Muitas das vezes, textos chegam a mim passado por outras pessoas de meu convívio ou nos movimentos conservadores que participo – Soberanistas e Movimento Avança Brasil. Este que publico abaixo veio assinado por SValenca Paulo. Como tenho a autorização para a publicação e como o texto nos mostra que as vezes a história pode ser generalista de mais e esquece das exceções, vou publicar uma dessa exceções sobre Hans Münch – a única pessoa absolvida da acusação de crimes de guerra no Julgamento de Auschwitz, realizado em 1947 na Cracóvia. 

Hans Münch – O médico e bom homem de Auschwitz.

“Eu gostaria de mencionar alguém em quem não se pensaria. Esse homem era um membro da Waffen SS, na Segunda Guerra Mundial. Foi até médico no infame Campo de Concentração de Auschwitz, e era membro do NSDAP (o Partido Nazista).

Hans Münch nasceu em 1911, na Baviera. Depois de se formar na escola secundária, entrou no curso de Medicina e estudou na Universidade de Munique. Enquanto cursava a faculdade, ingressou na NSDStB (Liga dos Alunos Nazistas, em termos leigos). Em 1937, tornou-se membro do Partido Nazista e se formou médico em 1939, bem na hora do evento mundial que todos conhecemos.

Ele tentou se alistar como soldado na Wehrmacht, mas, por ser médico, foi recusado, porque seu trabalho no país era considerado importante demais. Sua sorte mudou em junho de 1943, quando ele foi recrutado como cientista para a SS. Ele foi enviado para o chamado “Instituto de Higiene”, conduzindo pesquisas bacteriológicas a menos de cinco quilômetros de Auschwitz. Ele até trabalhou ao lado de Josef Mengele, com quem todos estamos familiarizados.

Como todos os outros médicos da SS, ele participava das famigeradas “seleções” nas quais os médicos pinçavam os prisioneiros a serem submetidos a experimentos, os que seriam colocados para trabalhar, ou executados. Um movimento da mão, direita ou esquerda, poderia determinar a vida ou a morte de inúmeros homens, mulheres e crianças.

No entanto, Münch se recusou a participar disso. Ele sustentou seu Juramento de Hipócrates e, desafiando superiores e colegas, recusou-se a enviar pessoas inocentes para a morte. Nenhum outro médico em Auschwitz fez isso. Ele ficou sozinho.

Em toda oportunidade que teve, ele secretamente ajudou os prisioneiros, fosse dando-lhes restos de comida discretamente, fosse atrasando-lhes as execuções ao interferir em documentos, fosse arranjando-se com outras medidas.

Com o prosseguimento da guerra, Münch foi continuamente forçado a realizar experimentos em humanos, para não ser julgado por insubordinação e potencialmente executado. No entanto, mesmo quando forçado, ele desafiou as ordens. Em vez de realizar experiências horríveis e brutais, como faziam os outros médicos, ele, sempre que possível, realizava as cirurgias minimamente prejudiciais e menos invasivas que podia, muitas vezes relatando-as como muito mais. Ele também “experimentou” em muitos presos que haviam sido, por falta de um termo melhor, “jogados fora” por outros médicos, a fim de salvá-los, pois as “cobaias” que tinham sobrevivido à utilidade aos olhos dos médicos geralmente eram alvejadas e eliminadas.

Ele continuou isso durante a Guerra, até que o Exército Soviético começou a se aproximar de Auschwitz-Birkenau, e as SS fugiram do campo. Em um de seus atos finais em Auschwitz, ele se aproveitou do caos para fornecer um revólver ao doutor Louis Micheels, um prisioneiro judeu holandês, para ajudá-lo – e a outros – a escapar.

Ele foi capturado quando a Guerra terminou e foi preso em um campo de internação americano, depois de ser identificado como um médico de Auschwitz. Em 1946, foi extraditado para a Polônia para ser julgado.

Graças ao testemunho de muitos prisioneiros, em 22 de dezembro de 1947, Münch foi absolvido de todas as acusações, não só porque ele não cometeu qualquer crime de dano contra os prisioneiros do campo, mas porque tinha uma atitude benevolente em relação a eles e os ajudou, quando os tinha sob a própria  responsabilidade. Ele fez isso independentemente da nacionalidade, raça e origem religiosa e convicção política dos prisioneiros. Ele foi o único de 41 acusados ​​a ser absolvido.

Em 1995, no 50º aniversário da libertação de Auschwitz, o idoso Münch viajou de volta aos terrenos sagrados, tendo sido convidado por Eva Kor, a sobrevivente dos infames gêmeos de Mengele. Lá, ele assinou uma declaração pública, reconhecendo o que aconteceu e afirmando que as atrocidades cometidas naquele lugar nunca deveriam ser repetidas. Ele também disse isto sobre a negação do Holocausto:

“Quando alguém diz que Auschwitz é uma mentira, que é uma farsa, sinto hesitação em dizer muito a ele. Eu digo, os fatos são tão firmemente determinados, que não se pode ter nenhuma dúvida, e eu paro de falar com essa pessoa porque não adianta. Sabe-se que qualquer um que se apega a tais coisas, publicadas em algum lugar, é uma pessoa malévola que tem algum interesse pessoal em querer enterrar em silêncio coisas que não podem ser enterradas em silêncio.”

Nos seus últimos anos, Münch aposentou-se no sul da Alemanha, onde morreu aos 90 anos, em 2001.

E assim termina a história do bom homem de Auschwitz.

Que a história sorria para este homem.”

Podemos retirar da lama, muitas das vezes, uma bela flor de Lótus, mas, não podemos tirar da alma humana a lama que existe nela. Mesmo emborcado na lama uma alma limpa não se suja com a lama ao seu redor.

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