Como recessões econômicas afetam taxas de mortalidade no Brasil

Como recessões econômicas afetam taxas de mortalidade no Brasil

Recessão econômica é um período em que há diminuição da produção e procura por bens e serviços, acompanhada por aumento do desemprego, podendo ser desencadeados por diversos fatores (crises mundiais, por exemplo). Passada a crise, em geral, a economia volta a crescer e as pessoas voltam a encontrar empregos disponíveis. Mesmo assim, pode haver consequências duradouras para essas crises.

Com o aumento do desemprego, é comum aumentar também os níveis de ansiedade e o agravamento das condições de saúde mental das pessoas. Ainda assim, quando países com alta renda passam por uma recessão, se observa que suas taxas de mortalidade (quantidade de mortes em relação à população) diminuem neste período.

Uma das explicações para isso é a diminuição do número de pessoas no trânsito, assim como sua menor participação em atividades que fazem mal à saúde, tais como consumo de fumo e álcool. Em países com renda mais baixa, por outro lado, a situação parece ser bem diferente. Um estudo conduzido por cientistas do Brasil e do Reino Unido analisou de perto a recente recessão econômica brasileira entre 2014 e 2016, buscando entender qual era a relação entre recessão e taxa de mortalidade nos municípios brasileiros.

Os pesquisadores usaram dados de diversas fontes brasileiras oficiais a respeito de mortes de pessoas acima de 15 anos em todos os municípios brasileiros de 2012 a 2017, incluindo informações sobre causa da morte, idade, sexo e cor/raça. Para determinar o quanto a crise afetou cada município, foi utilizada a taxa de desemprego (ou seja, o quanto da população estava desempregada) no estado a que cada município pertencia. Os cientistas também coletaram informações sobre o investimento que cada município realizava em sistemas de proteção social, medido pela quantidade de recursos financeiros aplicada no programa bolsa família e em serviços de saúde municipais.

A pesquisa mostra que o acréscimo no desemprego entre 2012 e 2017 foi responsável indiretamente por 30 mil mortes, sendo que as maiores causas foram o aumento de câncer e doenças cardiovasculares. Outra descoberta interessante da pesquisa foi a maior mortalidade observada entre pretos e pardos, em homens, e entre as pessoas com 30 a 59 anos de idade. Municípios com alto investimento em saúde pública e segurança social, por sua vez, não apresentaram aumento no total de mortes em decorrência da recessão econômica.

Segundo os cientistas, tais resultados indicam que a crise afeta certos grupos de maneira mais acentuada, e que a falta de acesso a serviços de saúde em períodos de recessão contribui para aumentar a desigualdade social e a mortalidade. Essas evidências reforçam a necessidade de que as administrações públicas invistam em sistemas adequados de proteção social para proteger a população sob risco dos efeitos de recessões econômicas.

Fonte canalciencia.ibict.br

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