Rede Ebserh registra emoções diárias no combate a pandemia

Rede Ebserh registra emoções diárias no combate a pandemia

Brasília (DF) – No final de 2019, um novo coronavírus, batizados de Sars-CoV-2, surgiu na cidade de Wuhan, na China. Pouco mais de seis meses depois, a pandemia de Covid-19 já deixou milhões de pessoas doentes. Famílias separadas e isoladas, cidades fechadas e mudanças radicais de hábitos de higiene pessoal foram algumas das consequências da pandemia, que também alterou diretamente o dia a dia de profissionais da saúde.

O momento tristemente histórico aguçou a sensibilidade de alguns desses profissionais, que passaram a registrar, por meio de fotografias, o novo cotidiano dos hospitais, que buscavam se adaptar às necessidades percebidas nesse contexto para preservar a saúde dos profissionais ao mesmo tempo em que cada detalhe no atendimento passou a ser um imenso diferencial entre a vida e a morte para os pacientes contaminados. Na Rede Ebserh, relatos emocionantes de perdas e de dor, mas também de determinação alegria e superação estão sendo contados pelas lentes de profissionais assistenciais, que perceberam estar participando ativamente da construção de uma parte importante da história da humanidade.

São histórias de gente comum, com perdas e vitórias, como a que foi registrada pela câmera da fisioterapeuta Marília Quinderé, que há quatro anos atua no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC-UFC/Ebserh), em Fortaleza (CE). “Uma história me marcou profundamente. Um paciente me contou que estava cumprindo o isolamento social de forma rígida, porque sua esposa era asmática. Mas no Dia das Mães, passou no supermercado e foi para a casa da sua mãe, comemorar com ela. Dias depois, ambos apresentaram sintomas de Covid e foram encaminhados para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A mãe permaneceu por lá e ele foi transferido para o HUWC. Lá, ele soube da morte de sua mãe. Ele me contou sua história de forma serena, porém com um sentimento de culpa muito grande. Dias depois, me chamaram para fotografar a sua alta. Foi um momento de grande emoção”, confidencia.

Gritos do silêncio

Foto: Cristina Salles e Marcelo ReisO registro mudo de uma câmera fotográfica jamais se ensurdece frente a todos os “sons” captados em cada clique. Essa sinfonia de imagens resultou no trabalho “Orquestrando o silêncio”, realizado pela médica Cristina Salles, que há cinco anos atua no Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-UFBA/Ebserh), em Salvador (BA). “Ao documentar o momento de uma unidade de atendimento da Covid-19 sob o olhar da equipe envolvida, às vezes eu tinha a impressão que estava fotografando a alma, ‘orquestrando o silêncio’ de cada um, cada movimento de mão, de cabeça, cada olhar”, conta.

Quem atende os pacientes com Covid-19 não é imune ao coronavírus. Muito pelo contrário, está mais tempo em contato com risco da contaminação, risco esse que os profissionais buscam minimizar com a utilização de equipamentos de proteção individual e rigorosos protocolos de segurança. Mas infelizmente, o resultado positivo pode ocorrer, como registrou Cristina. “Uma médica da linha de frente de outro departamento chegou com sintomas para fazer exames, paramentada, silenciosa. Só os olhos falavam, como se estivessem implorando por um resultado negativo. Que olhar expressivo tinha naquele rosto, como se estivesse escrito ‘eu sei o que é covid-19’! Fez-se um silêncio ensurdecedor, naquele momento”, lembra. O resultado realmente foi positivo, mas felizmente a colega de profissão já se recuperou.

Humanização e arte

Foto: Mariana Lucas“A arte é uma das ferramentas mais transformadoras da sociedade e deve ser utilizada o máximo possível para o bem”. A frase da assistente administrativa Mariana Lucas, que há três anos atua no Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. (HU-Furg/Ebserh), em Rio Grande (RS), mostra a preocupação e sensibilidade em fazer e compartilhar ações positivas, mesmo em tempos de pandemia, quando muitos, infelizmente, tendem fechar os olhos para o próximo.

Formada em artes, além da paixão pela fotografia Mariana desenvolve outras atividades artísticas na brinquedoteca do hospital. “Apoio trazendo grupos artísticos de teatro, mágica, dança. Com a pandemia, criei dois livros de histórias infantis: um sobre o coronavírus e outro sobre o medo das crianças na hora da hospitalização. Também participei de uma campanha de arrecadação de brinquedos, juntamente com as educadoras físicas e terapeutas ocupacionais, para poder transformar o leito de cada criança em uma mini brinquedoteca, já que elas não podem sair dos quartos”, enumera Mariana.

