Com operação do Einstein, o HMCamp finaliza operação com mais de 1.212 altas hospitalares e taxa de sobrevida de 99,8%.

Em 06 de abril, a abertura do Hospital Municipal de Campanha do Pacaembu (HMCamp), na cidade de São Paulo, delineava mais um capítulo na história da pandemia do novo coronavírus no Brasil. O início das suas operações representou um marco importante na resposta para o enfrentamento da covid-19 no país, pois foi a primeira estrutura neste formato em território nacional cuja missão era desafogar o sistema de saúde, servindo de exemplo a iniciativas semelhantes que surgiriam em outros estados. Construído em caráter emergencial em apenas 10 dias, o espaço de 6,3 mil m² destinava-se a receber pacientes suspeitos ou confirmados de covid-19 de baixa à média complexidade, encaminhados após avaliação em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) do município.

Diante do desafio de desenvolver algumas ações na tentativa de mitigar a pressão por internação de pacientes nos leitos dos hospitais municipais, a Prefeitura de São Paulo em conjunto com a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein decidiu por replicar um modelo já utilizado no exterior, que era a criação de hospitais de campanha. Estes locais recebem pacientes que não devem permanecer em casa, mas que também não precisam ficar internados em um leito de hospital tradicional, que deve ser reservado aos casos mais graves. Para executar o projeto com a agilidade que o momento exigia, contou-se com a atuação da Progen Engenharia, que é controladora do consórcio Allegra Pacaembu, para a execução das obras.

Em pouco mais de uma semana, o HMCamp estava pronto para começar a funcionar. O hospital de campanha ocupa todo o gramado do Estádio do Pacaembu e é formado por duas tendas. Em seu interior, os 200 leitos, sendo 8 de estabilização – ou seja, com estrutura para cuidados intensivos, ficam divididos em 10 enfermarias com 20 leitos em cada uma. Para a operação, foi necessária a dedicação de 588 profissionais, que compunham um time multidisciplinar com médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, farmacêuticos, biomédicos, fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos, além do envolvimento de áreas diversas, como o administrativo, limpeza, logística e segurança.

Segundo o prefeito Bruno Covas, desde o dia 1º de junho a taxa de ocupação dos leitos dos hospitais de campanha e enfermaria geral na cidade de São Paulo vem caindo. “Então, estamos há quatro semanas de queda nessa taxa. Já os últimos 10 dias a gente está abaixo dos 50%. Então, isso dá tranquilidade de fechar os 200 leitos do Hospital Municipal de Campanha do Pacaembu, até porque é importante lembrar, nós temos 900 leitos no Anhembi que podem ser disponibilizados”, explica.

O custo inicial previsto para o Hospital Municipal de Campanha do Pacaembu era de R$ 28,6 milhões, já incluídos tanto o investimento como o custeio. Deste valor, o custo final vai ser de R$ 23 milhões. “Se a gente dividir esses R$ 23 milhões pelas 1.500 internações que tivemos, vamos chegar a um valor de R$ 15,3 mil que foram gastos em cada internação, que salvou 99,8% das pessoas que por lá passaram”, informa Covas.

O Albert Einstein, a OS que administrou aquele espaço, vai doar para a Prefeitura de São Paulo tosos os equipamentos que lá utilizaram. O custo desses equipamentos é de R$ 7 milhões. Além de a Prefeitura ter gasto os R$ 23 milhões, ela está recebendo agora, de doação do Albert Einstein, R$ 7 milhões em equipamentos que vão ajudar a equipar e melhorar os três Hospitais Municipais que ficam no fundão da Zona Leste, de São Miguel, da Cidade Tiradentes e de Itaquera, exatamente porque lá se concentram quatro dos distritos com maior mortalidade pelo coronavírus na cidade de São Paulo.

Os equipamentos são: 15 ventiladores mecânicos, 40 monitores, 15 desfibriladores, 80 glicosímetros, 30 oxímetros, 16 camas de UTI, 10 camas hospitalares, 20 macas, 50 mesas de alimentação, 50 cadeiras higiênicas e 250 colchões.

Vidas salvas como a maior vitória

Desde a sua inauguração em 27 de abril de 1940, o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho é um patrimônio da cidade e faz parte da vida da população de São Paulo. Acostumados a presenciar grandes eventos no local, principalmente os jogos de futebol, os paulistanos não poderiam imaginar que o Pacaembu completaria 80 anos num cenário absolutamente excepcional: sediando um hospital de campanha sobre o seu gramado.

Apesar do ineditismo, pode-se contabilizar uma grande vitória nesta jornada de combate à epidemia do novo coronavírus na capital paulista. Desde a inauguração (06/04), foram recebidos 1.508 pacientes, 405 utilizaram a sala de estabilização (estrutura de terapia intensiva), sendo que 91 necessitaram de intubação para ventilação mecânica. Do total de casos que passaram por lá, 54% eram do gênero masculino e 51% idosos, com taxa de sobrevida de 99,8 %, já que ocorreram somente 3 óbitos. Com tempo médio de internação de 5,2 dias, 1.212 já tiveram alta hospitalar.

No decorrer destes mais de três meses de operação, o HMCamp do Pacaembu foi ganhando iniciativas voltadas à humanização no cuidado com o paciente. Uma das implementadas foi o contato por vídeo entre a pessoa internada e seus familiares, resultando em 713 vídeo-chamadas. Ao total, foram 11.129 ligações telefônicas e boletins médicos fornecido aos parentes.

Com o encerramento das atividades no Hospital Municipal de Campanha do Pacaembu no dia 30 de junho, pode-se considerar que este projeto deixa como legado para a cidade de São Paulo e o sistema de saúde público muitas vidas salvas e pacientes vitoriosos, que só puderam vencer a covid-19 com o apoio e a dedicação da equipe orientada por garantir a qualidade, a segurança e a humanização no tratamento.

“A decisão que o prefeito tomou junto com a equipe de saúde foi que nós deveríamos, nesta etapa da pandemia, investir ainda mais nas estruturas que vão ficar definitivamente para a cidade. O legado que vai ficar para a cidade. Então reduz-se os equipamentos que são transitórios, que cumpriram um papel e passa-se a investir, nesta fase final, em equipamentos que ficarão como legado da pandemia na cidade”, aponta o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido.

Foto: Reuters
Fonte: Prefeitura de São Paulo

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