O jornalismo ético perde um Highlander: José Paulo de Andrade

O jornalismo ético perde um Highlander: José Paulo de Andrade

Tributo ao referencial de jornalismo que uniu gerações, e que deixa colegas e alunos órfãos de competência e imparcialidade.

Foi-se o guerreiro com dom da palavra.

Foi-se o mestre do real que se lavra.

Foi-se quem ensinava segredos da espada.

Foi-se a referência da nova garotada.

Foi-se a voz da memória, do rancho e cozinha.

Foi-se a voz da história que de nós se avizinha.

Foi-se o café de vovôs e vovós.

Foi-se a frequência de tom albatroz.

Foi-se em silêncio como o pulo do gato.

Foi-se em prenúncio tal qual ultimato.

Foi-se o baluarte dos barões do rádio.

Foi-se o certeiro em tribuna ou estádio.

Foi-se a coluna da radiofusão.

Foi-se em lacuna de televisão.

Foi-se a face escondida de Saulo.

Foi-se a cara real de São Paulo.

Foi-se modelo de ser jornalista.

Foi-se o ícone do jornal paulista.

Foi-se o bacharel, versado em direito.

Foi-se o menestrel com rimado perfeito.

Foi-se o doutor em radiofonia.

Foi-se o tutor da metafonia.

Foi-se da rádio o bandeirante.

Foi-se o arcádio de voz retumbante.

Foi-se o radioescuta do plantão esportivo.

Foi-se a excuta do aluno assertivo.

Foi-se o locutor do tão querido futebol.

Foi-se o anunciador de cada dia o arrebol.

Foi-se o apresentador e comentarista.

Foi-se o inquiridor, destemido, altruísta.

Foi-se o homem que discordava sem ofender.

Foi-se quem sorria, sem desentender.

Foi-se o confrontador aguerrido.

Foi-se o questionador preferido.

Foi-se o que fazia o entrevistado tremer.

Foi-se quem fazia o ouvinte entender.

Foi-se o pensante, provocador de revisões.

Foi-se a voz dos paulistas, calados corações.

Foi-se o representante de ancestrais.

Foi-se quem representou bem os tais.

Foi-se o total de sessenta anos de jornalismo.

Foi-se quem mostrava os fatos sem achismo.

Foi-se o representante e Titular da Notícia.

Foi-se quem fazia da profissão sua delícia.

Foi-se a dinâmica da Entrevista Coletiva.

Foi-se a era da honrada cadeira cativa.

Foi-se o perfil que a cada século nasce.

Foi-se o sucessor de Vicente Leporace.

Foi-se o domador de marruco.

Foi-se o legatário do Trabuco.

Foi-se quem fazia o jornal, gente!

Foi-se quem não fazia jornal pendente.

Foi-se quem era ouvido na urbe, no morro.

Foi-se quem até brincou de ser Zorro.

Foi-se quem questionava com tom varonil.

Foi-se quem honrava a História do Brasil.

Foi-se o som e o brado do super.

Foi-se o parceiro de Salomão Ésper.

Foi-se a performance do boletim.

Foi-se a Trilogia com Joelmir Beting.

Foi-se de quem nem se falou a metade:

Fica entre todos José Paulo de Andrade!

Dan Berg: Tributo ao mestre do jornalismo ético. Improvisos. 17/07/2020.

José Paulo de Andrade – São Paulo, 18 de maio de 1942 – São Paulo, 17 de julho de 2020.

IMAGENS: REPRODUÇÃO/3º TEMPO


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