Mas foi a fotografia da artista que flagrou os detalhes da equipe assistencial, em um misto de emoções. “Percebi uma mistura de angústia pelo que virá (incerteza) e de comprometimento e satisfação em ajudar os pacientes”. E também registrou histórias de pacientes, com finais tristes e felizes. “No primeiro dia em que fui fotografar, o HU recebeu uma senhora com Covid. Ela estava internada na Santa Casa, mas como a tomografia de lá estava com problemas, veio para fazer o exame aqui. Creio que foi a primeira pessoa que faleceu na cidade. Também fotografei a primeira rio-grandina a se curar, que estava muito emocionada e feliz, no exato momento em que entrava mais um caso de Covid no hospital, uma outra senhora, ofegante, passando muito mal”, lembra Mariana. São os altos e baixos típicos de um momento tão complicado.

Antes e depois

Foto: Ary BassousA arte superando o medo durante a pandemia também marcou o cirurgião geral Ary Bassous, que atua há 29 anos no Hospital universitário Antonio Pedro (Huap-UFF/Ebserh), em Niterói (RJ). O médico se comoveu com a história de um colega da equipe de enfermagem, Silvio Ribeiro, que, após lutar pela vida no CTI, entubado em estado grave, conseguiu vencer a Covid-19 e teve alta. “Ele é um trompetista, toca trompete. Aí eu fiz uma foto da secretária da emergência, que é o setor em que ele trabalha, segurando o celular com uma chamada de vídeo dele, tocando trompete. Eu gostei muito dessa imagem, porque o Silvio é uma pessoa extremamente querida, que passou por um quadro bem grave e conseguiu ter alta. Eu acho que esse quadro é muito emblemático, é muito emocionante” conta Bassous referindo-se ao colega.

Dentre os diversos momentos eternizados em suas fotos, o cirurgião lembra do início da pandemia, quando havia uma sensação de insegurança, misturada com medo do que estava por vir. “Eu tentei capturar [com as fotos] o trabalho difícil, técnico e a dedicação dos funcionários. O medo de ser contaminado, de ver aquele caos que aconteceu na Itália, nos Estados Unidos. Medo, inclusive, de contaminar seus familiares. Eu por exemplo, saí de casa, porque a minha esposa tem um problema pulmonar. No Antonio Pedro, teve casos mais graves, inclusive com morte. Mas as coisas foram evoluindo, então assim se criou um ambiente mais seguro”, conta Ary, que teve seu trabalho fotográfico reconhecido pela National Geographic, onde contou parte de sua história e do dia a dia de uma equipe assistencial.

O momento é histórico, a dedicação dos profissionais de saúde tem sido reconhecida e os flagras das câmeras fotográficas registram a ocasião. Mas o que todos querem, ao final, é clicar o momento da descoberta de uma vacina ou da cura para esse mal. Seria sonhar demais com a possibilidade de fotografar ambos?

Atuação da Rede Ebserh

Além do apoio ao ensino, formação e capacitação das equipes assistenciais, a Rede Ebserh implementou o Comitê de Operações Especiais (COE) para definir estratégias e ações em nível nacional para o enfrentamento da pandemia. Desde os primeiros anúncios sobre a Covid-19, a Rede Ebserh tem trabalhado em parceria direta com os ministérios da Saúde e da Educação, com participação nos COEs desses órgãos, e tendo como diretrizes o monitoramento da situação no país e em suas 40 unidades hospitalares.

Tem atuado na realização de treinamento de funcionários da Rede, promoção de webaulas, definição de fluxos e instituição de câmaras técnicas de discussões com especialistas. Promoveu processos seletivos emergenciais com a possibilidade de contratação de aproximadamente 6 mil profissionais temporários para o enfrentamento da pandemia

Também disponibilizou R$ 274 milhões para ações contra o coronavírus, recursos do Ministério da Educação (MEC) liberados pela Ebserh de acordo com a necessidade e urgência de cada unidade hospitalar. A verba está sendo utilizada em adequação da infraestrutura, aquisição e manutenção de equipamentos, compra de medicamentos e outros insumos, além de equipamentos de proteção individual.

Em algumas regiões, as unidades da Rede Ebserh têm atuado como hospitais de referência ao enfrentamento do Covid-19, enquanto que em outras, atuam como retaguarda em atendimentos assistenciais para a população, por meio do Sistema Único de Saúde.

Fonte: gov.br / Imagem em destaque: Mec

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