American Graffiti: Quem nunca?

American Graffiti: Quem nunca?

Loucuras de Verão – American Graffiti, 1973  A ressignificação da película de George Lucas

Existem filmes que marcam nossa vida, desde a infância. Nessa época em que o mundo vive a convulsão da pandemia, todos privados de uma simples sessão de cinema, é exatamente o instante em que o pensamento se volta até mesmo para os antigos drive-in theaters (mega telas de filmes assistidos de dentro de carros em enormes estacionamentos). Há quem diga que cérebros estão fervendo para isso, não apenas por mera nostalgia, mas pela realidade atual em contraponto à experiências que se quer tocar novamente com as mãos.

Quem não se lembra da primeira vez que foi ao cinema? De algum filme que se emocionou ou adorou o roteiro e história? Como amante da sétima arte, possuo uma lista de pérolas e pedras preciosas, que sempre revejo de tempos em tempos.

Meses atrás tive o prazer de acompanhar, novamente, o filme Loucuras De Verão – American Graffiti.

O ano é 1962. Um grupo de jovens está em seu último dia de férias de verão, após o término da escola. Nessa fase tão difícil de transição, entre a adolescência e a vida adulta, eles têm que tomar decisões importantes.

Dirigido por George Lucas, em 1973, o filme possui cast com nomes de fama internacional, que, na época, estavam no início de carreira, entre eles: Richard Dreyfuss e Harrisson Ford, além dos atuais diretores Ron Howard e Charles Martin Smith.

Imagem: Reprodução

Conheci essa obra cinematográfica ainda na infância. Por ter um gosto peculiar, um dos meus maiores interesses na época era a própria estética: carros antigos, roupas e música.

Ao contrário de outros filmes, não há uma trilha sonora composta especialmente para a película, mas uma seleção que conta com clássicos de Chuck Berry, Beach Boys e outros artistas que fizeram sucesso na década de 1950 e 1960.

Imagem: Reprodução

Também, neste período eu não conseguia enxergar o significado de cada personagem. Na época, percebia a mim mesma mais parecida com os papéis de Paul Le Mat, o rapaz rebelde e de Charles Martin Smith, o moço ingênuo que apenas queria ser igual aos outros, mas aparenta ser mais humilde. 

Na última vez das tantas que assisti, vi o quanto esta representação mudou em minha mente ao passar dos anos. Lembrei de minha situação, quando tinha a idade desses jovens.

Foi muito difícil para mim pensar sobre o que eu realmente queria fazer da vida. Isso acabou me deixando realmente com medo. Sempre me pergunto porque temos que tomar essa atitude ainda com tão pouca idade?

Muitas vezes, não queremos fazer a mesma coisa pelo resto da vida. Por outro lado, não me arrependo pelo fato do conhecimento ter aberto portas na minha mente e profissão.

Poderia me definir, naquela época, como Curt (Richard Dreyfuss), rapaz mais introvertido, que acaba decidindo canalizar seus esforços na vida acadêmica, deixando para trás até mesmo a mulher por quem  tinha interesse em namorar. 

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O diretor aborda várias questões relacionadas ao jovem de forma leve e, mesmo as mais controvertidas são apresentadas de maneira não pejorativa. A inconsequência do primeiro porre, as brigas, a importância de pertencer a uma tribo (grupo social), como as gangues, a imprudência de participar de um racha, colocando a vida de outras pessoas em risco.

Outro aspecto que me intrigou foi a antítese do personagem de Dreyfuss, interpretada por Ron Howard. Ron representa Steve, que acaba desistindo do mesmo propósito, do amigo, para ficar com sua amada, Laurie (Cindy Williams). Por uma briga com Steve, Laurie toma uma decisão inconsequente, o que quase lhe custa a vida. Por distância abismal de spoiller, deixo que o leitor aguce sua curiosidade sobre a cena.  

Seria o amor algo tão forte, e a sua conquista algo tão persistente e difícil? Minha vivência  faz com que eu tenha dúvidas. Valeria a pena estar na zona de conforto ao em vez de ir ao desconhecido para uma nova vivência?

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A estética complementar me transporta a um período histórico que não vivi. O que era importante na vida diária? Era melhor do que hoje em aspectos como cultura, valores e comportamento? Talvez, meus próprios avós poderiam responder essa pergunta.

American Graffiti trata de temas que são comuns aos jovens e adolescentes, mas de forma sutil. É um filme que, mesmo décadas depois, indico também para pessoas nessa faixa etária. As cenas tratam desse período de transição para a vida adulta, o que continua sendo difícil, mesmo após 47 anos desde seu lançamento.

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REVENDO A PELÍCULA é parte integrante dos memoriais cinematográficos de Jessica Jaconetti, sob suas percepções e significados pessoais, também traduzindo sentimentos e impressões de cinéfilos.


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