A Absurda Guerra do Balde !

A Absurda Guerra do Balde !

“O homem tem que estabelecer um final para a guerra, senão, a guerra estabelecerá um final para a humanidade!”

John F. Kennedy

É mais que evidente que a sede por sangue alheio do ser humano, fez com que desde os primórdios da civilização as tribos guerreassem entre si. Os motivos para o derramamento de sangue vão desde disputa por território, até as mais banais, como o simples abatimento de um suíno, como demonstrado no incidente ocorrido em 1859 batizado de A Guerra do Porco: https://dunapress.org/2020/06/09/suinos-e-guerras-quando-porcos-geram-crises-diplomaticas/

Entretanto, houveram muitos outros conflitos que se iniciaram por motivos ainda mais  banais, e em contrário da Guerra do Porco, onde a única vida perdida foi a do suíno, várias vidas foram tomadas em um ato de estupidez humana,  por até mesmo um balde de carvalho.

O conflito teve seu início em 1325, quando em uma Itália ainda não unificada, soldados da cidade estado de Módema invadiram furtivamente a cidade de Bolonha, e em um ato de travessura, furtaram um balde de carvalho que ficava amarrado a um poço na praça da cidade. O furto do balde foi a fagulha que faltava para a relação tensa entre Módema e Bolonha entrarem em atrito, uma vez que a cidade estado de Bolonha possuía uma estreita relação com o Sacro Império Romano, ao passo que Modéma era partidária do papado exercido pelo pontífice João XXII. E neste cenário de tensão política, as autoridades de Bolonha exigiram de Módema esclarecimento, retratação, bem como a devolução do Balde, onde em resposta as autoridades de Módema negaram aos protestos bolonheses e recusaram-se a devolver o balde.

Totalmente ultrajados com o insulto dos modoneses, Bolonha reuniu um exército composto por aproximadamente 32 mil homens liderados por Cangrande della Scalla, dentre eles 2 mil cavaleiros e marchou em direção a Módema, que tinha uma população de aproximadamente 7 mil habitantes, que reuniram apressadamente uma parca força de defesa. As tropas bolonhesas em sua marcha vieram deixando um rastro de destruição, atacando vários castelos. O ataque, porém, não saiu como esperado, e a tropa composta por mais de 30 mil bolonheses despreparados, não foram páreos para os parcos 5 mil modoneses que conseguiram vencer a batalha e não contentes saíram em perseguição as tropas derrotadas em fuga. As tropas de Módema dificultaram ainda mais as chances dos oponentes, destruindo a barragem que fornecia água para a cidade de Bolonha, deixando a cidade sem água.

Não bastando a amarga derrota, a cidade sitiada de Bolonha ainda foi mais ultrajada pelos modoneses, que realizavam cânticos de insulto, festejos e práticas esportivas medievais ao redor das muralhas da cidade inimiga, e para aumentar ainda mais a humilhação, roubaram mais um balde em um poço do lado de fora da cidade, e ainda capturaram mais de vinte habitantes de Bolonha que permaneceram enclausurados em Módema por onze semanas.

Com o passar do tempo os ânimos finalmente esfriaram e as duas cidades resolveram pactuar uma trégua, vindo a cidade de Módema como gesto de boa vontade a devolver vários despojos de guerra capturados, com exceção do balde, que foi o pivô do conflito, que segundo relatos, se encontra até hoje guardado em uma catedral de Modéma. Todavia, paz não ficou completamente estabelecida, havendo várias outras escaramuças pela península itálica, servindo somente para solidificar os Gibelinos como grupo dominante na região, bem como deixando um saldo de mais de dois mil mortos, tudo isso por um balde de carvalho. Sendo este um dos maiores exemplos dos absurdos e desperdícios de vidas humanas em meio as guerras.

Referência Bibliográfica:

– DUGGAN, Christopher. História Concisa da Itália. Edipro. 2016.

– FIORI, José Luís. Sobre a Guerra. Editora Vozes. 2018.

– GREGORY, Leland. Stupid History: Tales of Stupidity, Strangess and Mythconceptions Throughot the Ages. Andrews McMell Publishing. 2009.

– SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. Por que a guerra?: Das batalhas gregas à ciberguerra – Uma história da violência entre os homens. Editora Civilização Brasileira. 2018.

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