o outro lado do rio Aletheia.

– Mas nem a pau – Respondeu Adelfo. – Todo mundo conhece a fama e a natureza dos escorpiões. Vocês picam todo mundo de quem se aproximam. Aliás, nem sei porque estou aqui conversando com você e lhe dando espaço, tempo e oportunidade para me picar. Aposto que todos os meus amigos sapos vão achar que fiquei maluco.

Echtros, extremamente sagaz e ardiloso, emendou sem perder tempo:

– Que nada, Adelfo, isso é coisa que o povo fala. Não acredite nessas coisas. Eu já te falei que sou um escorpião do bem. Aliás, preciso apenas subir nas suas costas e ir para o outro lado, nada mais. Posso até defender você lá na frente! Você me ajuda, e pronto!

– E você acha que realmente sou louco, Echtros? Assim que estivermos no meio do caminho, você vai me picar e eu vou morrer. Você vai me matar em vez de me agradecer. Eu conheço a fama de onde você vem e o veneno de todo “seu pessoal”.

– De jeito nenhum, querido novo amigo Adelfo – falou o escorpião com voz forçadamente doce e falando quase como se fosse um sapo – Pense comigo: Se eu lhe picar, você vai afundar; assim, nós dois morremos! Use a inteligência, Adelfo: É do meu total interesse que você viva!

– Mas, é isso mesmo? – Perguntou Adelfo. Você vai ser meu amigo?

– É claro. Eu prometo ser bom! – Retrucou Echtros.

– Bom, sendo assim, eu concordo. Sobe aí nas minhas costas que eu te levo para o outro lado.

Porém, no final da travessia do rio Aletheia, que significa “verdade”, o pobre sapo Adelfo sentiu a mortal picada do escorpião Echtros.

Já agonizando, com o veneno rapidamente se espalhando por seu corpo, Adelfo se esforça, olha para o escorpião e lhe pergunta:

– Ma-ma-mas, Echtros, você não disse que era um escorpião do bem, que seria meu amigo, que queria deixar seu grupo de escorpiões… Eu confiei em você! Por que você fez isso, Echtros?

Então, com olhar já alterado para algo extremamente maligno, Echtros responde:

– Porque essa ainda é a minha natureza, caro “amigo” Adelfo, e eu não consigo mudá-la! Aliás, aproveite sua última olhada para mim e escute: Eu sou um escorpião! Muito obrigado pela carona!

Se esticando para alcançar a margem, Adelfo simplesmente deitou e morreu. Seu “povo” sofreu terrivelmente por sua morte.


MORAL DA HISTÓRIA: Ah, seria muita pretensão de nossa parte descrever os paralelos e significados dessa obra com a vida real. Melhor terminarmos com a pergunta que provoca o leitor a ter suas próprias conclusões:

Em qual cenário você percebe que melhor se encaixa a “história”? Em certas cenas políticas dos últimos dias? No seu trabalho, com certos “colegas”? Em sua casa, com aqueles “parentes” que não são tão familiares? Com certas pessoas de sua comunidade? Em sua igreja ou local onde desenvolve seus serviços espirituais, religiosos, culto, liturgia? Em sua escola ou ambiente acadêmico? Onde mais?

Bem, se já conseguiu visualizar algum local onde se aplica, parabéns, você acaba de chegar às suas próprias conclusões, que “são infinitamente melhores do que viver com as conclusões dos outros”.

Para não desanimar, lembre-se: “Um irmão nem sempre se tornará em verdadeiro amigo. Mas, um verdadeiro amigo sempre se tornará em irmão!” (paráfrase de Benjamin Franklin). Você conhecerá pessoas assim, nas duas situações, vez após vez durante toda a vida!

Rasputin e a Sétima Arte advertem: “Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.” 

Este artigo foi reescrito com base nas mais diversas versões que existem sobre o assunto, não pretendendo, jamais, ser inédito. Original é sua aplicação a cada um que o lê. Nele, vemos o cumprimento das palavras do sábio Salomão: “O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol”. (Ec.1:9 – NVI)

CRÔNICAS DA REALIDADE são parte integrante da coleção de contos e parábolas de Dan Berg, narrando figuras de linguagem que fazem o leitor associar aos elementos da realidade, com verdadeiras lições para a vida.


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