O Fim de um Filosofo e Político: Morte de Cicero e da Res-pública

O Fim de um Filosofo e Político: Morte de Cicero e da Res-pública

Tal como muitas pessoas, muitos filósofos tiveram seus últimos dias em vida de forma trágica e marcaram, com isso, a nossa história, como por exemplo a de Sócrates que após ser condenado tinha a sua frente a escolha de se suicidar com veneno, ou de se exilar e perder toda a sua memória para a posteridade. Ou também a de Friedrich Nietzsche que acabou por perder sua sanidade mental, sendo fadado assim a loucura. Neste artigo iremos tratar dos últimos dias que se sucederam a morte do filosofo e político Romano Cícero e quais foram suas consequências.

Mas antes que prossigamos, gostaria de recomendar ao leitor duas outras leituras de minha autoria que está relacionado diretamente com Cícero, os links estarão logo abaixo deste texto.

Busto de Cìcero,  Musei Capitolini, Roma, Italia

Vida após eleição a Cônsul.

O filosofo Cícero vivenciou os últimos dias da república romana que tanto defendera, quando nomeado a Cônsul, um de seus atos mais sublimes foi a defesa das instituições do Estado contra as intenções de Catilina, que por sua vez, buscava criar uma verdadeira revolução. Mas tais intenções não terminavam aqui, elas o rondariam sempre enquanto ainda estivesse em sua vida pública.

Em 60 a.C., o general e político Júlio César convidou Cícero para ser o quarto membro de uma aliança que incluía os nomes famosos de Pompeu e também de Crasso. O intuito era de os quatro comandar Roma sem a influência do Senado. Cícero por sua vez recusou o convite por suspeitar que suas intenções iam contra as instituições republicanas.

A união de Júlio César, Pompeu e Crasso deu início ao Primeiro Triunvirato, aqui se iniciara o princípio da grande ruptura que Roma viria a passar. Era nas ações destas três figuras que se refletia a costumeira ambição romana pelo poder.

Com a negativa de Cícero, o filosofo então se viu livre desta empresa, porém fora logo posto em exilio por conta de uma manobra política de seu rival Públio Clódio Pulcro.

Clódio criou a lei Leges Clodiae que colocaria em exilio qualquer cidadão que tenha executado outro cidadão sem os devidos processos legais. Esta manobra era claramente contra Cícero que havia executado os envolvidos na conspiração de Catilina. Em 58 a.C. o filosofo era então exilado de Roma.

Cícero ficou depressivo, mas seu afastamento não duraria muito. No ano seguinte, em 57 a.C., Tito Ãnio Milão que fora recém-eleito rapidamente revogou a lei, o único que votou contra esta revogação fora o próprio Clódio. O filosofo desembarca novamente a Roma e é ovacionado pela população.

Júlio César
Estátua no museu do Louvre

Longe da Política.

Após retornar a Roma, Cícero tentou voltar a vida pública, porém foi sufocado por algumas leis de Júlio Cesar. Sem poder retruca-las, Cícero passa a apoiar o Triunvirato e decide viver uma vida mais afastada dos conflitos que se passava. Foi neste período, entre 56 a.C. e 50 a.C., que o filosofo deu vida as suas obras literárias.

 Em 51 a.C. relutantemente o Cícero se torna então governador da Cilícia (perto da atual Turquia) e ao lado de seu irmão Quinto ambos passam a governar a localidade de forma mais livre, longe do caos de Roma.

Enquanto isto o Primeiro Triunvirato se desintegrava cada vez mais após a morte de Crasso e os conflitos sucessivos entre Júlio Cesar e Pompeu.

De volta a Roma.

Os atritos entre Pompeu e Júlio César se intensificavam cada vez mais. Cícero, por sua vez, era favorável a Pompeu pois acreditava que este era um defensor do Senado de Roma, porém era discreto quanto a isto, se mantinha afastado de quaisquer desavenças com Júlio Cesar.

Em 49 a.C. Júlio Cesar invade Roma após a conquista da Gália. Ao lado de outros senadores, Cícero deixa a capital e se junta a Pompeu em Farsalos, na Tessália. Irrompe então a grande Batalha de Farsalos em 48 a.C. onde os dois grandes generais se enfrentam. Júlio César sai vitorioso sobre Pompeu e volta para a capital triunfante.

Cícero volta timidamente a Roma mas é logo perdoado por Júlio Cesar. O filosofo tem ainda esperança de que o novo líder restaure a Republica que no momento se mantinha a parte do cenário romano.

Se passam quatro anos sob o domínio de César, e para Cícero e muitos outros senadores este mando não passava de uma tirania. Em março de 44 a.C. os liberatores (que era um grupo de senadores que conspiravam contra César) assassinam Júlio César. Sob facas escondidas em suas túnicas, todos ali presentes esfaquearam-no de todas as formas possíveis como em um desabafo de rancor e vingança. Para eles, tudo aquilo não se tratava de um golpe de Estado, mas sim de um tiranicídio.

Cícero não tinha conhecimento do que viria a acontecer a Júlio César, mas os conspiradores sabiam de sua simpatia e o aclamaram para que este restituísse a República novamente. Apesar de sua popularidade, um entrave ainda existia contra ele e os demais senadores, e era Marco Antônio.

Otáviano, Primeiro Imperador de Roma – Augustus of Prima Porta, museu do Vaticano

Res-pública vs Triunvirato.

Cícero era então a principal voz do Senado, e a contrapartida o general Marco Antônio se tornara Cônsul e principal executor dos desejos do falecido Júlio César. O general era fiel a César e tinha sobre ele uma sombra de um desejo de vingança que não deixava longe das vistas dos demais romanos.

O intento de Marco Antônio era o de dar poder ao herdeiro de Júlio César, Otaviano, seu filho adotivo. Cícero tentara como podia joga-lo contra o general até chegar ao ponto de entoar 14 discursos contra Marco Antônio que ficou conhecido como Filípicas.

Entretanto Cícero falhara terrivelmente e Otaviano, Marco Antônio e Lépido (aliado de Júlio César) deram início ao Segundo Triunvirato que por sua vez tinha como objetivo governar Roma com poderes ainda mais consulares que o primeiro.

A aliança criara proscritos ao qual incluíra políticos contrários ao triunvirato, e Cícero fazia parte deles.

 Ele fora a pessoa mais cassada dentre todos os nomes listados e em 43 a.C. Cícero é capturado e assassinado.

Por mais que Otaviano tenha permitido esta cassada, o assassinato de Cícero possuía uma assinatura quase que única de Marco Antônio. Sua morte fazia parte da grande vingança, não de Júlio César, mas sim dos próprios interesses do general.

Como já dito acima, Cícero não chegara a ver o fim da república romana pois dera sua vida para defende-la. Os principais conspiradores do assassinato de Júlio César se refugiaram na Grécia, e semelhante ao acontecido no primeiro Triunvirato com as desavenças cada vez mais inflamáveis entre Pompeu e César, Antônio e Otaviano odiavam-se cada vez mais.

Em 31 a.C. acontece a Batalha de Áccio onde as duas forças se chocam. Otaviano se faz vitorioso e Marco Antônio se suicida após estes acontecimentos. Roma estava livre para Otávio e em 27 a.C. ele é nomeado a Augusto e aqui se inicia o Império Romano.

Leia também:

Sobre Octaviano Augusto

Referencias:

BEARD, Mary. Luis Reyes Gil. S.P.Q.R: Uma História da Roma Antiga. São Paulo: Editora Crítica Ed 1.

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