Ufam divulga artigo sobre uso de produtos naturais no tratamento ao coronavírus

Ufam divulga artigo sobre uso de produtos naturais no tratamento ao coronavírus

Ananda Antonio, Larissa Wiedemann e Valdir Florêncio da Veiga Jr, membros do Programa de Pós-graduação em Química, assinam o artigo publicado pela revista Royal Society of Chemistry Advances (RSC Advances) sobre a atuação de produtos naturais contra a covid-19. De acordo com o documento, foi possível observar que compostos naturais sugeridos por modelagem computacional são capazes de inibir o contágio e a replicação do coronavírus SARS-CoV-2, que causa a covid-19.

Publicado na edição de junho do periódico, o artigo “Natural Products role against covid-19” apresenta o trabalho de ampla revisão bibliográfica em várias bases de dados para avaliar a possibilidade de empregar produtos naturais no desenvolvimento de tratamentos contra a covid-19. “Foi possível observar que compostos naturais sugeridos por modelagem computacional são capazes de inibir a inoculação [transmissão] e replicação do SARS-CoV-2. Eles pertencem às classes de substâncias que incluem flavanonas, flavonois, alcaloides, ácidos graxos, terpenoides e esteroides. Entre estes, os flavonoides apresentaram os resultados mais promissores para os estudos in vitro e in vivo contra a covid-19. Até o momento, um estudo foi realizado in vitro com flavonoides, sugeridos pelas análises in silico. Substâncias dessa classe química estão presentes na flora Amazônica, que pode servir de fonte para o desenvolvimento de tratamentos ou medicamentos preventivos”, informa Larissa Wiedemann, professora do Departamento de Química da Ufam, uma das autoras da publicação.

O uso de plantas medicinais é muito difundido em todo o mundo, mas no caso da covid-19, por se tratar de uma doença nova, não é seguro utilizar qualquer método de medicação ou tratamento sem o devido respaldo científico, podendo gerar intoxicação e efeitos colaterais que agravem o estado do paciente. Por isso, os três pesquisadores decidiram estudar a terapia com substâncias naturais partindo de informações que a ciência já possui em casos semelhantes aos do quadro atual.  “Uma área importante da pesquisa de drogas para doenças emergentes é a do reposicionamento, ou seja, aproveitar uma substância que tem atividade biológica para outra doença e que já está no mercado (e por isso passou por diversos testes de segurança). Os primeiros estudos com a covid-19 apontaram alvos farmacológicos como a ECA, a Enzima Conversora da Angiotensina, que é um sistema muito sensível que atua, por exemplo, no controle da pressão arterial. Buscamos então estudos mais amplos, substâncias naturais que já tivessem mostrado atividade em outros vírus dessa mesma família que provoca a covid-19, preliminares e também mais avançados, e que já estivessem no mercado”, revelou o professor Valdir Florêncio da Veiga Jr.

Com os resultados obtidos até o momento, o trio pretende dar sequência ao estudo a fim de chegar à resposta mais concreta sobre o tema, ou seja, ao desenvolvimento de um medicamento preventivo ou para o tratamento da covid-19 a partir da flora amazônica. “Estamos trabalhando no desenvolvimento de metodologias que permitam produzir em larga escala algumas das substâncias que se mostraram ativas nos ensaios preliminares para que, caso seja comprovada sua eficácia, exista garantia de uma cadeia de fornecimento para abastecer farmácias e hospitais’, ressalta Larissa.

De acordo com os autores, ainda é cedo para que se tenha uma conclusão acertada sobre um novo medicamento contra a covid-19, mas é surpreendente o avanço científico em busca dele. “As pesquisas sobre o desenvolvimento de fármacos específicos para o combate da covid-19 ainda estão em seus passos iniciais. Entretanto, é notável o esforço mundial. Relativamente aos vários anos que leva para o desenvolvimento de um novo medicamento, um grande avanço já foi feito tanto no reposicionamento de medicamentos sintéticos quanto na indicação de produtos naturais originados de plantas e algas que podem ser utilizados na terapia”, comenta  a pesquisadora. “É muito importante que a população seja informada que muitas substâncias mostram atividade nos ensaios preliminares, mas depois elas são descartadas, as atividades não se confirmam quanto à viabilidade, segurança, entre muitos aspectos do desenvolvimento de medicamentos. Podem ser ativas em uma pequena placa de vidro ou no computador, mas quando testadas em seres humanos, não se mostram ativas e ainda provocam outras doenças ou agravamento do quadro”, completam.

Acesse o artigo aqui. 

Fonte: gov.br / Imagem em destaque: diaonline

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